TRISTEZA

'Nossa família foi marcada pela Covid-19 e nunca mais será a mesma', diz sobrinha de vítima

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
'Mirdão', como era carinhosamente chamado, não era casado nem tinha filhos, mas deixou saudade para toda a família e muitos amigos
'Mirdão', como era carinhosamente chamado, não era casado nem tinha filhos, mas deixou saudade para toda a família e muitos amigos

Depois de 21 dias internado, Romildo Miranda, de 57 anos, não resistiu às complicações do coronavírus e faleceu no último sábado, dia 3. “Mirdão”, como era carinhosamente chamado, não era casado nem tinha filhos, mas deixou saudade para toda a família e muitos amigos.

Romildo tinha uma deficiência na perna e na mão, mas não possuía nenhum problema de saúde. Era extremamente ativo e independente, mesmo com as limitações. O aposentado era corintiano “roxo” e muito comunicativo. Fazia amizades por onde passava.

“Era uma pessoa muito querida, fazia questão de estar presente na vida das pessoas, ajudava sempre a todos e era doador de sangue. Inclusive, sua última doação foi no dia 27 de agosto”, disse Ana Carolina Miranda, sobrinha de Romildo.

“Para nós, a morte dele foi como se abrisse um buraco no chão e levasse todos nós para o fundo. Ninguém está preparado para perder ninguém e nós familiares e amigos tínhamos total certeza de que ele sairia dessa. Seu quadro era grave desde o início e ele não estava respondendo aos medicamentos. O estado, que era grave, ficou gravíssimo.”

Mesmo com o quadro delicado, a família tinha muita esperança na recuperação de Romildo. “A dor que estamos sentindo em perdê-lo é imensurável. Ele se foi tão rápido, tão novo. Meu tio não tinha nada, nenhum problema de saúde, ele tinha uma vida toda pela frente. Esse vírus tirou do nosso convívio um ser humano de caráter, homem de bem”, ressaltou Ana Carolina. “Não está fácil lidar com a partida dele.”

Esse é o drama que mais de 150 famílias viveram em Franca. Além da perda, o momento de despedida se torna amarguradamente inesquecível. “Meu tio não pôde ter um velório digno da pessoa que ele era. O sepultamento não demorou nem três minutos, caixão lacrado. Não pudemos nos despedir dele. Seu caixão saiu direto do carro funerária para o túmulo e nós, de longe, nos sentindo impotentes diante dessa situação, chega a ser desumano isso.”

Desde o início da pandemia, a família de Romildo era atenciosa com os cuidados necessários, até porque outros parentes já haviam contraído o vírus. “Espero de coração que as pessoas tenham mais empatia e cuidado com o próximo, pois ninguém tem garantia que pegará o vírus e vencerá a batalha”, disse. “Nossa família foi marcada pela Covid-19 e nunca mais será a mesma.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários