Diretor Marcos (PSD) e Professor Everton de Paula (PRTB) fizeram na noite dessa terça-feira, 24, o debate que pode ter sido o último da campanha eleitoral de 2020 em Franca. Com o anúncio da suspeita de contaminação pelo novo coronavírus da candidata à Prefeitura Flávia Lancha (PSD), é possível que ela não comparece ao encontro de amanhã, programado pelo GCN/Difusora, que realizaram ontem “A Batalha dos Vices”.
O vice de Flávia e o vice de Alexandre Ferreira (MDB) debateram por mais de duas horas sobre temas como atasques nas redes sociais, diversidade, falta de médicos, prédios públicos abandonados, processo de escolha de diretores de escolas municipais e o atual cenário político.
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Assista na íntegra:
Primeiro bloco
Os candidatos a vice fizeram suas considerações iniciais. “Quero agradecer, em nome também da Flávia Lancha, os mais de 35 mil votos que nos trouxeram ao segundo turno. Agradecer a todos que acreditam em propostas pés no chão. Temos desafios enormes pela frente e estamos prontos para enfrentá-los”, afirmou o Diretor Marcos.
Já o professor Everton de Paula expos seu desejo de que o encontro fosse “um debate e não uma guerra”. “Sem o discurso de ódio. Que quem nos assiste possa decidir pelo melhor candidato e propostas para nossa cidade.”
Segundo bloco
O tema do primeiro embate entre os candidatos na noite de ontem foi o limite no uso das redes sociais na campanha eleitoral, principalmente com ataques contra os candidatos.
Confrontado com um levantamento que mostra dezenas de ataques velados ou diretos aos adversários feito em suas redes sociais, o Professor Everton de Paula afirmou que para cada ação há uma reação. “A partir do momento a ataques ao titular a nossa chapa, eu vim com o intuito de defender meu candidato. O ataque foi na mesma medida dos ataques ao nosso candidato. Eu me vi no direito e na obrigação de defender meu candidato”, afirmou.
Diretor Marcos, que segundo o mesmo levantamento não postou ataques em suas redes sociais, disse que focou nas propostas. “A diferença foi gritante. Estamos a todo momento propondo, fazendo debates. Nós optamos por cada ataque uma proposta.”
Ambos concordaram que há limite, mas é impossível controlar as redes sociais. “Entendo o limite quando se dá respeito à pessoa. A Flávia Lancha é uma querida ex-aluna. Em nenhum momento dos 125 ataques vão encontrar um só que eu tenha desrespeitado a honra e a pessoa Flávia Lancha”, disse Everton de Paula.
‘’A eleições presidenciais de 2018 foi praticamente resolvida pelas redes sociais. Acharam que aqui seria resolvido assim, mas aqui é diferente. Aqui as pessoas nos conhecem, temos histórias. Claro que as redes ajudam e são importantes, mas elas estão tendo serviço de desconstruir histórias e trabalhos de pessoas’’, completou o Diretor Marcos.
Terceiro bloco
No bloco seguinte, os vices foram indagados por que as duas candidaturas adotam uma postura conservadora e não apresentaram nas campanhas propostas sobre a diversidade.
“Nós, da educação, trabalhamos com a diversidade. Claro que temos que respeitar o ser humano. Claro que um casal de gays que tem um filho é uma família. O mundo é outro. Não podemos tapar os olhos para novas formações. Respeitamos as denominações, as igrejas, mas temos que respeitar o ser humano”, discursou o vice de Flávia Lancha.
Já o Professor Everton de Paula disse que sua orientação sobre família é a tradicional, mas que isso não significa que defenda o tradicionalismo para todos. “A palavra moralidade, por muito tempo, traçou limites, traçou barreiras. E essas barreiras vieram de forma que parece que o gay é imoral. Ou imoral por querer ou a moral por não saber. É muito importante que nós – principalmente, educadores - comecemos a trabalhar no sentido de conscientizar exatamente o que você disse, onde há amor, respeito e afeto, independente da ideologia de gênero. Ou nós nos adaptamos aos novos costumes, ou ficamos à margem da história.”
O candidato, então, foi questionado se ser gay é uma condição inata ou de costume. “Desafio uma pessoa a dar uma resposta exata e rápida para isso”, respondeu Everton. Já o Diretor Marcos foi firme: “Não é cultural. É uma condição inata”.
Quarto bloco
A partir do quarto bloco, os candidatos começaram a debater sobre temas livres, definidos por ele. O primeiro a perguntar foi o Professor Everton de Paula: “Em relação a médicos, qual a proposta da Flávia Lancha para a situação crítica que vivemos em Franca?”.
O Diretor Marcos respondeu que a Saúde de Franca “está na UTI” e que a culpa é dos governos anteriores, não apenas do atual. “Temos filas de esperas nas cirurgias eletivas, falta de ginecologista na rede, que é tão básico para mulher. Vimos na pandemia como estamos deficitários com leitos. Quanto à falta de médicos, temos que trabalhar junto com os prefeitos da região, é a sede da região. Nossa discussão tem que ser regional, pois juntos acharemos uma saída.”
Everton de Paula defendeu contratar os estudantes recém-formados das faculdades de medicina de Franca. “Podemos contar com o primeiro emprego destes estudantes (medicina e enfermagem), na maioria francanos, eles podem ser o nicho procurado pelos editais para concursos públicos. Acredito seriamente que os formandos em medicina da Unifran e Uni-Facef podem suprir estas vagas.”
