Estudantes da FDF (Faculdade de Direito de Franca) se reuniram em frente à instituição no final da tarde desta quinta-feira, 1°, para se manifestar e exigir a demissão imediata do professor William Tristão, acusado de assediar uma de suas alunas durante uma aula de direito penal.
Uma das universitárias presentes no protesto, Ana Carolina, do 4° ano, afirmou que o intuito do grupo foi chamar a atenção da diretoria da FDF para que seja adotada uma ação mais rápida no caso. “Nós nos reunimos aqui hoje com o objetivo de pressionar a faculdade. É necessário que seja tomada uma atitude a respeito da conduta do professor William dentro de sala. Já vão se completar quatro dias do ocorrido e todo mundo ficou sabendo. Apesar disso, ainda não tivemos um posicionamento decente da direção. Precisamos que o professor seja afastado, pelo menos enquanto acontecem as investigações. Nós, alunos dele, fomos completamente expostos e estamos com muito medo de sermos prejudicados. Ele tem poder e autoridade para isso”.
Ana diz que na faculdade já existiram outros comportamentos abusivos e inapropriados vindos de professores. “É claro. É uma universidade de 60 anos e que tem professores e alunos muito conservadores. É óbvio que, vivendo em uma sociedade como a que vivemos, já tiveram denúncias desse tipo aqui. Porém, é a primeira vez que ganhamos tanta notoriedade e que estamos sendo ouvidos desta forma. Estou aqui há quatro anos e já presenciei vários relatos de alunas que foram assediadas, se sentiram constrangidas ou intimidadas e de alunos que se sentiam perseguidos por professores e pela diretoria. As ocasiões são várias. Só que, até hoje, a faculdade havia conseguido abafar os casos”.
Murillo Ravagnani, também aluno da instituição, contou sobre a repreensão sofrida pelos seus colegas de faculdade. “O William entrou em uma aula de outra professora com um tom bastante agressivo e ameaçou processar os alunos, o Diretório Acadêmico e a mim. Nós apresentamos alguns argumentos para ele durante a sessão e perguntamos se era uma ameaça o que ele havia dito sobre as notas. Quando ele leu, ficou bem estressado. Ele havia passado um trabalho em abril e nesta semana, quando era pra ser entregue e aconteceu toda a história, cancelou. É como se todo nosso esforço fosse jogado fora. Quando ele estava exaltado, disse que faria uma prova impossível e ainda nos deu boa sorte de maneira irônica”.
Ministério Público e faculdade
O Ministério Público do Estado de São Paulo comunicou na última quarta-feira, 30, que requisitou a instauração de um inquérito policial para investigar o caso. Na nota, o órgão solicita à FDF que “adote as providências necessárias à preservação das gravações relacionadas ao caso para futuro encaminhamento à Autoridade Policial”.
A Faculdade de Direito de Franca instaurou um procedimento administrativo para apurar a situação e agir de acordo com o Regimento Interno. Foi montada uma comissão com três professores para julgar o ocorrido.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.