Após o caso de William Tristão, professor acusado de assediar moral e sexualmente uma aluna da FDF (Faculdade de Direito de Franca), repercutir em todo o país, a sessão de Franca da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) divulgou uma nota de solidariedade voltada às alunas da instituição e demais mulheres vítimas de abusos.
O documento, assinado por membros das comissões da Mulher Advogada e de Combate à Violência contra a Mulher, foi divulgado nesta terça-feira, 6, e afirma que a instituição oferecerá “apoio para sanar quaisquer dúvidas destas alunas sobre seus direitos”, se referindo às universitárias que se encontram em “situação de vulnerabilidade” após sofrerem assédio.
O órgão ressalta que as atitudes vistas nas imagens e áudios da aula em que o professor William Tristão oferece nota para que uma aluna que disse estar nua abrisse a câmera são frutos do “machismo estrutural em que vivemos, onde as regras de conduta sempre foram criadas e pensadas por homens e absorvidas pela sociedade como naturais. Esse machismo sistêmico reflete a ideia de que são as mulheres quem devem mudar suas condutas, sua forma de vestir, de pensar, de agir e nunca que os homens deveriam repensar o seu papel e a sua postura”.
Por fim, a OAB e as comissões envolvidas “reforçam o seu compromisso com a construção de uma sociedade em que as mulheres sejam respeitadas em qualquer local, independentemente de qualquer circunstância”, e dizem que as alunas não estão sozinhas.
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A Dra. Luiza Gouvêa Miranda, coordenadora da Comissão da Mulher Advogada da OAB Franca, afirma que a divulgação do caso da FDF gerou uma onda de denúncias de assédio. “Em uma reunião entre as comissões, nós percebemos que, após o episódio, várias meninas e mulheres começaram a relatar que foram vítimas de abusos. Isso não só na faculdade, mas também em outros âmbitos, como os ambientes de trabalho.”
Devido aos relatos, a advogada conta que a OAB está elaborando uma campanha de conscientização sobre o assunto. “O episódio da FDF nos mostrou que temos muito trabalho a fazer. Por isso, estamos elaborando um projeto de conscientização. Com ele, assim que a pandemia cessar, iremos frequentar escolas e faculdades com o objetivo de conscientizar as pessoas. Explicaremos o que configura cada tipo de assédio e escutaremos de maneira ativa os alunos, deixando claro o que as vítimas devem fazer nessas situações e quais providências podem ser tomadas. O quanto mais cedo entrarmos em contato com as meninas e meninos, mais eficaz será a ação”.
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