CANDIDATOS A PREFEITO

Marília Martins critica Adérmis e Gilson durante sabatina

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Marília Martins é candidata a prefeita pelo Psol
Marília Martins é candidata a prefeita pelo Psol
Marília Martins (Psol) foi a penúltima candidata a prefeita de Franca a participar da série “A Grande Sabatina” do GCN e rádio Difusora, nesta quarta-feira, 28, das eleições municipais de 2020 marcadas para 15 de novembro.
 
A candidata de 33 anos, que tem como vice Tito Flávio (PCB) na coligação Frente de Esquerda, cutucou os concorrentes ao cargo do Executivo da cidade Adérmis Marini (PSDB) e o atual prefeito Gilson de Souza (DEM). 
 
Ao longo do programa de 1h30, apresentado pelo jornalista Corrêa Neves Jr., Marília falou sobre temas como ideologia de gênero, aborto e, principalmente, do caos na saúde pública. 
 
Questionada como faria para melhorar a arrecadação da Prefeitura para possibilitar mais investimento na cidade, Marília disse que o trabalhador já paga seus impostos, mas nenhum prefeito nos últimos anos cobrou as grandes empresas que devem ao município.
 
“O trabalhador já paga seus impostos, seus encargos como IPTU e IPVA, mas vamos pensar amplamente em dinheiro devidos à cidade. Nós temos uma centena de milhares de reais em processos de grandes empresas que devem para a cidade. Por que, até agora, nenhuma Prefeitura (prefeito) que entrou nos últimos anos cobrou essa dívida dessas empresas?", questionou.
 
A candidata também citou a especulação imobiliária, "com vários terrenos, vários espaços para a construção civil", foi um entrave para aumentar a arrecadação da Prefeitura. "Quanto de casas que também geram IPTU, geram receitas, empregos e esses lugares estão parados pra especulação."
 
Ao comentar a demora na aprovação de projetos pela Prefeitura, Marília criticou o prefeito Gilson de Souza. "Mais de 80 projetos estão parados na Prefeitura há quase um ano, e por que o prefeito não consegue desenrolar? Inclusive, temos um prefeito que eu sinto que fica muito em cima do muro. É uma dificuldade muito grande para se tomar decisões. Parece que não quer desagradar e, por isso, não toma decisão nenhuma. Vai esperando tudo estourar para depois decidir, fazer as coisas na calada da noite, no sistema de urgência.”
 
A candidata reconhece que o orçamento da cidade é baixo em relação a outros municípios do mesmo porte, mas afirma que Franca perde muitas verbas da União. “A gente perde milhões ou devolve. Esse dinheiro não vai chegar na população por uma ineficiência técnica, por uma incapacidade de dialogar, de entender, de chamar o setor que entende e trazer essas demandas e gerir isso. O que querem é de cima pra baixo. A gente sente que morre na praia, porque não temos planos municipais e, se tivéssemos eles, duraríamos pelo menos 10 anos. E esses 10 anos passam de um governo para o outro.”
 
Marília criticou o troca-troca de partidos na época de eleições. “Dos candidatos que estão postos, a maioria já teve algum cargo e já participou de governo. Temos o Adérmis (Marini) que hoje é do PSDB, mas que já foi vice do PT."
 
A partir daí, centrou sua artilharia na atuação do candidato no Congresso Nacional. "(Adérmis) Teve uma oportunidade por poucos meses de assumir como deputado (federal) e votou na reforma trabalhista, que tirou vários direitos dos trabalhadores, precarizou o sistema de trabalho... E está pedindo voto para o trabalhador. Chega uma época, ok, votou na reforma, mas eu vou oferecer esse evento aqui para a população, vou abrir um grupo, uma entidade ou não sei o quê. Isso é pão e circo. Não adiante tirar de um lado e colocar em outro.” 
 
 
Assista a entrevista na íntegra:
 
Marília falou sobre um tema delicado: aborto. “O problema não está no aborto. Isso acontece desde os primórdios. A questão é que não tem que ser um caso de polícia. Primeiro, nós temos que ter assistência básica de saúde e planejamento familiar. Nós precisamos dar apoio às pessoas, educação às pessoas para planejar as suas famílias. Muitas dessas famílias, elas são constituídas de mães solo. Muitos falam mães solteiras, mas como diz o Papa Francisco: mãe não é estado civil. Sou a favor da escolha das mulheres, que elas tenham amparo em suas escolhas.”
 
Na sequência, a candidata comentou sobre ideologia de gênero. “O correto é as pessoas serem boas pessoas, não fazerem mal às demais e contribuírem como ser humanos pro nosso planeta. É simples: você vai ter a família do jeito que você quer e ninguém tem nada a ver com isso. Ninguém pode criminalizar. Tem gente que dá maquiagem para a criança, mas não dá informação.”
 
Sobre a construção de um hospital 100% público – previsto em seu plano de governo –, Marília explicou que sua proposta é diferente da de Gilson de Souza, que na campanha passada prometeu um Hospital das Clínicas para Franca.
 
“Gilson prometeu um Hospital das Clínicas e não conseguiu lidar com a Santa Casa. Nosso plano fala de descentralização de serviços. É pensar fora da caixa, por exemplo: a saúde da mulher, os partos, a acolhida de vítimas de violência não têm que ser dentro da Santa Casa", defendeu. "Olha o caos das mulheres gestantes que estão tendo seus filhos em hospitais com pacientes com o coronavírus. Por isso, existem casas de parto como a Casa Ângela que é uma referência", continuou.
 
Segundo ela, a Casa da Saúde Mulher de Franca, aberta por Gilson de Souza, é uma "falácia". "Aquilo lá é só uma parte do NGA, da especialização das mulheres, que foi pra lá. Chegando vítimas, elas não são atendidas. Exames de rotina não são realizados. Quem são atendidas são aquelas mulheres que já passaram pelo sistema e foram encaminhadas. Eu defendo a gestão plena da nossa saúde pública. Nós temos dinheiro pra isso, precisa é ser redirecionado.”
 
No último minuto da sabatina, reservado para as considerações finais, Marília pediu para o público acessar suas redes sociais para obter mais detalhes sobre suas propostas de governo. "Agradeço o espaço aqui e como na TV temos apenas 19 segundos, não dá pra falar nada. Peço que as pessoas acessem nossas redes sociais. Nosso foco, nosso eixo, é o poder popular com a participação das pessoas.”
 
As sabatinas do GCN/Difusora têm o apoio institucional da OAB-Franca. Nesta sexta-feira, 30, o candidato Adérmis Marini (PSDB) encerra a série de entrevistas, que já ouviu seis dos oito candidatos. Gilson de Souza faltou à entrevista, sem nenhum aviso prévio ou justificativa.

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