O Dia da Consciência Negra, feriado municipal comemorado nesta sexta-feira, 20, não terá o volume de eventos que, em anos anteriores, foi visto em Franca. A pandemia, com todos os seus efeitos e perigos, atrapalhou as celebrações, já que as aglomerações e festas não são permitidas nem aconselháveis durante o período. Grande exemplo dessa consequência é a decisão da Prefeitura, que costumava marcar uma extensa agenda com atrações - como shows e atividades culturais - relacionadas à data, e não fará nada este ano.
A maioria dos eventos acontecerão via internet. Nesta quinta-feira, 18, foi realizado o sarau online “Versos de Resistência”, apresentado pelo grupo Sarau das Pretas com a participação do poeta Carlos de Assumpção. O encontro começou a ser transmitido às 20h, pela plataforma Zoom, e pode ser acessado no link http://bit.ly/sarauresistencia4.
A Escola Estadual "Prof. Michel Haber", no bairro Jardim Paulistano, que tradicionalmente promove eventos pela valorização da cultura afrodescendente realizou uma exposição fechada na última terça-feira, 17. “Por conta da pandemia, recebemos um número limitado de convidados. Foram 50 pessoas dentre representantes da educação, da comunidade negra e de nossa comunidade escolar”, disse Katielle Silva Fonseca.
Katielle é mãe, mulher, negra, agente cultural, educadora, empreendedora e gestora da escola. Segundo ela, as atrações promovidas anualmente pela EE "Prof. Michel Haber" têm como objetivo enaltecer a comunidade negra. “Buscamos fortalecer nossa história e nossa cultura, através da mostra do nosso acervo cultural, junto de atividades produzidas em 2020 pelos alunos de forma remota.”
Além das exposições, foram promovidas a degustação de comidas típicas e uma roda de música e poesia também comandada por Carlos de Assumpção, patrono do projeto.
A Unesp, através de seus grupos de pesquisa AFROntar e Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão, vai realizar a “III Semana Preta – A Luta Antirracista no Brasil”. Nos dias 26 e 27 deste mês, a faculdade irá transmitir, em seu canal do Youtube, palestras sobre os temas que envolvem a luta do movimento negro no Brasil e a educação antirracista.
O radialista Marcelo Valim, que em 2006, ainda como vereador, implantou o Dia da Consciência Negra como feriado no calendário municipal, disse que esta é uma data "muito importante e feita especialmente para a raça negra".
"É de fundamental importância para que as pessoas se conscientizem com relação ao que o negro passou em épocas passadas. Foram diversas pessoas de nossa cor retiradas de seus lares, estupradas, violentadas, chicoteadas e espancadas. A gente tem que parar e pensar um pouco. Daí o nome do feriado: ‘Consciência Negra’. Outra coisa que falta é união. As pessoas precisam parar de se chamar como morenos ou cor de chocolate. Não existe isso. Somos brancos ou negros."
O presidente do Comdecon (Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Franca), Carlos Eduardo Silva, também conhecido como Dú, comentou sobre a questão de o comércio operar normalmente no feriado.
“Acho errado. Nós já lutamos contra isso e até mesmo matérias foram feitas. O pior de tudo é que, como a data é um feriado municipal, as empresas precisam pagar o salário de quem trabalha de forma integral. E isso, infelizmente, muitas vezes não acontece. Elas mentem para os funcionários e dizem que é ponto facultativo.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.