“Uma das mais potentes vozes do empreendedorismo no Brasil”, como foi apresentada, a empresária Luiza Helena Trajano é a entrevistada da noite desta segunda-feira, 5, do programa Roda Viva, da TV Cultura. “Nossas ações chegaram a valer R$ 0,50. Os únicos que compravam as ações eram os investidores e a família”, disse logo no início, lembrando uma das fases difíceis da empresa ao entrar para a Bolsa de Valores.
A pandemia logo foi tema da entrevista. A empresária disse que, apesar de não ter por hábito ficar “paralisada”, o início da pandemia a deixou em choque. Mas o trabalho da área de Recursos Humanos, que criou programas para ajudar as pequenas empresas e funcionários, a deixou muito tranquila - logo no começo da quarentena, o Magazine Luiza anunciou que não demitiria funcionários e criou o programa Parceiro Magalu, para fomentar negócios locais.
A expectativa sobre a compra dos Correios também foi um tema polêmico na entrevista. Ela não negou nem confirmou a informação, que saiu de membros do governo Bolsonaro de que o Magazine Luiza teria interesse em comprar os Correios. “Estamos na Bolsa e não podemos dar esse tipo de informação.”
Política
“Eu não tenho poder na política. Tenho uma participação na política. Eu influencio porque defendo coisas que são importantes. Eu gosto do Brasil e acho que nós brasileiros temos que cuidar do Brasil. Sempre quis que nós assumíssemos o Brasil”, disse Luiza Helena ao ser questionada sobre sua participação na política do Brasil. “Nunca tive pretensão e nunca me filiei. O povo pode ficar tranquilo que não corro risco de ser candidata”, sentenciou.
O convite que ela recebeu da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para ocupar o Ministério de Micro e Pequenas Empresas também foi tema de perguntas. Ela chegou a dizer que apesar de fazer muito tempo e ela não ter aceitado, as pessoas não esquecem o episódio.
Luiza também falou da sua participação no Comitê Olímpico. “A experiência foi muito legal. Sou a favor do emprego, e o turismo gera emprego para qualquer nível, mas não tem nada a ver com governo”, disse. “A pequena e média empresa representa 85% dos empregos no País. Hoje, se você me perguntar se eu aceitaria um cargo político eu diria não, porque o Mulheres do Brasil tem uma participação muito importante”, disse.
Luiza Helena citou medidas de diferentes governos que aprova e reafirmou que, independente do governo, é a favor do Brasil.
Desigualdade social
Para a empresária, a pandemia deixou mais evidente a desigualdade social no Brasil. A jornalista Monique Evelle perguntou sobre a renda dos bilionários do Brasil que cresceu 169% no País e se a empresária, como uma das mais ricas do Brasil, é a favor de criar impostos para as grandes fortunas.
Primeiro, Luiza Helena disse que se assustou muito com a presença no ranking da revista Forbes. “Eu até assusto quando falam isso, porque é papel. Vai e volta”, brincou. Sobre as taxas, ela disse que é a favor, desde que sejam administradas pelos próprios empresários.
“O que eu sou a favor é taxar, mas nos deixar administrar. Porque botar mais na panela para eu não sei mais o que vira, não”, dando exemplo do que foi feito durante a pandemia que distribuiu milhões em doações durante os meses de quarentena.
Racismo
Luiza Helena também falou sobre a polêmica decisão de reservar o programa de trainees do Magazine Luiza deste ano apenas para candidatos negros, o que provocu intenso debate no país e acusações de "racismo invertido". A empresária disse que nunca pretendeu resolver o problema do racismo no Brasil, mas enfrentar uma realidade que via na sua empresa: a pouca participação de negros nos principais cargos de gerência e direção.
"Fizemos para resolver um problema nosso", disse. "E não foi do nada. Teve discussão em comitê, com advogados", explicou. Para ela, estratégias como essa precisam do envolvimento direto dos controladores para serem vitoriosas. "Se o dono não pegar para fazer, não sai".
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.