A primeira sessão da Câmara Municipal de Franca após as eleições que ocorreram no último domingo, 15, foi marcada por tom de despedida dos cinco vereadores que não conseguiram a reeleição.
Os parlamentares que se despedem do Legislativo em 31 de dezembro são Nirley de Souza (PP), Arroizinho (MDB), Cristina Vitorino (REP), Tony Hill (DEM) e Pastor Otávio Pinheiro (PTB). Outros três não se candidataram à reeleição, que são: Corrêa Neves Jr (PSD), Marco Garcia (Cidadania) e Adérmis Marini (PSDB) – esse último foi candidato a prefeito.
Os discursos dos vereadores, nesta terça-feira, 17, foram quase iguais. O decano Nirley de Souza, que buscava sua sexta eleição, disse que não esperava pela derrota. “Essa foi uma eleição totalmente diferente. Eu até tentei fazer ela nos tempos mais antigos, entregando santinhos nas casas, mas não sei se isso foi suficiente ou se quem usou as redes sociais levou vantagem. Eu senti a votação muito baixa, que ocasionou a perda do meu mandato, mas a vida é assim mesmo e tudo um dia chega ao fim", disse ele.
"Não sei se vou me candidatar novamente ou se chegou o fim do meu tempo aqui na Câmara. Nesse tempo todo de Câmara, nunca faltei a não ser por questão de saúde, como na época que tive covid-19. Não fui de viajar, sempre fiquei aqui atendendo as pessoas. Eu não esperava essa derrota e nem cheguei a pensar no que vou fazer, no que possa ser seguido para quea gente possa estar trabalhando em outra coisa”, completou Nirley.
Sobre o perfil da Câmara para 2021, Nirley disse ainda que fica uma base experiente. “Todos os anos a renovação é mais ou menos isso mesmo. É como um time de futebol, ficam uns cinco ou seis e os outros se renovam. Os experientes que ficam vão colaborar com os novatos."
Pastor Otávio Pinheiro, que buscava seu quarto mandato, disse que a pandemia foi um dos fatores que prejudicaram sua reeleição. “Primeiramente agradecer aos 1.393 eleitores que depositaram em mim seu voto na tentativa de ocorrer minha eleição, mas a democracia é assim mesmo. Ora você perde, ora você ganha. Nós temos o reflexo da pandemia. A minha campanha é direcionada para a comunidade evangélica e nós não conseguimos ter acesso às igrejas, que voltaram mais com limitação de público", ressaltou.
Ele avaliou a nova Legislatura. "Agora, a Câmara vai ter duas mulheres, acho que isso é muito importante, ainda que poderia ser um número maior. Será uma composição diferenciada dos outros mandatos, agora com vários partidos. A gente já atuava como vereador antes de ser vereador, e tive essa oportunidade de estar na Câmara por três mandatos atendendo a população. O que estiver em nosso alcance, vamos continuar fazendo mesmo não estando na Câmara.”
Arroizinho vai encerrar o único mandato, mas disse que cumpriu seu papel. “Eu acho que fiz um bom trabalho e não fui derrotado nas urnas. Eu só ganhei, porque eu tive 1.872 votos e meus eleitores não me abandonaram. De todos os vereadores que estão aqui, o que menos perdeu votos, fui eu. Alguns vereadores entraram com menos votos que eu. Por isso, eu só tenho que agradecer e estou deixando uma coisa bonita na Câmara, que são meus amigos”, disse Arroizinho, acrescentando: “Não sei o que vou fazer, mas não penso em ser mais candidato, não”.
Cristina Vitorino, outra que também planeja ficar no único mandato no Legislativo, foi na linha das dificuldades desta eleição e disse que falta um apoio das mulheres na política, indo contra o que aconteceu nestas eleições, onde duas mulheres conseguiram vagas no Legislativo. “Vejo que as pessoas tiveram dificuldade de reconhecer o trabalho que prestamos, que é a questão da violência contra a mulher, os direitos da mulher e da família. Se fala tanto dessas coisas, mas eu trago mais uma reflexão para nossa população: as mulheres precisam se conscientizar, ter sororidade. Eu vejo que mulheres não votam em outra mulher. Isso me assusta.”
Cristina ainda deixou seu futuro político em aberto, focando nos últimos dias de seu mandato. "Ainda é cedo. Agora é o momento de finalizar esse próximo um mês e meio, mas eu estou tranquila, coração em paz e o futuro pertence a Deus. Eu tenho certeza de que coisas maiores virão. Estou aguardando para analisar, pensar e, a partir de janeiro, voltar para minhas atividades com mais força e mais foco. Sempre me colocando à disposição da população."
O vereador Tony Hill, líder do prefeito Gilson de Souza (DEM) na Câmara, que está em seu primeiro mandato e não se reelegeu, também falou da atipicidade destas eleições e deixou seu futuro em aberto na política. "Estamos aí confiantes no futuro que vamos ter ainda na política. Eu, por exemplo, ainda pretendo continuar em uma outra oportunidade, onde vamos estar trabalhando para contribuir com o quadro social da nossa cidade."
Hill, que é radialista, ainda desejou sorte à nova composição do Legislativo. "Pelo que eu vi, são pessoas que estão interessadas em trabalhar pelo bem-estar da nossa cidade. Claro que são inexperientes, como eu entrei, mas tem a força de vontade. Eu desejo a todos uma boa sorte e que tudo dê certo."
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