O primeiro e único debate com os candidatos a vice-prefeito de Franca foi realizado na Casa GCN, sede do portal GCN e Difusora. Sete dos oito concorrentes participaram da “Batalha dos Vices” nessa terça-feira, 10. O encontro surpreendeu pela desenvoltura e disposição para o debate de ideias e projetos da maioria dos candidatos, esquentou a reta final da campanha e aumentou a expectativa pelo último debate entre os prefeituráveis.
O Confronto Final, o último debate entre os candidatos a prefeito, acontece nesta quinta-feira, 12, a partir das 20 horas, na Casa GCN, com transmissão ao vivo pela rádio Difusora AM 1030 kHz e pelas redes sociais do GCN, no Facebook, Instagram e Youtube, assim como foi o embate entre os vices, conduzido pelo jornalista Corrêa Neves Júnior.
Surpreendeu e agradou tanto os espectadores quanto os candidatos o formato de arena adotado pela primeira vez em Franca, com os concorrentes tendo cinco minutos para debaterem temas livres, de escolha deles próprios, e sem determinação de tempo entre eles.
A discussão de ideias e propostas era livre e falava mais quem falava mais alto. Claro que o mediador fazia pequenas intervenções, com perguntas inclusive, para evitar que o debate se tornasse um monólogo e tentar tornar a opinião dos candidatos ainda mais claras. Esse estilo de debate é consagrado nas eleições dos Estados Unidos.
Assista aqui o debate na íntegra:
O debate
O jornalista Corrêa Neves Júnior abriu o encontro explicando as regras e apresentando a comissão independente de advogados responsável pela avaliação de eventuais pedidos de direito de resposta, formada por Fernando Aguiar de Freitas, Acir de Matos Gomes, Eric Antunes Pereira dos Santos, Thais Andrade Brunherotti e Rafael de Barros Pustrelo.
Na sequência, o mediador agradeceu a presença dos candidatos e pediu que os jornalistas e assessores presentes à Casa GCN aplaudissem os concorrentes participantes: Agenor Gado (Podemos), da chapa com Adérmis Marini (PSDB); Everton de Paula (PRTB), vice de Alexandre Ferreira (MDB); Professor Marinho Procópio (PDT), da chapa com Bruxellas (PT); Diretor Marcos (PSD), vice de Flávia Lancha (PSD); Fábio Meirelles Neto (PSL), candidato ao lado de João Rocha (PSL); Dr. Donha (PTB), vice de Orivaldo Donzelli (PTB); e Tito Flávio (PCB), da chapa com Marília Martins (PSol).
O jornalista lamentou a ausência de Marlon Rodrigues (Republicanos) e explicou que o próprio candidato a vice de Gilson de Souza (DEM) disse que a decisão de ele não participar do debate foi tomada por uma “comissão de campanha”.
Seis dos candidatos a prefeito acompanharam o debate de seus vices, presencialmente na Casa GCN: Adérmis Marini, Alexandre Ferreira, Bruxellas, Flávia Lancha, João Rocha e Orivaldo Donzelli.
Na sequência, um vídeo foi apresentado com um resumo do currículo de cada um dos candidatos que, em seguida, fizeram suas considerações iniciais.
Considerações iniciais
As considerações iniciais dos candidatos foram feitas por ordem alfabética. Agenor Gado disse que noite era importante porque os candidatos a vice poderiam apresentar quem eles são. “Eu não sou político, mas sempre tive o espírito de ajudar as pessoas. Estou com Adérmis Marini, porque sei que tem qualidade para ser prefeito e é ficha limpa.”
Alberto Donha agradeceu a presidência de seu partido por tê-lo escolhido como candidato a vice. “Aceitei o convite, porque acho que tenho condições de ajudar a recuperar nossa cidade.”
Diretor Marcos discursou sobre sua experiência. “Eu sempre trabalhei em equipe a vida toda e acredito num trabalho de equipe. Temos propostas que podem ser cumpridas.”
Já Everton de Paula destacou o seu candidato a prefeito. “Estou aprendendo agora o discurso político com o Alexandre. Recebi o convite e senti que é o momento de colaborar, principalmente com Alexandre nessa missão.”
Fábio Meirelles disse que sua intenção no debate era apresentar suas ideias, projetos “e que é o melhor para Franca”. “A campanha é um primeiro passo que damos para quatro anos que temos pela frente.”
O Professor Marinho classificou o momento como “ímpar”. “Jamais pensei em chegar a uma situação dessa. Fui convidado por Bruxellas e vamos tentar fazer o melhor par Franca.”