Diretor Marcos disse que a Saúde é o “calcanhar de Aquiles” de Alexandre Ferreira. “Aí, nós temos os falsos médicos. Não vou voltar no assunto para dizer que estou acusando. Nós fomos enganados, não adianta. Eram médicos que não tinham documentos. É o calcanhar de Aquiles sim.”
Everton de Paula rebateu e desafiou o adversário a apresentar uma condenação de Alexandre sobre o assunto. O processo sobre os falsos médicos ainda tramita na Justiça.
Quinto bloco
No bloco seguinte, Diretor Marcos perguntou sobre o que fazer com os prédios públicos municipais abandonados. “Entendo que a Prefeitura deverá fazer um trabalho de reaproveitamento e revitalização. Verificar e ver a condição de uso de cada um. Usá-los para arte, música, pelo Fussol. Por que não ocupar esses espaços?”, indagou Everton.
Diretor Marcos respondeu: “Quanto aos prédios públicos, já temos um erro aí. Ficou bonito, mas não funcional: A Secretaria da Educação estava no Champagnat, não precisava de prédio novo. Temos que vender para poder investir o dinheiro na cidade. Há prédios que podem abrigar creches, mas os que não têm serventia precisa ser vendidos”.
“Se há falta de creches, porque não utilizá-los para creches. Mas há casos que precisa de implosão, caso do esqueleto próximo a Chevrolet”, concordou o vice de Alexandre Ferreira.
“Temos sim que pedir autorização à Câmara e vendê-lo. Já enfiamos R$ 11 milhões naquele prédio da Educação. Tem que vender e esse dinheiro ser usado para recapear a cidade”, voltou a falar o vice de Flávia Lancha.
Sexto bloco
“Gostaria de ouvir suas propostas e o que o senhor pensa para a educação no próximo mandato?”, perguntou o Diretor Marcos ao Professor Everton de Paula, abrindo o sexto bloco.
“A educação municipal deve passar por um estudo mais aprimorado, não apenas de recursos infraestruturais, mas também na formação do aluno. Eu, como educador e vice, levarei ao titular da minha chapa algumas ideias que deveriam ser inseridas no conteúdo curricular, por exemplo, empreendedorismo, gestão financeira, filosofia, educação religiosa e educação física”, respondeu o professor.
Diretor Marcos aproveitou para esclarecer um ponto sobre as creches. “Fico muito triste quando vejo dizendo que vamos acabar com o Mais Creches, e jamais faríamos isso. O Mais Creches foi um programa que veio para socorrer e devemos até ampliar. (...) Nossas propostas são começar escola de tempo integral, não mexendo na jornada do professor, mas sim do aluno.”
Os candidatos a vice ainda discutiram a escolha dos diretores das escolas municipais, hoje feita por indicação do prefeito. Everton defendeu um processo múltiplo. “Analisar a situação das escolas municipais, a partir do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Depois de uma avaliação somativa nas escolas, com participação democrática dos professores, para que depois seja continua.”
Diretor Marcos disse que é preciso ouvir a rede. “Claro que ninguém vai mexer na rede no primeiro dia. Sou contra o diretor ser escolhido pelo prefeito. A solução seria concurso, concurso misto ou uma prova que passe por projetos. São alternativas, pois não será da minha caneta, tudo que vem da canetada não é legal. É preciso ouvir a rede.”
Sétimo bloco
No último bloco de debate entre os vices, Everton de Paula citou uma série de nomes como sendo seus mestres na política e pediu que o Diretor Marcos apresentasse os dele. Na sequência, o mediador Corrêa Neves Júnior citou que nenhum dos candidatos derrotados no primeiro turno declarou apoio a Alexandre ou Flávia e pediu que os vice apresentassem as virtudes que enxergam neles.
“Parece que não tem o que lamentar ou comemorar o apoio dos candidatos que ficaram atrás. Eu vejo em Rafael Bruxellas um futuro político de renome, é preciso apenas rever suas ideologias partidárias. Me encantei com a doçura, humildade e humanidade do deputado (sic) Orivaldo. Eu não tenho rixa com nenhum. Só não tive proximidade com Gílson de Souza”, disse Everton de Paula.
“A gente respeita a posição de cada um. A gente não pode obrigar eles apoiarem alguém. Acho que eles quiseram se preservar. O eleitor não é cordeirinho. A decisão está nas mãos do eleitor”, emendou Diretor Marcos.
Oitavo bloco
No último bloco, os candidatos fizeram suas considerações finais.
Everton de Paula: "Franca precisa de um gestor ressuscitador. Franca clama por previdências (sic) em curto prazo. Franca mais do que nunca precisa de Alexandre Ferreira. Cumprimento o adversário, assim como sua assessoria, e a todos, no melhor estilo da saudação franciscana, obrigado e paz".
Diretor Marcos: "Franca não quer mais do mesmo. São duas biografias que estão aí. É uma gestora preparada sim, não acreditem em fake news, já vimos isso com outra candidata em 2012. Acredite em quem está preparada e pronta. Não vamos com mais do mesmo, vamos renovar com a primeira mulher prefeita de Franca".
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