Barbárie

Por Baltazar Gonçalves | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 1 min
Saturno devorando seu filho, de Goya (1746 – 1828)
Saturno devorando seu filho, de Goya (1746 – 1828)

pois é pois zé, tamujunto mas não misturados

pau no reto do baba ovo

minha tribo antropofágica não come qualquer ninguém

 

prazer reprimido eclode na cloaca de barrabás

sentam à mesa do escarnecedor

e lavam as mãos onde herodes vomitou

 

paz para os de boa vontade é sinal de alerta

a lua nova não impe o verme

de avançar sobre crânios perfurados por anátemas

 

o mundo está achado desde as origens

nisto há regozijo, alegremos!

a serenidade recompõe para a luta um de nós por vez

 

a barbárie ordinária vê quem tem olhos de ver

eu vejo a açucena abre-se invisível

e isso traz o estranho alívio da beleza em risco de ser pisada

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