“Abre-se um novo ciclo de perspectiva para o trabalhador. A saída é a esquerda”, disse Tito Flávio, fechando o primeiro bloco.
Segundo bloco
No segundo bloco, os candidatos responderam a perguntas feitas pelo mediador Corrêa Neves Júnior, de acordo com a trajetória e plano de governo de cada um deles. Um segundo concorrente era sorteado para comentar a resposta do adversário.
Everton de Paula foi o primeiro sorteado a responder com comentários de Professor Marinho. O tema foi a forma de escolha dos diretores das escolas municipais. “Tenho um entendimento de escolha que segue o modelo tradicional. Mas nessa época pandêmica, a escolha teria que ser do prefeito. Depois dessa fase, através de uma avaliação e diagnóstico feita pelos diretores, realizando uma nova avaliação de como os escolhidos procederam, com a participação dos professores e pais, mas a última palavra do prefeito.”
Marinho disse que Everton foi “feliz”. “Acho que a escolha somente por indicação não é a mais viável. Acho que tem que haver uma seletiva para saber quem tem condições de seguir no cargo com o trabalho e até chegar ao cargo de secretário de Educação.”
O segundo sorteado para responder foi o candidato do PSL, Fábio Meirelles, com comentários de Everton de Paula. Questionado sobre seu alinhamento ao discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relação à não obrigação da vacinação contra o coronavírus, Meirelles disse que o importante foi a postura dos ministros ligados ao agronegócio e do próprio setor, que “evitaram o caos” durante a pandemia.
“No caso da vacina, ninguém pode ser obrigado a tomar a vacina. Elejam um prefeito de pulso, porque já estão falando em uma segunda onda que está vindo da Europa. Se fechar nossa cidade por mais três meses, nenhum empresário aguenta. Mantemos nosso alinhamento ao governo federal, que trabalha com transparência e espírito público, e assim será em Franca”, disse Meirelles.
Nos comentários, Everton de Paula lamentou a politização da vacina. “Temos de um lado o (João Doria, governador de São Paulo), que tenta que a vacinação seja obrigatória, e o Bolsonaro que defende que não seja. Por trás disso, não há uma preocupação séria com a população, mas um ‘trazer’ para o seu partido, ‘trazer’ para sua ideologia de política pública o seu pensamento próprio. A politização da vacina não é boa para ninguém.”
Na sequência, Donha foi questionado sobre o que classificaria como maior erro da gestão Gilson de Souza, da qual foi secretário. “Houve vários equívocos na administração de Gilson de Souza. O que me fez sair foi sobre os cargos em comissão. Na tentativa de reaver os cargos, ele contratou uma empresa e vi que aquele projeto de lei oneraria a Prefeitura. Eu me bati também no desvio de função. Um absurdo que vinha acontecendo.”
Tito Flávio, sorteado para comentar, disse que Donha foi “generoso”. “Se fossem só esses erros, ele estaria bonito na foto. Ainda tem a renovação do contrato com a São José sem licitação, os rumos da educação, escolha de diretores equivocadas... No período da pandemia, ele começou bem, mas sucumbiu à pressão. O custo veio e está vindo com muitas mortes por causada falta de atitude do prefeito.”
Diretor Marcos foi o quarto sorteado para responder com comentários de Agenor Gado. O vice de Flávia Lancha foi questionado sobre as propostas de criação de escolas de tempo integral, frente de trabalho com criação de 1,5 mil vagas e como custear os gastos com esses projetos com um orçamento enxuto da Prefeitura e num momento de crise devido à pandemia.
“É viável. (Nas escolas de tempo integral), vamos usar parcerias, com universidade, centro comunitários, para as crianças desenvolverem à tarde. O professor estará de manhã... Não serão todas as escolas, será uma por região, para aqueles pais que não têm com quem deixar seus filhos. E o Fundeb manda mais dinheiro para essas escolas em tempo integral. O problema é que na educação, jogam outros gastos, é só gastar certo.”
Sobre a frente de trabalho, o candidato disse que “dá pra fazer sim”. “Veja: só com publicidade, governos anteriores gastaram R$ 4 milhões.”
Agenor concordou que a escola em tempo integral é o “futuro do nosso país”, mas discordou sobre a frente de trabalho. “Prometer emprego para 1,5 mil pessoas... Temos que prometer emprego para todo mundo. Temos que destravar a Prefeitura, desburocratizar. Mas 1,5 mil pessoas só, é muito pífio.”
Marinho respondeu sobre a proposta de parcerias privadas na área de saúde e o Diretor Marcos comentou. “Fizemos essa colocação visando ampliar o atendimento médico. Dessa parceria teria um custo menor do que ter funcionários da própria Prefeitura. Os funcionários não seriam prejudicados. Eles seriam um supervisor, nesse caso. Temos exemplos em outras cidades onde esse fato ocorre”.
