FUTURO

A vida após as urnas

Por N. Fradique, Kaique Castro, Pedro Baccelli, Higor Goulart e Lucas Faleiros | da Redação
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Divulgação
Adérmis Marini (PSDB), durante a campanha. Ele afirmou que, no momento, quer cuidar de sua vida particular
Adérmis Marini (PSDB), durante a campanha. Ele afirmou que, no momento, quer cuidar de sua vida particular

Dos oito candidatos que disputaram as eleições municipais em Franca para prefeito neste ano, sete deles terão que esperar um pouco para tentar algum outro cargo eletivo. A maioria deles retoma suas atividades profissionais ou empresariais. No poder Legislativo, a situação não é diferente: cinco vereadores não conseguiram à reeleição e alguns deles ainda não sabem o que farão a partir do primeiro dia de 2021.

Se o futuro para alguns é incerto, em contrapartida há três vereadores que decidiram não disputar a reeleição neste ano, se afastando – pelo menos, momentaneamente - da vida pública. Dois deles são empresários e seguem naturalmente com suas atividades, caso do comerciante Marco Garcia e do jornalista Corrêa Neves Jr. Adérmis Marini, que concorreu à prefeitura, ficará sem cargo eletivo a partir do próximo ano.

A reportagem do GCN procurou todos que disputaram a prefeitura de Franca e os vereadores não eleitos em 2020 para saber os planos para o futuro de cada um deles a partir de janeiro.

O caso mais emblemático é do atual prefeito Gilson de Souza (DEM), que praticamente pela primeira vez ficará sem um cargo público desde 1982, quando se lançou na política e foi eleito vereador. Gilson foi depois deputado por três mandatos, assumiu como suplente uma outra vez e finalmente acabou eleito prefeito. Procurado durante toda esta semana para falar sobre seus planos, Gilson não atendeu a reportagem nem respondeu os questionamentos sobre seu futuro, tanto na vida privada quanto na política. Gilson foi o sexto colocado nas eleições.

Flávia Lancha (PSD), que ficou em segundo lugar na disputa com Alexandre Ferreira (MDB), volta o foco para sua empresa. "Inicialmente seguirei apenas no Conselho da Labareda e me dedicarei ainda com mais afinco ao Icol (Instituto de Capacitação e Orientação Livre) e à Gima (Gincana Intermunicipal pelo Meio Ambiente)", disse a empresária. "Tenho hoje um capital político de mais de 56 mil votos, o que me credencia como uma liderança. Não posso deixar isso de lado. Sigo atuando politicamente, mas ainda não tenho uma definição de que forma farei isso".

O Diretor Marcos (PSD), que foi vice de Flávia, também volta à sua atividade de educador. “Neste primeiro momento retorno para a direção da escola 'Hélio Palermo', onde permaneço até o fim deste ano. Já em janeiro tomo posse na escola 'David Carneiro Ewbank'. Seguirei engajado nos movimentos sociais de Franca. É muito cedo ainda para um prognóstico sobre meus próximos passos na política”.

João Rocha (PSL), terceiro colocado, também empresário, disse, bem-humorado, que o “mais importante agora é se manter vivo”. “Vamos retornar as nossas atividades pessoais. Politicamente vamos fazer um trabalho de reestruturação do partido, visando a próxima campanha de governador. No nosso entendimento, hoje, o melhor dos nomes para concorrer ao Estado quem tem é o PSL: Major Olímpio. O projeto principal é a reestruturação do partido. As questões pessoais a gente vê o que Deus tem planejado para nós no futuro”.

Adérmis Marini (PSDB), escrivão aposentado da polícia civil, afirmou que no momento quer cuidar de sua vida particular, sem dar detalhes. O tucano, que ficou em quarto lugar na eleição para prefeito, também deixa a cadeira de vereador no final deste mês. “Olhando do ponto de vista pessoal, a política me ensinou muitas coisas. Tudo nessa vida são experiências e essa me proporcionou um crescimento. Por conta disso, não descarto retornar ao ramo político um dia. Mas nesse momento, o que eu quero mesmo é cuidar da minha vida particular. Como cidadão, fico na torcida para que o prefeito e os vereadores eleitos consigam fazer o melhor para a nossa cidade”.

Rafael Bruxellas (PT) volta a trabalhar como consultor. “Continuarei trabalhando em minhas empresas, me dedicando a minha esposa e ao meu filho que, se Deus quiser, estará conosco já em abril, mas sem deixar de estar presente na vida da nossa população, como sempre fiz. Tem muita gente perguntando, e alguns até pedindo, para que sejamos candidato a deputado, sobretudo a federal. Ao mesmo tempo eu sei da enorme responsabilidade que tenho agora com Franca depois do apoio de 12% da população em nossa primeira candidatura à prefeitura. Essa responsabilidade faz com que eu tenha muita clareza de que se dedicar a Franca não pode ser algo que acontece apenas de quatro em quatro anos”.

