LEGISLATIVO

Após 32 anos, Franca não terá um representante negro na Câmara

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo GCN
Novos vereadores tomam posse no dia 1º de janeiro de 2021
Novos vereadores tomam posse no dia 1º de janeiro de 2021

O ano de 2020 foi marcado principalmente pela pandemia do coronavírus. Porém, foi um ano que também ficou marcado por protestos antirracistas ao redor do mundo – principalmente nos Estados Unidos, com o assassinato de George Floyd. O racismo foi posto em pauta, novamente. Igualdade de direitos, de representatividade e de respeito foram bandeiras levantadas pela população negra.

Em Franca, contudo, as eleições municipais mostraram que a representatividade do povo negro – justo este ano – está em defasagem, ao menos no âmbito político. A cidade, que conta com ao menos 95 mil pessoas autodeclaradas pretas ou pardas (30% da população), segundo dados do IBGE, pela primeira vez desde 1989 não contará com um vereador negro na Câmara. Eram 32 anos ininterruptos com ao menos um representante no Legislativo, que se encerrará em 2021 quando os 15 eleitos assumirão o cargo.

O fato pode ser justificado pela falta de um representante que “levante a bandeira” da causa. Pelo menos, é o que o presidente do Comdecon (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Franca), Carlos Eduardo da Silva (Du), acredita. “Temos uma grande perda em relação a referência. Não só de pessoas, mas não temos um espaço que represente. Vemos cidades com um centro afro, uma secretaria, um espaço que represente o povo preto. Além disso, no âmbito político, não temos alguém que represente nossa bandeira. Os negros que já foram eleitos na cidade, não necessariamente foram escolhidos pela cor da pele, mas sim por outras questões.”

Du usa o exemplo da vereadora mais votada, Lindsay Cardoso, que foi eleita pela sua bandeira de proteção aos cachorros abandonados. “Não temos candidatos negros como referência pela causa, eles foram eleitos por outras questões e não pelos ideais raciais. Não basta ser somente preto em um Brasil contraditório como o que vivemos. Precisa ser preto e precisa ser de luta”, concluiu.

Já para Marcelo Valim, ex-vereador e radialista, é muito triste ver a Câmara sem nenhum negro depois de anos. “É muito triste. Eu que estive lá ao lado de outros companheiros, como Vanderlei Tristão e Tony Hill nos meus dois mandatos e não ver nenhum negro sendo eleito é complicado. Infelizmente, a população quis assim. Seria bom termos um ou dois negros para nos representar lá.”

Valim fez questão de ressaltar as mulheres eleitas. “Ao menos teremos duas mulheres no Legislativo. Isso é muito importante também, para mostrar a força das mulheres. Porém, ficamos triste por faltar alguém da raça negra. Esperamos que, nas próximas eleições, as pessoas estejam mais conscientes da causa."

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