Diretor Marcos disse que “faltou investir na estratégia da família”. “Claro que vamos ter que fazer alguma coisa. Não podemos esquecer que Franca não são apenas 400 mil pessoas. Franca atende a região inteira. Quem apregoa que tem feito muito, não é verdade. Faltam lençóis nas UPAs!”
Na sequência, Agenor Gado foi questionado se o fato de não estar entre os primeiros lugares na pesquisa realizada pela Acif se deve ao degaste de Adérmis ser do PSDB do governador João Doria.
“O governador vai continuar por mais dois anos, e quem for eleito prefeito tem que ter porta aberta. Essa ligação é importante, porque podemos trazer muitas coisas importantes para Franca. O Adérmis também tem trânsito com o governo federal. Essa história de pesquisa, é uma coisa que você vai saber só quando abrirem as urnas. Acreditamos que não estamos nesta posição, pode ter certeza de que vamos estar no segundo turno, porque o povo vai entender que as melhores pessoas são Adérmis e Agenor.”
Fábio Meirelles opinou que Doria atrapalha, sim, a campanha de seus adversários. “Pelo menos vocês não prometeram 1,5 mil empregos nem o Bolsa Franca, porque essas propostas absurdas vão sangrar a cidade”, afirmou.
O último a ser perguntado foi Tito Flávio, com comentários de Donha. O assunto foram suas propostas de criação de novas secretarias, dividindo Esporte e Cultura, e construção de um hospital público. “Nós falamos que Franca precisa de um hospital regional para atender Franca e região. Temos que cobrar isso dos governos, e não construir um hospital. O esporte abocanha a maior parte dos recursos da pasta. Precisamos ter atenção à cultura. Tem forma de cobrar os devedores da Prefeitura. Essa pequena elite tem que pagar os impostos.”
“Nós temos também em nosso plano a viabilização de um hospital público, no prédio onde é o ‘esqueleto’. Seu plano bate com o nosso. A reorganização da Feac também acho viável”, comentou Donha.
Terceiro bloco
No terceiro bloco, os candidatos a vice-prefeito de Franca começaram os debates entre si, com perguntas, réplicas e tréplicas, a partir de temas sorteados pela jornalista Heloísa Taveira.
Tema: Segurança Pública
Everton de Paula pergunta: “Não vivemos um bom momento de segurança. Passar na praça central já é muito perigoso. Houve momentos em que se levavam famílias, bandas, mas atualmente não se pode sair nas ruas. Estamos sendo prisioneiros dentro das nossas próprias casas. Qual é a proposta da sua candidata, e suas ideias a respeito?”
Resposta Diretor Marcos: “O monitoramento eletrônico está totalmente parado na cidade. Vamos realizar estudos e fazer os projetos com o apoio da Guarda Municipal, Polícia Militar e Acif. O gestor não faz sozinho, ele não é rei, dono ou coronel. A gente precisa ouvir a comunidade. Quem não houve não consegue trabalhar direito, comete erros. Quando escutamos a sociedade, não cometemos erros. Claro que vamos ao governador buscar efetivos, vamos ao Governo Federal, trabalhar com a Acif e empresários, e ter um plano para enfrentar a segurança sim, como iluminação e um posto policial da guarda fixo no Centro.”
Réplica Everton de Paula: “Há um sucateamento do armamento, de equipamentos etc. A minha observação é como equipar o trabalhador de segurança, principalmente o policial e, também, fazer com que a sua remuneração seja de acordo com a periculosidade. É um descaso, Franca com quase 400 mil habitantes sofra com a ausência de uma polícia federal.”
Tréplica Diretor Marcos: “Faltou gestão. Não apenas o atual governo, o atual prefeito, as gestões anteriores também não fizeram. É muito fácil falar mal, mas quem passou por lá deveria ter feito algo. Mas agora se apresentam como candidatos salvadores da pátria. Eles tiveram oportunidade, um como vereador, outro como prefeito.”
Tema: Geração de emprego e renda
Pergunta Agenor Gado: “Nós temos um plano de governo que é o Aprova Já. Você leva sua planta eletronicamente, guarda no programa e rapidamente já tem a resposta e é resolvido se a edificação está correta ou não. Não leva oito meses, seis meses, para que se libere uma construção civil. Nós temos mais de 400 prédios para serem concluídos e não se libera. Então, temos que fazer algo rápido, porque precisamos gerar emprego. Sem gerar emprego, você não tem renda na sua casa e o melhor programa social que existe é o emprego. Temos que desburocratizar essa questão para gerar emprego que Franca precisa muito.”
