A onda de calor e a seca que atingiu toda a região de Franca nos últimos meses foram prejudiciais para os cafeicultores e, futuramente, pode se tornar também para os apreciadores de café. Com o clima muito quente, os grãos encontram dificuldades para se desenvolver e, mesmo com as recentes chuvas, a expectativa é que a produtividade das lavouras seja baixa e o preço do produto aumente.
O coordenador do Núcleo de Cafés Especiais da Acif e também cafeicultor Caio Branco Villar comenta que as chuvas são fundamentais no processo de cultivo das lavouras. “Elas são muito importantes, pois são responsáveis pelo desenvolvimento do que chamamos de ‘chumbinho’ do café, que se forma depois que as flores caem e antecede a fase do grão. Quando chove bastante, como aconteceu recentemente, a florada vem com tudo depois.”
Mesmo com as chuvas dos últimos dias, Caio afirma que o dano causado pelo calor às lavouras será irreversível na safra atual. “O período chuvoso de agora até que ajudou na produção do café. Porém, ele veio de maneira muito tardia. Com isso, o que aconteceu foi que várias lavouras acabaram queimadas. Os grãos ficaram secos e alguns produtores levaram prejuízo por conta da estiagem. Com tudo isso, a expectativa é que a produção seja baixa e o preço aumente. Os produtores de cafés especiais, que é o nosso caso, sofreram bastante.”
Lurie Carneiro Peixoto, diretor de produção e sócio proprietário da fazenda JC Agropecuária, localizada em Ibiraci (MG), confirma a fala de Caio sobre a baixa na produção. “A última boa chuva que tinha caído na fazenda aconteceu na metade de junho, quando estávamos no meio da safra, no período em que a água acaba até mesmo atrapalhando a produção, pois o grão pega um gosto de terra. Essa safra foi finalizada no comecinho de setembro. Então, passamos a precisar novamente da chuva. E ela não veio por um bom tempo. No atual período, são formados os grãos que serão colhidos ano que vem. Sem a chuva, isso não acontece da maneira ideal. Tem se falado de uma perda de 30% da produção para o próximo ano. Porém, não dá pra afirmar com toda a certeza antes da florada, que vai ocorrer neste mês”.
O fazendeiro afirma que lavouras mais velhas acabam enfrentando menos dificuldade em períodos secos como este. “As plantações mais antigas, onde os sistemas radiculares das plantas já são mais evoluídos, conseguem se manter um tempo maior sem humidade. Já as mais novas, como é o caso da minha, enfrentam grandes dificuldades, pois têm raízes menores e demandam mais água para que a pinha se desenvolva bem. Sem o desenvolvimento correto da pinha, o chumbinho não se forma e, consequentemente, não há o grão de café”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.