VIAGENS

Flexibilização, feriados e fim de ano estimulam retomada do turismo

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Grupo de turistas na Serra da Canastra (MG)
Grupo de turistas na Serra da Canastra (MG)

O setor do turismo, como muitos outros, sofreu com as consequências que a pandemia trouxe. Cancelamentos de viagens e remarcações foram situações comuns vividas pelas agências, principalmente no início do surto do novo coronavírus. Passados sete meses, concomitantemente à flexibilização da quarentena, o cenário começa a mudar para essas empresas.

Para as agências de viagens que fazem trajetos terrestres, a melhora é mais nítida, impulsionadas por rotas na região de Franca ou para a capital paulista. Mas de maneira geral, a procura por viagens vem crescendo ao longo dos meses e o feriado de outubro mostra bem o avanço.

Para Ismael de Paula Filho, diretor da empresa San Martín, o setor de viagens foi um dos mais prejudicados na pandemia. “O ramo do turismo foi um dos mais afetados. Ficamos de março até o fim de agosto sem gerar nenhum tipo de lucro. Foi bem complicado para nós, porém, estamos muito otimistas para esse retorno gradual.”

Na visão dele, o movimento mais próximo do “normal”, até então, foi visto no último feriado do dia 12 de outubro. “Nosso trajeto para Caldas Novas (GO), por exemplo, teve o ônibus cheio. Sempre seguindo as normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que deixa as pessoas mais seguras em viajar, o que aumenta a procura.”

Outra empresa que atua também com viagens terrestres, a Nena Turismo notou melhoras crescentes nas procuras, porém, para Gustavo Heker de Souza, gerente da companhia, o “normal” só existirá com uma vacina para a covid-19.

“O turismo mesmo só voltará quando existir uma vacina. As coisas têm melhorado, mas ainda há um receio das pessoas em viajar.”

Tradicional pelos bate-volta para São Paulo, a Nena segue fazendo o trajeto e é produto mais procurado na empresa. “Pensando na situação em que estamos vivendo, não podemos reclamar, o movimento está bom, sim. Mas com as restrições e os cuidados que precisamos tomar, ainda não estamos dentro do considerado normal.”

Quanto a outras viagens, ainda a procura não é a mesma. “Sentimos que algumas pessoas não aguentam mais e querem viajar. Enquanto outras ainda estão com medo desse vírus e dizem que só viajam quando sair a vacina.”

A Metha Turismo, que trabalha principalmente com pacotes aéreos, ainda vê a procura bem abaixo do período pré-pandêmico, mas percebe os roteiros nacionais impulsionando a volta ao normal. Para Ana Vasconcelos, diretora da empresa, por conta das fronteiras na Europa e Estados Unidos estarem fechadas, junto ao desejo das pessoas viajarem, destinos próximos vêm sendo o foco das procuras.

“As coisas ainda não voltaram ao normal, mas este mês tivemos boas procuras, principalmente para hotéis-fazenda. Talvez nunca tenha havido tanta procura para estes destinos." Ana atribui esta escolha ao fato de serem lugares mais isolados, abertos e com natureza, o que deixa o turista mais tranquilo em relação ao vírus.

Para o futuro, a diretora espera que para o verão o cenário possa melhorar mais. “Como houve muitas remarcações de viagens, as pessoas criaram expectativas para viajar. Após tanto tempo sem a oportunidade, esperamos que o verão traga mais clientes também.”

A Tastur também aposta nos destinos nacionais para retomar suas atividades. De acordo com Daniel Monteiro, gerente da agência, desde julho já tinham algumas procuras, entretanto, com a chegada do fim do ano, as coisas melhoraram mais.

“No último feriado, por exemplo, fizemos uma excursão para Serra da Canastra com bastante passageiros. As pessoas têm procurado viagens curtas, para a região e foi muito bom.” Além do destino mineiro, Daniel conta que o Nordeste tem sido um dos destinos mais procurados para viagens aéreas. “Com a oportunidade de remarcar viagens canceladas anteriormente, as pessoas têm visto o Nordeste com bons olhos. Por conta do fim do ano e do calor, incentiva a escolha do destino”.

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