Resposta Marinho Procópio: “No nosso plano de governo também evidenciamos essa questão. Essa demora descomunal de tempo para aprovação de um projeto, exceto se for Pacaembu. Se for, a coisa muda, aí já é outra regra, muda o jogo... Não existe mudar as regras do jogo durante o campeonato. Mas é possível, sim, e nós concordamos plenamente com essa situação de termos um plano com bastante rapidez, bem praticado e que falamos bastante. (...) Mas, uma coisa nós vamos reforçar, a importância de termos realmente um governo com transparência, com evidência realmente do trabalho apresentado e sem ficar com jogo de empurra, com jogo de faz de conta. Aí é realmente péssimo, porque as coisas acabam não acontecendo e, infelizmente, os grandes prejudicados somos todos nós, em especial a comunidade que é menos aquinhoada de dinheiro.”
Réplica Agenor Gado: “Realmente, esse nosso programa Aprova Já, onde se libera rapidamente a edificação, gera emprego para arquiteto, engenheiro, pedreiro, eletricista, construção civil. Agora, isso da Pacaembu que o senhor falou: quanto é a prestação da Pacaembu? O prefeito trouxe alguma construção aí de baixo custo? Não trouxe, nada. Quanto é uma prestação lá? R$ 800, R$ 900? Não foi ele quem trouxe. Na verdade, ele facilitou para que a Pacaembu assumisse e vendesse para nossa cidade. Então, ele (Gilson de Souza) não trouxe uma moradia para Franca.”
Tréplica Marinho Procópio: “Não somente a Pacaembu, como tem também outros grupos que estão construindo uma quantidade grande de casas e ele dizendo que foi ele, que é uma conquista pessoal, quando na verdade a gente sabe que não. E baseado, inclusive, no valor do aluguel ou, melhor dizendo, da prestação, a gente verifica que não é para atender o público mais carente. É para atender, no mínimo, aquele elemento que está a caminho da classe média e que tem condições de assumir uma parcela como essa de R$ 700, R$ 800.”
Tema: Consultas do SUS
Pergunta Professor Marinho: “Pelo que venho acompanhando nos meios de comunicação, a questão da consulta está extrapolando demais, porque chega-se alguns casos de se passar, não meses, mas sim anos. Precisamos com muita urgência ter uma situação melhorada para que as pessoas não venham solicitar uma consulta no SUS, depois de já estar no cemitério. É fundamental que a gente possa ter realmente algo mais prático, mais rápido, mais objetivo, para que o resultado venha ser realmente prevenção ou uma situação imediata de correção e não a morte.”
Resposta Tito Flávio: “A gente tem andado nos bairros, tem conversado com a população e estamos verificando como está esse gargalo na saúde de Franca. Não só nas consultas do SUS, tem gente esperando meses e meses, até mais de anos para as cirurgias eletivas. O caos da saúde em Franca é antigo. Nós já tivemos, aqui, prefeito dizendo que era bom de gestão e que, inclusive, a maior parte dos partidos coligou ou apoiou no passado, em 2008... Ele falava que Franca tinha um sistema de saúde com as clínicas particulares e grandes convênios. Parece que não conhece a realidade. Infelizmente até Flávia Lancha e Bruxellas concordam nesse ponto de fazer parcerias com a iniciativa privada, para agilizar alguma coisa. Se as parcerias fossem tão eficazes e tão eficientes assim, a gente já teria resolvido vários problemas de política pública nesse país, porque todos os prefeitos que passaram por aqui, desde 2004, defendem esse modelo e não conseguem agilizar e ter eficiência na política pública. Nós defendemos o fortalecimento do SUS. Nós defendemos verba pública para política pública e para órgãos públicos. Nós defendemos o funcionário público. Aí, sim, com atendimento de qualidade, não com tipo de terceirização, que não vai resolver problema nenhum na nossa cidade. Agilizar isso passa por recuperar a capacidade de investimento do município.”
Réplica Professor Marinho: “Foi colocada a questão de que nós defendemos as parcerias, junto às entidades, junto aos médicos, mas nós fazemos isso em razão do nosso caixa da Prefeitura, que está realmente muito baixo. Então, como vamos contratar se não dispusermos de dinheiro? Não tem como efetuar a contração, sem condições de ordem financeira.”
