Franca sempre foi conhecida como um dos grandes polos industriais do país. O título de ‘capital do calçado’, no entanto, foi abalado ao longo dos anos, com a mudança de fábricas para outros polos e a grande queda na produção e empregabilidade. De acordo com dados do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), de 2013 – melhor ano para o setor em Franca –, até outubro deste ano, 19 mil empregos deixaram de existir na indústria. No mesmo período, uma queda de mais de metade na produção de pares aconteceu. Há 7 anos, Franca produziu 39 milhões de pares. Para este ano, a previsão é fechar com apenas 16,7 milhões.
Essa enorme queda de produção se dá pela crise do setor, que já dura mais de meia década. O presidente do sindicato, José Carlos Brigagão, explica que “tivemos uma recessão no país em 2014. Mas temos que isso é fruto de uma desindustrialização do país que iniciou em janeiro de 86”.
Além das recorrentes crises citadas por Brigagão, o setor se viu ainda mais refém da pandemia. Por praticamente dois meses, as fábricas ficaram paradas, congelando contratações e a produção.
Um exemplo que mostra essa queda em decorrência da pandemia é a defasagem na produção se comparado a 2019. No ano passado, a produção foi de 24 milhões de pares. Ou seja, queda de quase oito milhões. Além disso, a tradicional recontratação no início do ano não aconteceu. “O que demitia em outubro, novembro e dezembro, se recontratava no primeiro trimestre. Isso não ocorreu em decorrência da recessão econômica e agravamento pelo coronavírus”, disse.
Para recuperar a perda, já que no início da década o setor teve seu auge, Brigagão afirma que a preocupação deve ser voltada às exportações, que, atualmente, representam apenas 5% do produzido. O número, já baixo, cai a cada ano. Em 2019, Franca vendeu 68 milhões de dólares em exportações. A projeção para esse ano cai pela metade, sendo apenas de USD $35 milhões.
Segundo Brigagão, para sair da crise, o volume de calçados exportados deveria ser 10 vezes maior. “O futuro da indústria calçadista, não só de Franca, está nas exportações. Se não houver exportações, vamos estar concentrados no mercado interno e isso causa uma série de problemas. Ficaremos dependendo da situação econômica do país. Temos que exportar de 40% a 50% da nossa capacidade produtiva para termos um equilíbrio na produção, finanças e emprego dessas empresas”.
Para tornar isso possível e expandir o número, José Carlos acredita que deve haver um acordo com os três níveis de governo. “Sabemos o que tem que ser feito no setor calçadista de Franca, mas é necessário que o próximo prefeito possa trabalhar junto conosco, para nós seguirmos um plano de recuperação. O governo do Estado terá que rever seus contextos de indústria e não fazer o que está fazendo. E aí também teremos que conversar com o federal, para podermos viabilizar no sentido das exportações”, finalizou.