A eleição para vereador deste ano em Franca foi marcada por uma média baixa de votos recebidos entre os candidatos eleitos. Em 2016, dois candidatos obtiveram mais de seis mil votos. Já em 2020, o candidato que recebeu a maior votação foi de 3.284, marca pertencente a Lindsay Cardoso.
Na outra ponta da tabela estão aqueles que se decepcionaram pelo número exíguo de votos recebidos e outros que nem votos receberam. Os números apresentados neste ano podem provocar uma reflexão naqueles que insistem em concorrer, se candidatam todas as eleições, mas não chegam. Outros cresceram suas votações, mas não garantiram uma cadeira na Câmara.
Em Franca, pelo menos 17 candidatos receberam menos de 25 votos. Dois parecem ter recebido apenas seus próprios votos e três não receberam nenhum. As explicações dos candidatos que sonharam com uma cadeira no Legislativo francano são variadas.
Os candidatos obtiveram menos de 25 votos são: Marlene (PSB), com 24 votos; Iara Ferreira (PTB), também com 24; Lucimara Ferreira (PTB), 22; Gislaine Rodrigues (Patriota), 19; Estefânia Morais (PSB), 17; Alda Lucas (PSC), 16; Gabriel Empodere-se (PSOL), 12; Dra. Milene Carvalho (PRTB), 10; Luciana Sarroche (PRTB), 7; Melissa Cabeleireira (PDT), 6; Adriano Calçados (PDT), 5; e Letícia Inácio (PRTB), 2.
Patrícia Carvalho (PDT) e Delcides Serralheiro (REP) certamente tiveram apenas seu próprio voto, um cada. Já os candidatos que obtiveram zero votos, segundo o site do TSE, são: Talita Lima (PDT); Conceição Aparecida (PRTB) e Maik Morais (PRTB). Carlinho da Filadélfia (PROS) teve seu número digitado nas urnas 16 vezes, porém, também teve a candidatura anulada.
Os motivos que podem levar um candidato a receber tão poucos votos são justificados com a desistência da candidatura, a não realização da campanha, e a falta de recursos financeiros para a campanha.
A empresária Lucimara Ferreira da Silva Borges, que concorreu a uma cadeira na Câmara pelo PTB, acredita que seu resultado teve a ver justamente com a falta de uma campanha política mais sólida. “Infelizmente, nessas eleições nós não fizemos campanha, por conta da falta de recursos do partido. Além disso, algumas coisas que foram prometidas acabaram descumpridas. Os santinhos, por exemplo, só chegaram para nós uma semana antes da votação e o partido quase nos fez buscá-los em São Paulo. Também tivemos muito pouco tempo na propaganda eleitoral”.
Ainda assim, a ex-candidata se mostrou animada para disputar as eleições mais uma vez. “Eu não vou desistir. Daqui a quatro anos, quero me candidatar novamente. Por hora, pretendo começar um outro trabalho no ano que vem e levar até a Câmara Municipal”, contou ela, que diz ter entrado na política “por amor e por ver tanto sofrimento do povo”.
A insistência de Lucimara, porém, não é algo visto em todos os candidatos. Marlene Aparecida Andrade, que concorreu para vereadora junto ao PSB, afirmou que não pretende disputar cargos públicos outra vez. “Eu não me preocupei com o número de votos que recebi, já que foi a primeira vez que me candidatei. Foi uma experiência maravilhosa, mas não tenho interesse em participar novamente das eleições”.
Existem também casos curiosos que envolvem os concorrentes às cadeiras dos vereadores. O francano Gabriel de Sousa Alves Ferreira, que foi candidato pelo PSOL com o nome de urna Gabriel Empodere-se, disse que cancelou sua candidatura e sequer sabe de onde vieram seus votos. “Os meus 12 votos, nem sei de onde vieram. Eu cancelei a minha candidatura umas quatro semanas antes das eleições. Comuniquei o diretório do partido e a gente ficou de organizar toda a papelada. Porém, acabou não dando tempo de tudo ser registrado em cartório. Creio que tive esse número de votos justamente por não estar concorrendo. Eu já não estava mais nas eleições. Cheguei a avisar em vários grupos que não concorreria. De verdade, eu agradeço esses votos que recebi mesmo sem estar fazendo campanha há um mês”, contou.
Os 15 vereadores eleitos ou reeleitos em Franca tomam posse em 1º de janeiro de 2021.
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