Tréplica Tito Flávio: “Vamos retomar a gestão da saúde. A responsabilidade de Franca, aumentar com isso a margem de contratação na lei de responsabilidade fiscal, aumentando o repasse. Vamos ampliar o Programa de Saúde da Família. Alguém aqui falou que são quatro, mas na verdade são cinco, que existem há muito tempo. Inclusive, quando fui candidato em 2008, eram os mesmos núcleos de saúde da família. Então, vamos trabalhar com prevenção. A prevenção evita esse gargalho que temos hoje. As grandes filas para consultas, por especialistas e cirurgias eletivas. Franca deveria ter, no mínimo, 45 núcleos de saúde da família. Uberaba tem mais de 50 e é uma cidade de porte como a nossa. Existe verba federal para equipar isso, mas na época do grande gestor, Sr. Sidnei Rocha, ele simplesmente não investiu, porque o governo federal não era alinhado com ele. Todo mundo fala que tem uma porta com fulano ou ciclano, mas não resolvem os problemas da nossa cidade.”
Tema: Arrecadação municipal
Pergunta Diretor Marcos: “É curto o orçamento da Prefeitura, sabemos que é preciso de dinheiro. Qual a sua visão para aumentar a arrecadação sem imposto?”
Resposta Fábio Meirelles: “Acreditamos que a parceria com a iniciativa privada é essencial, destravando a construção civil na cidade. Sabemos que existem vários projetos represados na Prefeitura. Como fazer? Parceria privada mais associação dos engenheiros, para que seja liberado mais rapidamente. Quem paga? O próprio loteador. Ele vai preferir arcar com os custos que lhe dará benefícios, ao invés de ter o projeto parado. E tem o barracão da Francal. Querem montar um centro de convenções com a iniciativa privada, deixando as pequenas empresas sem um local de trabalho. Franca é a segunda cidade que mais vende online no Estado. Temos que deixar o pessoal trabalhar com segurança, há vários segmentos amarrados. Esses segmentos vão geral empregos – incentivar o produtor rural, melhorando a merenda escolar, através de cursos técnicos.”
Réplica Diretor Marcos: “Quanto ao pavilhão, queremos fazer um outlet. Temos muitos produtos para serem vendidos. Temos que olhar para o potencial Sul de Minas e só olhamos para Ribeirão (Preto)! Flávia Lancha foi, sim, uma grande secretária do Desenvolvimento. Todos os projetos que dizem que ela não fez tem números, mas criticam porque ela está liderando a pesquisa e porque é mulher – que preconceito ter uma mulher na gestão – só não fez mais porque o gestor que está aí não permitiu.”
Tréplica Fábio Meirelles: “Respeito sua opinião, mas divergimos muito. A passagem dela na Prefeitura, eu entendo que ela fechou empresas, incubadoras. Essa é a visão que tem passado na cidade. Franca perdeu a feira do calçado pra São Paulo por questão de logística. Hoje temos condição de realizar aqui, porque temos um aeroporto, hotéis, estrutura e isso gera muito emprego na cidade.”
Tema: Cargos comissionados
Pergunta Fábio Meirelles: “Tivemos no atual governo uma questão muito negativa em relação aos cargos comissionados. Como o pode ser melhorada esta questão?”
Resposta Dr. Donha: “O primeiro a ser solucionado é a questão dos diretores escolares. Ressuscitaremos um projeto engavetado na Prefeitura, para que a escolha seja feita através de eleições diretas, pois é o método mais democrático que existe. Os demais cargos comissionados, trabalharemos para regularizar estes cargos, desenvolveremos um projeto, realizaremos uma análise de cada setor da Prefeitura e Secretaria e vamos trabalhar juntamente com o Ministério Público, que vem atuando nas regularizações que contrariam as leis. O plano dos cargos comissionados será de acordo com as necessidades reais da Prefeitura, priorizando o nome de trabalhadores concursados. Além da questão da previdência do servidor.”
Réplica Fábio Meirelles: “A questão dos cargos comissionados em Franca não é quantidade, mas qualidade. Precisamos de pessoas capacitadas, nos locais corretos, para tomar as melhores decisões. Precisamos treiná-las, motivá-las, dar o exemplo para que eles tenham tranquilidade dos funcionários públicos trabalharem no dia a dia. Precisamos de pessoas técnicas, com qualidade e motivadas para trabalhar na Prefeitura.”
Tréplica Dr. Donha: “Continua havendo nomeação de pessoas sem condição de ocupar cargo, e sendo nomeadas como chefes de pessoas muito preparadas. O servidor tem que fazer o trabalho dele, e receber hora extra para fazer o trabalho do chefe dele que está lá mandando, mas não sabe nada. Isso é uma prática comum neste governo e precisamos reverter isso.”
