A sigla AIDS, de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Acquired Immunodeficiency Syndrome, em inglês), que gerou tanta repercussão em todo o mundo nas décadas de 1970 e 1980, aos poucos foi perdendo espaço nas discussões e, até mesmo, na mídia. Hoje, já não é um assunto tão comentado, mas continua sendo extremamente preocupante.
E para ampliarmos as discussões, o dia 1º de dezembro passou a ser o Dia Mundial de Combate à AIDS, essa doença do sistema imunológico resultante da infecção pelo vírus HIV que se caracteriza pelo enfraquecimento do sistema imunológico do corpo. Com o organismo mais vulnerável ao aparecimento de doenças oportunistas que vão de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer.
Mas ter HIV significa, necessariamente, ter AIDS? De acordo com o médico clínico geral da Unimed Franca, Dr. Antônio Jorge Salomão, a resposta é não. “A pessoa pode adquirir o vírus do HIV não apresentar nenhum sintoma de que seu sistema imunológico está deprimido e que ela pegou alguma infecção que chamamos de “oportunista”, ou seja, que viu na condição da pessoa a oportunidade de se manifestar. E é essa baixa resistência, que gera infecções como pneumonia, tuberculose, toxoplasmose e até câncer, que chamamos de AIDS”, explica. “Quando o indivíduo se contamina com o vírus que, começa a destruir o sistema imunológico. Essa doença destrói as nossas células de defesa e, por isso, o corpo fica sensível às infecções”, conclui.
Todo mundo sabe, mas não custa lembrar: O vírus da AIDS é transmitido, principalmente, por relações sexuais (vaginais, anais ou orais) desprotegidas, isto é, sem o uso do preservativo; além do uso compartilhado de seringas e agulhas contaminadas com sangue, o que é frequente entre usuários de drogas ilícitas. “Estabelecimentos que fazem perfurações corporais, como aqueles que colocam piercings e fazem tatuagens sem nenhuma higiene, também podem contribuir para a disseminação da doença. Além disso, existe a possibilidade de contrair o vírus através de qualquer tipo de contato com sêmen, secreção ou sangue contaminados”, comenta o médico. Vale ressaltar que existem muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, ainda assim, podem transmitir o vírus a outras pessoas.
Logo que surgiu, o HIV era considerado mortal, mas hoje a medicina vê o vírus de outra forma. “No início da pandemia do HIV, nós não tínhamos como combatê-lo, então era muito comum a morte de indivíduos em decorrência da AIDS. Com o passar do tempo e a descoberta de drogas que atacam o vírus, nós passamos a ver a infecção pelo HIV como uma doença crônica e, hoje, raramente você verá a morte de um soropositivo por causa do vírus, principalmente se ele faz seu tratamento da forma correta e faz escolhas saudáveis”, diz. Uma pessoa soropositiva pode ser comparada, em muitos casos, com alguém que é portador de diabetes e que cuida da sua saúde com atenção.
Os sintomas da AIDS podem ser bastante sutis no início, mas à medida que a doença progride, ela interfere cada vez mais no sistema imunológico. “Existem casos de indivíduos soropositivos que nunca demonstraram qualquer sintoma, mas normalmente os sintomas iniciais do HIV podem ser febre, diarreia, dor de garganta, mal estar, dor nas pernas e emagrecimento. Nesse momento é importante procurar um médico ou, claro, quando a pessoa foi exposta de alguma forma ao vírus”.
O Dr. Salomão aponta ainda que, todos que tiveram um relacionamento sexual sem proteção com pessoas desconhecidas, que usam drogas ilícitas, que sejam promiscuas ou profissionais do sexo devem procurar um médico para realizar os exames adequados. “O controle periódico é sempre recomendado, mas alguns casos devem ser priorizados”, destaca.
Segundo dados do Ministério da Saúde, existem hoje no Brasil mais de 900 mil casos de pessoas infectadas pelo vírus da AIDS, sendo a maioria homens entre 25 e 39 anos. Além disso, estima-se que, cerca de, 100 mil pessoas, sejam portadoras do vírus e não saibam.
“Esse tema tem voltado à tona nos últimos tempos pelo simples fato de que a AIDS virou uma pandemia, ou seja, a doença é infecciosa e atinge um grande número de pessoas simultaneamente. Em Franca, por exemplo, são descobertos de 12 a 15 novos casos todos os meses e isso é algo muito sério”, esclarece o médico.
A AIDS continua sendo um dos maiores desafios da saúde pública no mundo, especialmente nos países mais pobres, isso porque o vírus ainda não tem cura. “A AIDS ainda não tem cura, mas tem prevenção”, conclui Dr. Salomão
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