EFEITOS DA COVID

Sintomas e sequelas do coronavírus permanecem em pacientes recuperados

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
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Carlos Ivan, recuperado da covid-19: diabetes e doses diárias de insulina depois do vírus
Carlos Ivan, recuperado da covid-19: diabetes e doses diárias de insulina depois do vírus

Com cerca de 7 mil casos positivos do coronavírus em Franca, mais de 2,5 pessoas já se recuperaram. A doença, que pouco se manifesta em algumas pessoas e se mostra perigosa para outras, ainda é misteriosa depois de tanto tempo de pandemia. Mesmo após a recuperação, muitos pacientes relatam a permanência dos sintomas e sequelas das mais variadas formas.

Carlos Ivan, de 50 anos, é um dos que ainda sofrem com os sintomas da Covid-19, mesmo tendo contraído o vírus há dois meses. No dia 9 de agosto ele deu entrada no Pronto Socorro “Álvaro Azzus”, onde aguardava por um leito de UTI. Depois de 20 dias internado e de muita preocupação, pôde retornar para casa, mas hoje segue com uma rotina de cuidados por conta da doença.

“Quando eu internei, a glicose no meu sangue ficou muito alta. Isso eu adquiri com a Covid. Nesse período era passado o relatório para a minha esposa e a diabetes estava por volta de 500. Antes da doença, eu nunca tive isso. Eu até poderia ser um pré-diabético, mas com o vírus desencadeou”, disse Carlos. “Agora tenho que fazer o controle via insulina injetada. São cinco dosagens por dia”.

Além da diabetes, Carlos relatou que ainda sente dificuldades para respirar, dores no corpo e até perda de memória. “Eu não posso ficar muito tempo em pé, porque a respiração fica fraca, fora que tem dias que dá muita dor no corpo, como se você estivesse com um resfriado muito forte”, comentou. “Minha memória ficou um pouco prejudicada. Por muitas vezes eu vou falar algo, sei o que vou falar, mas esqueço, não me vem rapidamente à memória. Tenho que ficar pedindo ajuda para as pessoas”.

O momento posterior à Covid-19 pode ser um processo lento de recuperação. Carlos Ivan descreve como “uma batalha a cada dia”, e que hoje conta com uma equipe multidisciplinar para ajudar no tratamento, com pneumologista, endocrinologista e cardiologista.

O empresário Michel Aoude também afirma que esse não é um período fácil. Mais de 25 dias depois de contrair o vírus, Aoude ainda sofre com alguns sintomas. “Muito suor, suor frio. Sigo com resquícios de tosse e um pouco aéreo, parece que você não consegue concentrar nas coisas”, disse o empresário. “Durante o dia vai bem, mas no final da tarde, ao escurecer, piora. Sinto um desânimo, uma moleza que é inexplicável”.

Ana Carolina Miranda, de 34 anos, também contraiu o vírus. Ela conta que houve muitos casos na família, inclusive de seu tio, Romildo Miranda, que não resistiu às complicações e faleceu no dia 3 de outubro. “Consegui vencer essa batalha, mas tive muito medo, porque não é fácil enfrentar o que o vírus nos causa, seja fisicamente ou psicologicamente”, afirmou.

O diagnóstico positivo foi registrado em maio. A alta médica de Ana Carolina veio 21 dias depois, porque a tosse não melhorava. “No meu caso, tive tosse e dor de cabeça no início. Depois dores musculares bem persistentes, além da perda do olfato e paladar. Até hoje, após ter a Covid, sinto algumas fisgadas na perna, parecida com a dor muscular que sentia. Não é recorrente, mas sinto”, concluiu.

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