Tema: Buracos
Pergunta Tito Flávio: “Poderíamos falar dos buracos ou dos buracos da política que Franca vem criando. Sobre a estrutura, é evidente pra quem anda na cidade. É algo caríssimo e não temos orçamento para isso. Como resolver esse problema de forma racional e efetiva? Tem alguma coisa em vista de forma recorrente?”
Resposta Everton de Paula: “Em relação ao asfalto, posso dizer que o Alexandre, titular da nossa chapa, ele tem 100 km de asfalto, isso é fato. Lendo o plano de governo de Alexandre, ele tem experiência para trabalhar nisso. Sobre os outros buracos, me encanta a pergunta. Vemos muitas fotos da cidade, de longe, me orgulho de ver a cidade. Porém, quem sai desse entorno e penetra no seu interior, nas praças, ver a situação, fico pensando que o povo quer uma cidade limpa, bonita, feliz. Vejo com tristeza o trabalho que fizemos na Academia Francana de Letras, mas vejo que isso está secundário agora – as artes, as festas –, creio que o francano agora não é feliz. Não só pelos buracos das ruas, mas com os buracos do seu bem-estar como cidadão.”
Réplica Tito Flávio: “Esses buracos que afligem o francano, e acredito que agora seja o trabalho, o emprego. Acabando o auxílio emergencial, como ele fará? Precisamos de poder público forte e eficaz para que isso ocorra. Sobre os buracos da rua: acredito que há um fetiche pelo petróleo. Sou do litoral e lá usam a lajota sextavada, que dá uma manutenção mais fácil. Isso para algumas áreas de estacionamento ou ruas que não sejam principais. Mudar o material, para facilitar a manutenção posterior, se não, não terá dinheiro para tapar buraco.”
Tréplica Everton de Paula: “Agradecer a Heloísa pelo tema. Ao falar dos buracos físicos e ideológicos, temos muito o que falar. Estou encantado de ver o preparo dos candidatos a vice e o fato de estarmos trabalhando para agregar valor aos nossos titulares. Concordo sobre o emprego com o Tito.”
Tema: Comércio ambulante
Pergunta Dr. Donha: “A cidade de Franca conta com a presença de inúmeros trabalhadores informais, que chegam nas ruas da cidade, estendem um pano, colocam suas mercadorias, e trabalham embaixo de sol e chuva, sem nenhuma proteção legal e muitas vezes acabam sendo até hostilizados por outras pessoas. Então, gostaria de saber quais são as medidas que vocês têm para ajudar essas pessoas e resolver o problema?”
Resposta Agenor Gado: “Primeiro, por que essas pessoas estão na rua fazendo isso? Porque não tem um emprego, uma renda e ele tem que sobreviver. Ao mesmo tempo que está com a sua, não é nem barraquinha, mas (sua mercadoria) jogada na rua, em frente ao comércio, acaba atrapalhando o comércio que está logo na frente. Tem que ser feita uma regulamentação, cadastrar esse pessoal, porque não pode ficar uma cidade cheia de camelôs, vendendo seus produtos, mas é uma necessidade que eles têm. Temos que rapidamente gerar emprego. Tem um programa de emprego que nós temos. Temos o Aprova Já, que vai gerar muito emprego. Nós queremos trazer feiras para cidade, para que isso gere emprego. Falta gestão. Falta um gestor para cuidar da cidade. Quando ninguém cuida, acontece de tudo. Temos que ter uma solução razoável, para que não prejudique eles nem os comerciantes que estão na nossa cidade e, principalmente, no Centro.”
Réplica Dr. Donha: “Nós, eu e o professor Orivaldo Donzelli, enxergamos isso muito mais como um problema social. Pensamos que existe ali uma ação da Secretaria de Ação Social, para se fazer um cadastramento daquelas pessoas e encaminhá-las, para que elas possam regularizar sua situação, passar a comercializar as mercadorias de forma legal, em locais adequados. E, assim, no futuro elas possam se tornar médios empreendedores, porque são empreendedores que estão lá e que podem se tornar um dia grandes empresários.”
Tréplica Agenor Gado: “Concordo plenamente com você. Eles podem se tornar empresários e progredir. Só que nós temos de normatizar. O melhor benefício social que existe é o emprego. Temos que gerar emprego. Só um benefício social não resolve.”
Quarto bloco
O diferencial do debate veio no quarto bloco, onde os candidatos se enfrentaram livremente, durante cinco minutos em cada embate, com intervenções pontuais do mediador.