Marília Martins (Psol), dona de uma rotisserie, continua na sua militância: "Eu mantenho meus planos de continuar fortalecendo os conselhos municipais e os espaços democráticos. Trabalho com a minha família no setor alimentício e continuo trabalhando. Ano que vem é ano que vem. Vida que segue".

Orivaldo Donzelli (PTB) retomou a carreira de professor logo após a eleição. “Já até voltei a ministrar minhas aulas na faculdade. Retomei a minha vida acadêmica de maneira bem rápida e é nela que eu pretendo continuar. Eu sou professor nos cursos de Ciências Contábeis e Administração e essa, sendo sincero, que é a minha ‘praia’. A minha experiência na política foi muito interessante. É algo que eu nunca tinha pensado viver. Mas nesse momento não penso em retornar. Vou seguir com a minha vida de professor e dar maior atenção à minha família, que é a base de tudo”.

 

Vereadores

Nirley de Souza (PP), que por mais de 20 anos se dedicou exclusivamente à política, eleito vereador por cinco mandatos, admite que não sabe o que vai fazer a partir do ano que vem. “Ainda não defini. Eu estava confiante que poderia sair eleito novamente. Então, não tenho nada programado. Vou ficar alguns dias analisando tudo que podemos fazer e descansando um pouco’’.

Pastor Otávio Pinheiro (PTB) acumula três mandatos no legislativo. Antes foi bancário, auxiliar administrativo e representante comercial. Fora da Câmara, pretende cursar uma graduação superior e voltar para a iniciativa privada. “Estou querendo fazer uma faculdade de administração pública, devo iniciar em janeiro, e volto para a iniciativa privada. Gosto de atuar como representante comercial. Fiz contato com várias empresas, entre elas, na área de medicamentos e construção civil”.

Cristina Vitorino (REP) também não conseguiu a reeleição. "Por enquanto eu vou dar continuidade na minha loja de noivas e madrinhas. Já na igreja eu ainda sou membra, normalmente. Para mim nunca mudou. Só mudou a definição deles, que, acharam melhor apoiar o Pastor. Agora, o que eu mais quero é curtir minhas filhas. Aproveitar para ficar mais próxima delas", disse.

Tony Hill (DEM) avisou que retoma a sua atividade de radialista nos próximos dias. “Meu foco agora é dar continuidade em minha vida profissional. No próximo dia 16 volto pro rádio e vida que segue”.

Arroizinho (MDB) bateu na trave e por muito pouco não conseguiu a reeleição, mas sonha com um cargo na próxima administração, já que pertence ao mesmo partido de Alexandre Ferreira. Antes de se eleger vereador em 2016, Arroizinho já ocupava cargo comissionado como administrador do estádio municipal Lanchão.  "Ainda não sei o que vou fazer”, disse.

 

Não concorreram

Apenas dois vereadores não disputaram a reeleição nem um outro cargo público. Um deles é Marco Garcia (Cidadania), que vai se dedicar às suas empresas, mas não descarta voltar à política no futuro. “Agora, eu vou cuidar dos meus negócios. Eu tenho lojas de utilidades em cidades da região de Franca, como Guariba, Barretos, Ituverava e São Joaquim. É para isso que eu vou voltar minha atenção. Sobre a política, mesmo eu não ocupando algum cargo, estarei envolvido, já que sou presidente do Cidadania em Franca. Logo, eu estarei ativo na vida pública”.

O outro único vereador que não disputou nenhum cargo neste ano foi Corrêa Neves Jr. (PSD). "Decidi que não disputaria nenhum cargo eletivo há um ano e cumpri meu propósito. Encerro meu ciclo na Câmara com muito orgulho. Trabalhei duro, aprovei projetos importantes, participei de votações decisivas. Claro, lamento também o que não foi possível fazer, especialmente a expansão do programa de bolsas de estudo nas faculdades municipais, grande sonho interrompido pela maior operação de fake news já deflagrada contra alguém em Franca, e da qual fui vítima. Mesmo assim, o saldo é positivo e o aprendizado, enorme”.

O empresário diz que vai continuar participando da vida pública, mas como jornalista. "Agora, vou me dedicar integralmente a minhas atividades jornalísticas e empresariais. Estas últimas foram deixadas um pouco de lado nos últimos quatro anos e isso trouxe alguns impactos negativos, agravados pela série crise econômica. Mas gosto muito do que faço, tenho grande entusiasmo pela atividade jornalística e é a partir dali que, neste instante, vou continuar participando da vida pública de Franca e região, sempre com coragem, com decência e com paixão”.

Sobre a eventual disputa de um cargo eletivo, Corrêa disse que não é hora de definições. “Estou me afastando, mas não abandonando a vida pública, mesmo porque minha profissão não permite. Mas disputei apenas duas eleições na vida. Na primeira, recebi 30 mil votos para deputado. Na segunda, fui eleito vereador com a segunda maior votação da história de Franca. No futuro, se estiver entusiasmado e convicto de que posso contribuir, decido sobre eventual disputa. Mas neste instante, vou me dedicar 100% ao jornalismo e a minha família. Minha mulher, meus filhos, minha mãe sofrem demais com tantos ataques. É hora de priorizá-los”, disse.

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