O presidente americano Donald Trump fez um pronunciamento na madrugada desta quarta-feira, por volta de 4h30, se declarando o vencedor da eleição. No momento do pronunciamento, feito na Casa Branca, seu opositor, Joe Biden, estava à frente na apuração tanto no colégio eleitoral (328 a 213) quanto no voto popular. As projeções dos especialistas apontam possibilidades de vitória tanto para Trump quanto para Biden. Muito provavelmente, o resultado final só será conhecido quando os votos do estado da Pensilvânia foram apurados, o que deve demorar dias para ser concluído por conta da votação antecipada e das regras específicas do Estado.
“Estamos prontos para uma grande comemoração. Estamos ganhando tudo”, disse Trump. “Ganhamos a Florida e ganhamos por muito (...) Ganhamos a Geórgia”, comemorou. “O mais importante, estamos vencendo a Pensilvânia por uma grande vantagem. Estamos 690 mil votos na frente”, disse o candidato a reeleição.
Trump fez várias insinuações contra o seu adversário, que havia feito um pronunciamento, bem mais comedido, horas antes. “Isso é uma fraude no público americano”, acusou, referindo-se aos votos antecipados pelo correio e à postura de Biden de dizer que estava confiante numa vitória. “Isso é embaraçoso para nossa nação (...) Nós ganhamos esta eleição”, insistiu.
O presidente americano deixou claro que vai acionar a Suprema Corte para tentar impedir que votos ainda não computados sejam contabilizados. “Nos vamos à Suprema Corte pedir que parem de contabilizar os votos”, avisou.
Mais cedo. num pronunciamento no início da madrugada desta quarta-feira, o democrata Joe Biden se disse esperançoso com as chances de ganhar a disputa eleitoral contra Donald Trump. "Mantenham a fé, caras. Nós vamos vencer", disse o candidato.
Assim como tinha feito durante a tarde, Biden afirmou que não é seu papel nem o de Trump declarar quem ganhou a eleição. A fala era uma resposta ao receio de que Trump se declare vitorioso antes do final da apuração dos votos — algo que o republicano negou, antes da votação. "É uma decisão do povo americano", disse Biden.
Os números do início da noite trouxeram boas notícias ao presidente republicano e afstaram a hipótese, projetada por todos os institutos de pesquisa, com exceção de um, de uma vitória democrata por larga margem. Além da vitória na Flórida, Trump venceu em Ohio, um termômetro do Meio-Oeste, e Iowa, um Estado onde os democratas achavam que tinham chances. Já Biden despontou bem no Arizona, que só votou uma vez em um presidente democrata desde 1948, e ganhou Minnesota. Mesmo assim, Biden acumula mais delegados até o momento no colégio eleitoral e também no número de votos dos eleitores, mas o resultado ainda é incerto.
"Acreditamos que estamos no caminho para ganhar essa eleição. Sabíamos que por causa do voto antecipado demoraria um pouco e que teríamos que ser pacientes. Vamos aguardar até que cada voto seja contado", disse Biden, em um pronunciamento por volta das 1h30, em Wilmington, Delaware, onde vive.
A ampliação do voto antecipado e pelo correio neste ano, em razão da pandemia de coronavírus, gerou dificuldades logísticas para o país. Cada Estado contabiliza as cédulas antecipadas em um prazo distinto e de acordo com sua própria regras. Mais de 100 milhões de americanos votaram de forma antecipada neste ano, um recorde histórico.
Ao falar sobre as perspectivas de vitória, Biden disse irá vencer na Pensilvânia, mas que irá demorar. O Estado começa a contabilizar os votos pelo correio só depois do final da votação, o que atrasa a contagem das cédulas e apuração do resultado. Como o Estado é crucial para a vitória, a disputa pode ficar indefinida por dias.
Projeções de sites, jornais e emissoras de televisão no final desta madrugada indicavam a forte possibilidade do resultado final da eleição americana depender do que for apurado nas urnas de um único estado– no caso, exatamente a Pensilvânia.
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