Primeiro a ser sorteado foi Tito Flávio, que escolheu Diretor Marcos para responder sobre o tema Educação. Ele iniciou dizendo que o Diretor Marcos foi nomeado por Doria, questionando sobre o fechamento de escolas de tempo integral, obrigando os alunos a mudarem de escolas. “Eu não fui nomeado por Doria, fui nomeado por Márcio França, em quem eu votei. Foi pedida minha cabeça pelo PSDB, mas fiquei pela minha competência e passei no concurso.”
“Por isso, nós defendemos eleições direta para diretor. Pedimos inversão disso”, disse Tito.
O clima esquentou com o Diretor Marcos respondendo que os professores foram ouvidos sim. “Mas temos que ter um concurso misto”, disse o diretor.
O segundo embate livre foi entre o Professor Everton de Paula e Dr. Donha. O vice de Alexandre Ferreira escolheu a imprensa como tema. “Somos calamos demais, talvez não haja o que o Júnior está torcendo... Alberto, qual função social deveria ser exercida por um jornal numa sociedade declarada democrática?”
Donha respondeu que “o papel da imprensa é fundamental, mas ela tem que ser totalmente isenta”. “E neste momento de eleição, essas pesquisas que têm por aí não refletem a realidade. Não estou dizendo que isso aconteceu em Franca, mas isso é prejudicial para a democracia.”
Everton completou afirmando que “a função social do jornal deve ser publicar o fato tal como ocorrer, o aspecto correto e as falhas, sem interferência editorial, deixar livre para que haja uma liberdade de opinião, deixar de ser um órgão de formação de opinião pública partidária. Isso é prejudicial, porque ele não passa para o público conhecer o outro lado.”
Donha emendou que “a função da imprensa é trazer a notícia como ela é, sem deturpar os fatos, e no momento político sem pender para um lado”. Everton finalizou: “Entendo que o jornal deva ser uma fonte para a livre formação de opinião pública”.
Professor Marinho escolheu Agenor Gado para debater e escolheu o desemprego como tema. “Se falou muito em desemprego em nossa cidade. O que as escolas técnicas podem fazer para nossas indústrias?”
“Olha está faltando mão de obra qualificada. Todos esses órgãos de ensinos precisam preparar e capacitar os profissionais”, respondeu o vice de Adérmis.
Marinho disse concordar com Agenor. “Tem que ter uma mão de líder para administrar tudo isso; Adérmis seria o nome”, emendou Agenor. Marinho retrucou que o melhor seria Bruxellas.
O confronto seguinte foi entre Diretor Marcos e Fábio Meirelles. “Caos na saúde, vistamos UPA, ‘Janjão’, não tem lençol, não tem cadeira pro funcionário, funcionário tem medo de perseguição, queremos o voto para trabalhar para as pessoas, quem toca a Prefeitura é o funcionário público, e o da saúde está massacrado”, afirmou o vice de Flávia Lancha.
Fábio Meirelles comentou dizendo que concordava com Tito Flávio. “O PSF, como forma de saúde preventiva, é a melhor forma de trabalhar a saúde, é muito mais barata. Temos só cinco em nossa cidade, nós temos que ampliar muito mais”, ressaltou o vice de João Rocha, defendo parcerias com clínicas particulares para reduzir a fila das cirurgias eletivas.
“Por isso que falo, tem que ser uma mulher, porque a mulher tem olhar de cuidado, eu tenho orgulho de estar com essa mulher, a mulher tem olhar muito mais generoso, porque ela é mãe, ela sabe onde dói”, defendeu o Diretor Marcos. “A Flávia se preparou para ser prefeita da cidade, andou a cidade, me escolheu por afinidade. E é por isso que ela libera a pesquisa.”
“Pode ser a que lidera, mas a (candidatura) que mais cresce é a nossa”, retrucou Fábio.
Na sequência Agenor chama Everton de Paula para debater e mira em Gilson de Souza. “As instituições não vêm recebendo verba da Prefeitura há muito tempo. O prefeito fala que repassou, mas é uma inverdade.” Everton disse que o plano de Adérmis para as entidades “não é único”. “Também está em nosso plano.”
Fábio convidou Marinho para debater sobre os ambulantes. “Vamos fazer credenciamento de todos, trabalho de orientação, capacitação para que possam sobreviver com dignidade”, citou o vice de Bruxellas. O candidato do PSL defendeu a revitalização do prédio da Estação. “Vamos ocupar aquele, que empresas, bares... Atrás do prédio da Mogiana, há um espaço da Prefeitura e vamos colocar o centro popular de comércio, conversamos com o pessoal da praça do Itaú e eles concorda com esta organização. Eles querem ser respeitados, aqueles que vêm de outra cidade, eles também não estão de acordo (com a situação atual).”
