SABATINAS

Flávia Lancha diz que Franca está abandonada e culpa Gilson: 'ele é muito mau gestor'

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução/GCN
Flávia Lancha (PSD), candidata a prefeita de Franca, durante sabatina do GCN/Difusora
Flávia Lancha (PSD), candidata a prefeita de Franca, durante sabatina do GCN/Difusora

A candidata do PSD à Prefeitura de Franca, Flávia Lancha, participou na manhã desta sexta-feira, 9, da série de entrevistas “A Grande Sabatina”, promovida pelo portal GCN e rádio Difusora, com apoio da OAB-Franca. Flávia foi a segunda prefeiturável a participar das entrevistas. Além de apresentar suas propostas, Flávia não economizou nas críticas ao governo do prefeito Gilson de Souza (DEM).

Para a candidata, que tenta pela segunda vez consecutiva ocupar o comando do Executivo municipal, não é difícil fazer um bom governo. Secretária de Desenvolvimento Econômico da administração Gilson de Souza por quase dois anos, Flávia disse que ficou frustrada por não conseguir implantar seus projetos e disse que a ausência de planejamento é um grande entrave. “Falta gestão. Para você ser um bom gestor, não precisa ser político, basta ter articulação política. Não é difícil tirar as ideias do papel e pôr em prática", disse a candidata.

Segundo a candidata, a desorganização do governo impede que projetos sejam executados. "Em 2017, quando estive na secretaria, fiz algumas modificações e tive uma noção exata do que teria de orçamento, do que eu podia fazer e do que não podia. Em janeiro de 2018, estava com o planejamento da secretaria inteiro pronto e fui até o prefeito. Cheguei e falei: 'Olha, está aqui o planejamento da secretaria, você precisa me dizer o que você quer fazer e o que não quer'. Ele me respondeu que 'tinha tempo', que não iria olhar naquele momento e que, quando chegasse próximo aos eventos, a gente conversa e pensava. Então, eu vi que não foi falta de planejamento e, sim, falta de gestão deste planejamento. Com o orçamento baixo da Prefeitura, é necessário planejamento.”

 

Veja mais: abaixo, a íntegra sa sabatina com a candidata a prefeita Flávia Lancha

 

Pandemia

Sobre o enfrentamento do coronavírus e também as razões que fazem com que o tema não seja destaque em sua campanha, Flávia contemporizou. “Eu falei sim, estou falando muito sobre a pandemia nas redes sociais. Talvez não ficou claro para vocês e para o eleitor, mas sempre que eu abordo os problemas econômicos, eu falo do pós-pandemia. Temos que tomar medidas imediatas.", disse a candidata, apontando a necessidade de programas emergenciais de geração de emprego.

Questionada se falta coragem aos candidatos para abordar tema tão controverso, Flávia negou enfaticamente. "Eu me vejo tomando posição o tempo inteiro. Mas são tantos assuntos para abordar em 40 dias que você não consegue abordar apenas um. Mas em tudo que eu falo, tem algo relativo à pandemia.”

Para a candidata, as medidas adotadas por Gilson para enfrentar o novo coronavírus foram equivocadas. "Vamos ser justos, hoje é muito fácil falar, porque a gente já vive e tem uma noção maior (da pandemia). Mas Gilson errou no modo de tratar a pandemia." Na opnião de Flávia, a ausência do prefeito foi o maior problema. "Ele é o gestor, é líder máximo da cidade, tem que puxar para ele a responsabilidade. Ele demonstrou estar perdido em meio a uma guerra eleitoreira. Ele simplesmente sumiu, não deu orientação nenhuma."

Outro erro, segundo Flávia, foi não pensar com antecedência na ampliação dos leitos destinados a pacientes da Covid-19. "Franca foi a primeira a parar, mas ele (Gilson) não tomou atitude para aumentar os leitos da Santa Casa. E isso foi mudado quando? Quando Franca não saía mais do vermelho, população cobrando... Ele não antecipou quando podia. E até hoje estamos com uma alta contaminação e mortes diárias na cidade".

