Na manhã desta quarta-feira, dia 14, o terceiro candidato à Prefeitura de Franca a participar de A Grande Sabatina, promovida pelo portal GCN e rádio Difusora, foi o ex-prefeito Alexandre Ferreira (MDB). Durante a entrevista, o candidato relembrou a relação com o também ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB), atacou seus adversários, comentou os escândalos que marcaram seu governo e se disse "o único candidato com experiência" para “reconstruir” Franca.
No primeiro bloco, Alexandre disse que a mídia, apesar de facilitar as campanhas políticas, permitiu que candidatos contassem mentiras. “O Gilson (de Souza, DEM) publicou há um tempo que, em três meses de Casa da Mulher, foram 15 mil consultas. Tem que ter 15 médicos trabalhando lá para dar 225 consultas por dia”, ironizou.
“A Flávia veio aqui e disse o seguinte: ‘Não fechei o Caminhos para o Emprego’. Fechou! Ela deu uma justificativa que não é verdadeira, não sabe nem o que ela está falando. O prédio que ela diz que fechou funcionava a escola profissionalizante, não era o Caminhos para o Emprego”.
Também no início da sabatina, quando Alexandre expressou o porquê da sua vontade em voltar à administração, citou Sidnei. “Fui secretário de Saúde no governo do Sidnei e por isso tenho uma gratidão muito grande. Se não fosse ele me colocar como secretário, eu não viraria prefeito”, disse.
Os dois estão rompidos há anos. A relação azedou de vez na última campanha, quando o PSDB, partido ao qual ambos eram filiados, negou o direito de Alexandre disputar a reeleição por críticas ao seu mandato. No lugar de Alexandre, Sidnei acabou se tornando o candidato. Na disputa do segundo turno, Alexandre publicou uma carta com ataques pessoais ao seu antigo mentor, no qual insinuava, entre outra coisas, que sua saude era frágil e que ele corria risco de morrer se não dormisse acoplado a um aparelho para auxiliar a respiração. Na sabatina desta quarta-feira, o candidato disse que não se arrepende. “Eu estava quieto e aí instruíram ele (Sidnei Rocha) a fazer um vídeo que eu achei desrespeitoso. Fiz uma carta e coloquei os fatos na carta. Não me arrependo, porque eu fui atacado pessoalmente.”
Assista à sabatina na íntegra:
Sobre a pandemia, Alexandre, que já contraiu a Covid-19 e precisou de atendimento hospitalar, disse que Franca se precipitou ao iniciar a quarentena antes da circulação do vírus e afirmou que Gilson de Souza não agiu de forma clara no combate à doença. “Um prefeito que publica um dia autorizando abrir escolas privadas e universidades, no outro dia publica proibindo as municipais e no terceiro dia proíbe todo mundo, aí não é regra clara”, comentou.
O candidato defendeu também a abertura das igrejas durante os meses de pico no país, o que ignorara a orientação dos especialistas da cidade, como o secretário de Saúde, Conrado Netto, e o chefe da Vigilância Epidemiólogica, Homero Rosa. Criticou também os critérios de retomada definidos pelo Plano SP, definido pelo governo do Estado. “Plano São Paulo é regra para eles, regra pra Franca faço eu”, afirmou.
Falsos médicos
Alexandre também apresentou sua versão sobre o caso dos falsos médicos, um dos maiores escândalos durante o seu governo. O ex-prefeito disse que foi "vítima" de estelionatários. Para ele, não houve nenhum sinal que pudesse gerar desconfiança sobre os médicos e a empresa contratada, mesmo depois de algumas evidências.
Uma delas foi levantada pela então diretora do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, Cláudia Poubel, que denunciou a resistência dos médicos em apresentar seus documentos. “Cláudia Poubel era diretora do pronto-socorro, porém, tiramos ela de lá: tivemos 7 horas de espera. Hoje nós temos 9 horas e ela é a atual diretora do PS. É claro que quando a gente tira ela, ela fica magoada e faz denúncia, mas o mais importante é que o Cremesp investiga e não percebe que os caras tinham documentos falsos”, disse.
Cláudia, porém, fez as denúncias antes de ser transferida para atendimento na UPA do Jardim Aeroporto.
“Não houve denúncias de que eles tinham documentos falsos. Nós descobrimos depois que o cara (falso médico) foi preso. Depois vimos que tinha um relatório do Cremesp, que conversou com esses médicos e que não falavam que tinham documentos falsos (...) Não errei em relação ao ICV, pelo contrário. Se eu soubesse, se eu fosse conivente com essa história, eu não teria sido absolvido pela Câmara”, disse Alexandre, se referindo a um processo de cassação na Câmara em que foi salvo por apenas um voto. Eram necessários que 10 vereadores votassem a favor da destituição do então prefeito, mas faltou um voto.
Apesar de politicamente ter se livrado, Alexandre responde até hoje a um processo na Justiça acusado de ter sido conivente com o ICV. A denúncia foi feita pelo Ministério Público. “Normal, tem que investigar mesmo”, disse o ex-prefeito.
Alexandre também disse não ver como um problema ter mantido o contrato com ICV mesmo após o início das denúncias de problemas e de pagamentos de superssalários para aguns médicos, que chagavam a ganhar mais de R$ 80 mil por mês. Os pagamentos para o ICV só acabaram suspensos um ano depois do início das denúncias, por força de decisão judicial, quando R$ 22 milhões já tinham sido destinados pelo poder público para o ICV.
No final, Alexandre afirmou que Franca não pode fazer "novos testes" e se apresentou como o único candidato com experiência e previsibilidade. “Há quatro anos nós tínhamos uma escolha entre alguém experiente em administração pública e outro que não tinha e que ia ser uma incógnita. A cidade escolheu pela incógnita. Escolheu pelo Gilson que não tinha experiência administrativa. Hoje nós estamos na mesma condição, nós temos alguém que tem experiência e outros candidatos com qualidade, mas que não têm experiência administrativa”, afirmou. “E agora não é para brincar, agora não é para fazer testes, agora tem que pôr alguém experiente para reorganizar, para reconstruir, para alavancar nossa cidade.”
O projeto A Grande Sabatina, do GCN e Difusora, tem apoio institucional da OAB-Franca. Já passaram pelos estúdios da rádio, além de Alexandre Ferreira, os candidatos Orivaldo Donzelli (PTB) e Flávia Lancha (PSD). Nesta sexta-feira, 16, será a vez de Rafael Bruxellas (PT).
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