Por fim, Donha perguntou para Tito sobre segurança pública na zona rural, dizendo que há um plano de GPS para ajudar a polícia a chegar rapidamente ao local.
Tito disse: “A segurança pública é mais abrangente e pobre não é sinônimo de bandido, inclusive esse governo desativou o Centro Pop, que havia sido um ganho”.
Donha disse que Tito fugiu da linha da pergunta. Na resposta, Donha cutucou dizendo que tem um candidato que votou contra o trabalhador e agora fica pedindo voto. Agenor pediu direito de resposta alegando que Adérmis foi atingido na fala de Donha. Mas a comissão de advogados indeferiu o pedido.
Considerações finais
Tito Flávio
“Eu quero agradecer toda a produção do GCN, que permitiu que esse espaço fosse dedicado a nós. Quero dizer que só existe um programa socialista e revolucionário dentre os apresentados, que é o nosso. Nosso foco é a classe trabalhadora. Os outros programas são muito parecidos. Inclusive, quem tiver a oportunidade de assistir a todo o debate novamente, agora somente por áudio, vai perceber que é até difícil diferenciar os outros candidatos. São ideias muito parecidas. É muita coisa vinda de cima e pouca atenção para as classes baixas. Se tem alguma mulher focada nas classes oprimidas, é Marília Martins. Venha se organizar conosco.”
Marinho Procópio
“Alguém citou várias vezes que a experiência é importante. Essa experiência é que deixou a nossa Franca nas condições que ela está hoje. Então, vamos dar a oportunidade a um jovem cheio de garra e de capacidade, para vocês poderem vivenciar uma nova Franca. Estamos empatados em segundo lugar na pesquisa e temos certeza que ficaremos em primeiro no dia 15.”
Fábio Meirelles Neto
“Muito obrigado, Corrêa Neves, pela oportunidade e parabéns pela isenção mediando o debate. Nós viemos aqui para dizer como faremos as coisas. Nunca dissemos que seria fácil. Vai ser muito difícil. Vai ter muito suor, muita transparência e muita dedicação. Você, trabalhador, que sempre conquistou tudo em sua vida, não acredite nessas propagandas de governo que só servem para ganhar o seu voto. Você sabe que as coisas acontecem com dificuldade. Nós vamos trabalhar muito, 24 horas. Somos homens do trabalho. Se você acredita que, com trabalho, dignidade e transparência, nós podemos mudar a cidade, vote João Rocha e Fábio Meirelles – 17.”
Everton de Paula
"Observando debates de outras cidades, não fica nada a dever, inclusive, diria até de alta excelência o que foi feito aqui hoje... Quem fez, faz. Quem conhece, faz. Isso converge para a personalidade e para a capacidade de Alexandre Ferreira... Eu fiquei muito entusiasmado, muito contente, por ver a minha cidade de Franca e pelos atuais vices, tenho até um recado, talvez até um pouco mal-educado, mas certeiro para os candidatos a prefeito: se preparem, porque seus vices estão afiadíssimos."
Diretor Marcos
“A Flávia e eu acreditamos que a política não deve ser feita para as pessoas, mas com as pessoas. Nosso governo, a partir de janeiro de 2021, vai valorizar você funcionário que carrega a Prefeitura. Queremos cuidar dos bairros, que é o nosso plano de fundo do nosso programa, pois o bairro está abandonado. Queremos lembrar de você da comunidade negra, com deficiência, pessoal da cultura, do terceiro setor e das minorias. Portanto, vote nessa mulher que fez antes de ser candidata, que preparou as pessoas antes de vir para a política, não está falando que vai fazer. Vote nessa dupla afiada, Flávia Lancha e Diretor Marcos.”
Dr. Donha
“Fiquei muito sensibilizado com a situação dos servidores públicos durante a pandemia. Eles foram os mais prejudicados, principalmente os da saúde. Como recompensa tiveram um corte dos salários pela Câmara dos Vereadores de Franca. Foi uma enorme ingratidão em um momento crucial para as pessoas. Quero dizer, finalmente, que o professor Orivaldo é de longe o candidato mais preparado de todos para assumir a Prefeitura, pelo seu currículo, pela sua formação, cargos que já ocupou e trabalhos que desenvolveu junto ao Governo do Estado, Prefeitura de Franca e vários segmentos. O professor Orivaldo, se eleito, vai mudar a cidade.”
Agenor Gado
“Eu tenho experiência de administrador. Há 36 anos, eu tenho empresas. Gerei sempre empregos. No terceiro setor, eu tenho conhecimento. Administrei a segunda maior entidade de Franca. Eu tenho capacidade para ajudar a administrar a nossa cidade. Então, no dia 15, vote no Adérmis.”
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