Evaporação

Por Baltazar Gonçalves | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 1 min

O universo em expansão deixa o ser paralisado,

mesmo em retrocesso as coisas vão pra frente.

 

Eu cada vez menos atento e mais fragmentado,

menor que antes, gota exata medida com régua,

eu distante e localizado no evento efervescente

evaporA descontente porque diluído na tormenta.

 

Entenda, longe vamos se o mundo gira a favor,

só a filosofia dá nome para o movimento contra.

 

Sem deixar de ser o que é a água do rio evapora

para elevar os barcos encalhados no raso do mar;

porém nada muda apesar do pranto! o sal desse

lamento não contribui, Eu continuA fragmento.

 

Em desespero e medo afoga-se quem por receio

de permanecer intacto nega a força necessária

para manter-se no prumo - o raciocínio dá volta

em espiral sobre a realidade: lento para concluir,

lerda séculos para entender a realidade lá fora

batendo à porta, urrando brava canibal valente,

ganindo feito o lobo de sopro longo - e assopra.

 

Quando a realidade devora o que desfez, Eu evaporA.

 

Se o tanto sentido na transpiração é demasiado,

se não tiveres voz para dizer o quanto sente

nem a força necessária para mover-se de pronto,

dorme para acordar e no transe dê suporte

a quem por tanto sentir nada mais sente;

pois que na dor de quem ausente se desfaz

pode-se condoer solene por um instante sequer.

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