DIA DO PROFESSOR

Educação na pandemia: novas formas de ensinar, mesmo amor por educar

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo Pessoal
Igor Savenhago, há 11 anos dando aulas em curso de Comunicação
Igor Savenhago, há 11 anos dando aulas em curso de Comunicação

Há mais de 70 anos, a data de 15 de outubro é especialmente voltada aos professores. Mais que todos os outros, 2020 foi o ano marcado pelos desafios na hora de ensinar. Os profissionais tiveram de se reinventar e lidar com dúvidas, mas não deixaram de realizar a sua missão, que é a de levar conhecimento.

Hoje, a tecnologia é o único meio seguro de se educar durante a pandemia do novo coronavírus e, para muitos professores, a ferramenta é totalmente nova. Apesar da dificuldade, o momento é de aprendizagem também para os mestres de educação.

Alexandre Pedroso é professor do ensino fundamental. Dá aulas de matemática e durante a pandemia se viu em uma situação que nunca imaginou, onde precisou inovar e usar as mais variadas ferramentas para ensinar. Para ele, o principal desafio é com os estudantes que têm dificuldade de aprendizagem e os que não têm acesso à internet, mas isso não é o suficiente para desanimar.

“Desde o início da minha carreira, em 2006, o que me motiva é saber que posso fazer a diferença na vida de meus alunos, com minhas aulas e orientações. Sou apaixonado pela sala de aula e pela sua dinâmica”, disse Alexandre.

“Não existe rotina dentro da sala. Preparo a mesma aula para mais de uma turma, mas nunca ministro duas aulas iguais. Cada turma tem sua identidade, com características de aprendizagem diferentes. É o desejo de continuar ajudando as crianças a se desenvolverem intelectualmente e como cidadãos responsáveis que me move sempre”, completou o professor.

Igor Savenhago é professor universitário e dá aulas em cursos de Comunicação há 11 anos. Assim como Alexandre, Igor também vê um problema no acesso desigual à tecnologia. “Muitos não possuem equipamentos e boa internet para acompanhar todas as discussões no momento em que elas acontecem. Isso trouxe ansiedade e nos alertou sobre a falta, muitas vezes, de estrutura financeira e psicológica para lidar com momentos como esse”, disse.

“Para mim, a maior dificuldade de ensinar nesses tempos de pandemia é lidar com a incerteza, a ansiedade e o excesso de tecnologia. Educação, na minha visão, pressupõe encontro: compartilhar conhecimentos, sonhos e entusiasmos. Não que a tecnologia não permita isso. Aliás, foi ela que permitiu a continuidade do processo de ensino-aprendizagem, que nos instigou a persistir, não esmorecer. Mas, de repente, nos vimos na impossibilidade do contato físico e diante da necessidade de adaptar, de forma muito rápida, toda a metodologia do ensino presencial para o remoto. Além de a tecnologia promover uma relação mais fria, estar, todos os dias, em reuniões, aulas, atividades práticas, tudo pela tela de um computador ou celular, traz uma exaustão não experimentada antes.”

Igor ressalta que neste período, os pais passaram a entender um pouco mais da rotina dos professores, já que precisaram acompanhar os filhos durante as aulas.  “Além de ter de adaptar a metodologia presencial para a remota, faz um importante papel de buscar manter a vibração, de não deixar a peteca cair, o desânimo tomar conta, diante do mundo que, de uma hora para outra, se viu transformado pelas tragédias de tantas perdas, por tanta tristeza”, disse Savenhago.

“É por essas e outras que o ofício da docência me encanta e me fez escolher estar em sala de aula. Nesses tempos de pandemia, o professor nem teve tempo de se estarrecer. Precisou se mover rapidamente para o que mundo não perca um elemento fundamental para também continuar em movimento: a esperança”, ressaltou.

Esse encanto é compartilhado também por Lílian Neves, professora de português da rede pública. “A pandemia veio para mostrar ao professor a sua capacidade de se reinventar para não deixar faltar. Não faltar a informação, a explicação, o conselho, o carinho”, disse Lílian.

“Mesmo com as dificuldades, a arte de ensinar sempre será um motivo de satisfação, é fazer crescer e crescer junto com o outro.” Para ela, esse é um momento delicado, mas que de alguma forma valorizará o trabalho do professor e o esforço diário de cada um dentro das salas de aula.

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