CRISE ECONÔMICA

Pandemia joga 1.338 famílias de Franca para situação de pobreza ou extrema pobreza; desespero faz parte da realidade de muitos

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Com a disseminação do novo coronavírus e a crise por ele causada, várias famílias brasileiras passaram a sofrer com dificuldades que surgiram ou que já existiam e acabaram agravadas. Em Franca, essa realidade não é diferente. Do mês de março - quando a pandemia se instalou na cidade - até hoje, 1.338 famílias francanas passaram a integrar o grupo da pobreza ou extrema pobreza.
 
Segundo dados registrados no programa Cadastro Único, em março Franca tinha 6.829 famílias em situação de extrema pobreza, quando a renda mensal não ultrapassa a quantia de R$ 89,00, e outras 2.056 na pobreza, quando os valores adquiridos no mês inteiro ficam entre R$ 89,01 e R$ 178,00.
 
Porém, com o passar do tempo, o avanço da pandemia e a quarentena, esse número aumentou. Segundo dados oficiais, 672 famílias passaram a fazer parte do grupo de extrema pobreza e 666 entraram no da pobreza.
 
A quantidade de beneficiários dos programas governamentais de auxílio também aumentou. No mês de março, 22.124 pessoas estavam registradas no Cadastro Único. Cinco meses depois, esse número cresceu para 23.001. No mesmo período, os cadastrados do Bolsa Família subiram de 6.173 para 8.303.
 
 
Famílias desamparadas

Com as dificuldades criadas no período, inúmeras pessoas que sustentavam as suas famílias passaram a se ver em uma sinuca de bico: sem emprego, sem renda e sem esperança de melhora da situação. Apesar de já não estarmos em um período de total isolamento e a economia já ter começado a fluir, o desespero de muitos perdura.
 
Gislaine dos Santos é mãe solteira e sustenta sozinha a sua residência. Quando a pandemia teve início, ela estava em busca de um emprego, entregando currículo nas empresas. “Eu trabalhei durante a minha vida toda, porém, quando o vírus começou a se disseminar, eu estava desempregada. Buscava por um serviço e tinha até algumas entrevistas marcadas, mas nada deu certo. Tudo fechou”.
 
Segundo ela, a sua única fonte de renda atual são os auxílios do governo. Gislaine também conta que pretende dar início a um negócio próprio. “Eu estou vivendo somente do Auxílio Emergencial, que já vai acabar. Isso não é o que eu quero. Preciso ter uma renda fixa, que possa contar com ela todo mês. A única solução que encontrei é começar a fazer algo em casa para vender. Só assim para sustentar as minhas duas crianças”.
 
Outra família que também sofreu com as limitações foi a de Daiane Inocêncio. Ela trabalhava junto com seu marido em uma banca de pesponto, porém, com a pandemia, suas vendas zeraram. “Nós vendíamos para uma fábrica de sapatos que decretou falência. Com isso, ficamos sem renda e começaram a faltar as coisas dentro de casa”.
 
Daiane também conta que ela e seu companheiro tiveram que se virar com apenas um Auxílio Emergencial. “A gente só conseguiu receber um auxílio. O do meu marido não deu certo. Estamos passando muito apertado. A ajuda do governo só dá para pagar as contas de água e luz. A gente também estava recebendo algumas cestas básicas da creche onde meu filho ficava, mas, agora, nem isso teremos mais. É muito triste ver todas as nossas máquinas paradas, sem podermos utilizá-las, e o pessoal aqui em casa precisando de coisas básicas”.
 
Na casa de dona Ilda Alves de Macedo o drama também se fez presente, já que ela foi demitida pouco tempo antes do coronavírus aparecer e até hoje não conseguiu um novo emprego. “Eu fazia faxina em um laboratório há mais de dez anos. Em novembro do ano passado, a empresa trocou de dono e vários funcionários foram mandados embora. Eu fui um deles. Depois disso, começou a pandemia e arrumar emprego ficou muito difícil. O meu marido trabalha como eletricista e também ficou muito tempo sem serviço. Só está voltando agora. O meu seguro desemprego acabou e eu não consegui pegar o Auxílio Emergencial. Estamos com bastante dificuldade”.
 
Francisco Alves também sentiu na pele os efeitos do surto. A exemplo de Ilda, ele perdeu seu emprego no ano passado e não foi mais contratado. “Eu sou vigilante faz 58 anos. No fim de 2019, a empresa que eu trabalhava fechou. De lá pra cá, não consegui mais nada. Eu dei entrada na minha aposentadoria há três anos, mas agora o processo entrou em transição. Eu e minha esposa estamos vivendo somente com a aposentadoria dela. Está muito complicado, porque cuidamos da nossa neta e acaba não sobrando dinheiro para fazer outras coisas que precisamos. Eu tentei até recorrer ao auxílio do Governo, fiz o cadastro, mas não deu certo. Preciso trabalhar e não consigo”.
 
Caso você, leitor do GCN, tenha interesse em ajudar qualquer um dos entrevistados, entre em contato conosco pelo telefone (16) 3713-8899.

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