Os índices de emprego em Franca mostram que, nos últimos cinco anos, a cidade teve saldo positivo apenas em 2019. Entre 2015 e 2018, somando todos os setores da economia, o município mais demitiu do que contratou trabalhadores com carteira assinada. Franca chega aos 196 com um enorme desafio, talvez o mais urgente: gerar emprego para a sua população.
Com a mudança no sistema de avaliação do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), os números de 2020 tornaram-se imprecisos para comparação com os anos anteriores. É o que afirma o economista da Acif, Adnan Jebailey.
"Com a mudança realizada este ano no Caged, qualquer comparação que fizermos com outros anos seria imprecisa. Porém, podemos afirmar que houve um número grande de fechamento de vagas, devido à crise sanitária que o país vive. Com o fechamento de comércio, indústrias e serviços, a atividade econômica sofreu um baque."
Quando analisado por setores, a indústria registra os maiores índices de fechamento de postos de trabalho, estando com saldos negativos desde 2015. Para Adnan, a saída para reverter esse quadro seria uma remodelagem no setor. "É preciso uma renovação, uma nova modelagem para que possa ser gerado emprego e interromper o desemprego que tem acontecido nos últimos anos."
Em contrapartida, o comércio é o setor em ascensão no município. Motivado pela não interrupção das atividades em supermercados e no ramo alimentício, em 2020, foi o setor que mais gerou empregos na cidade - ficando com saldo superior a 800. Entre 2015 e 2016, os saldos eram negativos, contudo, partir de 2017 é possível notar o crescimento gradual na geração de vagas - e sempre positivo.
Os melhores índices de emprego em Franca estão no setor de serviços. Dentre todos, é o único que possui saldos positivos nos últimos 5 anos - inclusive em 2020. Para o economista da Acif, apesar de ter dado uma "pisada no freio", o setor mostra crescimento há 15 anos.
"Podemos notar irregularidades nos números, mas apesar disso, é um setor consolidado no município. Ele deve ser visto com bons olhos, pois além de pagar melhores salários, geram mais possibilidades de consumo para as famílias."
Mudanças
Com o atual processo de transição proporcionado pela flexibilização do trabalho e serviços, os cidadãos ainda precisam se adaptar às novas tendências que o mundo exige. Isso pode ser visto com o levantamento do Sebrae, que indica que a cada 100 pessoas desempregadas, 99,5% ainda procuram serviços de forma convencional - através da entrega de currículos, por exemplo.
Entretanto, para o gerente regional do Sebrae, Vinícius Nóbrega, tal fato mostra que é necessário a adaptação ao novo mercado de trabalho. "O trabalho sempre existirá, porém, o emprego vai diminuir. Se antes as pessoas estavam habituadas a fazer um trabalho e estar à disposição da empresa por um valor fixo mensal, hoje elas devem se atentar a outro movimento em que você presta um serviço e, ao término dele, recebe a remuneração."
Ainda para o gerente do Sebrae, a melhor alternativa de combate ao desemprego atual é a mudança de mentalidade das pessoas para este novo momento: buscar mais o empreendedorismo e menos carteira assinada. “Ao invés de ter aquele salário fixo mensal, fazer com que as pessoas busquem prestar seu próprio serviço e de acordo com a qualidade do seu trabalho será melhor remunerada ou não. O Sebrae tem programas que auxiliam nisso, como o Empreenda Rápido, que atenderá 6 mil pessoas que estão buscando alternativas depois de terem sido prejudicados na pandemia.”
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