O universo em expansão deixa o ser paralisado,
mesmo em retrocesso as coisas vão pra frente.
Eu cada vez menos atento e mais fragmentado,
menor que antes, gota exata medida com régua,
eu distante e localizado no evento efervescente
evaporA descontente porque diluído na tormenta.
Entenda, longe vamos se o mundo gira a favor,
só a filosofia dá nome para o movimento contra.
Sem deixar de ser o que é a água do rio evapora
para elevar os barcos encalhados no raso do mar;
porém nada muda apesar do pranto! o sal desse
lamento não contribui, Eu continuA fragmento.
Em desespero e medo afoga-se quem por receio
de permanecer intacto nega a força necessária
para manter-se no prumo - o raciocínio dá volta
em espiral sobre a realidade: lento para concluir,
lerda séculos para entender a realidade lá fora
batendo à porta, urrando brava canibal valente,
ganindo feito o lobo de sopro longo - e assopra.
Quando a realidade devora o que desfez, Eu evaporA.
Se o tanto sentido na transpiração é demasiado,
se não tiveres voz para dizer o quanto sente
nem a força necessária para mover-se de pronto,
dorme para acordar e no transe dê suporte
a quem por tanto sentir nada mais sente;
pois que na dor de quem ausente se desfaz
pode-se condoer solene por um instante sequer.
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