 

Saída do governo Gilson

Flávia também deu sua versão sobre a saída do governo municipal. “A minha relação com o Gilson nunca foi próxima. Mas sempre teve respeito, ele político há anos e eu iniciando... Quando ele me convidou, achei muito interessante, porque podia contribuir com a cidade com minha experiência em desenvolvimento. Em seguida, começaram os desgastes."

O primeiro estranhamento entre eles foi quando Gilson passou a interferir diretamanete na equipe da secretaria, nomeando pessoas que não tinham qualquer relação com Flávia ou com o setor. "(Ele) começou a colocar pessoas que não tinham nada a ver na secretaria, que não tinham nenhum conhecimento na área (...) Nós já começamos os embates aí", afirmou.

A Expoagro foi outro motivo de briga entre Gilson e Flávia. “Procurei parcerias e ele sempre na mesma, pedindo calma... Um dia antes de fechar (concluir o planejamento) da festa, ele disse que não faria. Brigamos e teve a festa. Mas foi por isso, eu queria fazer as coisas para a cidade e ele me segurava”, afirmou a candidata. Flávia disse que, se eleita, a Expoagro retorna ao calendário de eventos da cidade, com a parte técnica separada dos shows, que seriam realizados na semana seguinte.

Mas o pingo d’água foi a Couromoda. Anualmente, a prefeitura ajuda a bancar a participação de pequenos empresários da cidade tanto na Francal quanto na Couromoda. “Ele enrolou e enrolou, (depois) disse que não liberaria verba para os calçadistas. Então, eu disse: ‘Tô fora. Não faz sentindo eu deixar minha empresa e estar aqui e não fazer nada’", lamentou.  "Ele é muito mau gestor, Franca está abandonada”, reforçou.

 

Saída do NOVO

Flávia também apontou as razões que a levaram a deixar o partido Novo, poucos meses depois de trocar o MDB, ao qual estava filiada, pela legenda, o que gerou forte repercussão na época. Segundo ela, a falta de estrutura e de certeza de que teria a chance de disputar a prefeitura foram determinantes para sua decisão. "É um partido que não se estruturou, um partido que não tem base. Um partido que não investiu", afirmou."Quando vi que era um partido que não ia me dar as condições de disputar uma eleição, eu saí".

 

Moradores de rua

A candidata disse que o dilema dos moradores de rua na cidade não tem solução  imediata porque o problema é complexo, mas garantiu que em seu governo dará o “mínimo de dignidade” a quem vive na rua. “É um problema complexo e não tem solução. Ao menos em curto prazo. Mas dá para minimizar”, afirmou.

Segundo ela, é preciso ajudar aqueles que querem voltar para casa e oferecer abrigos para os que não desejam sair das ruas. “Precisamos ter coragem para peitar os promotores e perguntar se eles realmente querem resolver o problema ou querem criar mais... Eu não tenho medo do promotor. O Gilson tem”, provocou.

A candidata se referia a umTermo de Ajustamento de Conduta assinado entre o prefeito e o Ministério Público que dificultou a abordagem dos moradores de rua e até ações de limpeza de praças e espaços que eles ocupam. Flávia disse que é preciso respeito aos moradores de rua, mas defendeu mudanças para tornar possível ações mais efetivas. 

Flávia encerrou sua participação lembrando a preparação pessoal que tem feito para enfrentar o desafio de administrar a cidade. “Venho me preparando para ser uma gestora para a reconstrução da cidade. Meu plano de governo foi em cima do que ouvi das pessoas. Precisamos de uma Franca bem cuidada, com ética e transparência.”

Nesta próxima quarta-feira,14, será entrevistado o candidato a prefeito Alexandre Ferreira (MDB), com transmissão ao vivo, a partir das 10h30, pela rádio Difusora AM 1030 kHz e também pelos canais do GCN nas redes sociais Facebook, Instagram e Youtube. O projeto "A Grande Sabatina" tem apoio institucional da OAB-Franca.