DRAMA FAMILIAR

Coronavírus: Família sofre a perda do pai de 78 anos e a angústia da internação da mãe

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo da Família
 Maria Inês e João Manoel
Maria Inês e João Manoel
A Covid-19 vitimou 139 pessoas em Franca, até o início da noite dessa quarta-feira, 30. Entre essa mais de uma centena de óbitos, está João Manoel da Silva, de 78 anos. O idoso estava internado no Hospital do Coração e faleceu na terça-feira, 29, 14 dias após ter testado positivo para o vírus. 
 
Segundo sua nora Maiara Alves, por estarem respeitando as medidas de isolamento desde o início da pandemia, João deve ter sido contaminado pelo vírus por conta de alguns passeios entre os dias 7 e 9 deste mês.
 
“Ele era uma pessoa que já tinha sofrido AVC, então era cadeirante, já debilitado. Então, ele ficava muito em casa, não saía nem na rua, quando tinha que ir num banco ou algo nesse sentido, ele pedia pra ir e ficava dentro do carro, até porque tinha mobilidade reduzida.”
 
Seu filho, Alex Adriano, que era quem levava o idoso nessas voltas, também foi contaminado pelo vírus e isso pode ter propagado para o aposentado. “Na verdade, eu tinha pego o vírus, mas não tive contato com eles. Alex tinha pego de mim, mas depois, bem mais na frente, e foi nesse contato com o filho que ele possivelmente pegou o vírus”, explicou Maiara.
 
Na semana seguinte aos passeios, sintomas como fraqueza e náuseas começaram a aparecer, por volta do dia 14 e, no dia 17, o teste foi realizado e o resultado foi positivo. “Apesar de ele estar bem, aparentemente, como tinham as vagas, os médicos preferiram internar ele na enfermaria para acompanhar de perto.”
 
Apesar da rápida internação, Maiara conta que dificuldades foram encontradas no início, quando tiveram que passar pela Santa Casa. “No início, no primeiro atendimento, lá na Santa Casa, através do plano de saúde Iamspe, tivemos uma dificuldade e um certo descaso. Na verdade, ele estão um pouco atrapalhados e inseguros com essa questão do atendimento da Covid.”
 
“Então, assim, no dia que o sr. João foi no hospital para fazer o exame, ele ficou lá e teve um estresse, passou mal, vomitou, não teve ninguém pra ajudar. Trouxeram um lixo de resíduos químicos para ele vomitar."
 
Após as dificuldades iniciais e já internado, João foi apresentar complicações apenas no domingo, 27, dez dias depois. Ainda assim conseguiu uma melhora, mas na terça não resistiu, após parada cardíaca.
 
“Ele teve maiores complicações no dia 27, que foi no domingo. Aí começou a dar falta de ar. Na hora que entubaram, o pulmão estava 100% comprometido. Depois teve uma melhora, iniciavam o processo de desentubação, pensamos que daria tudo certo, só que ontem (anteontem) começou a ter febre e arritmia cardíaca, aí deu a parada cardíaca e ele não resistiu.”
 
Maiara conta que a família ficou arrasada com a morte pela Covid-19. “Estamos todos abalados. Estávamos muito confiantes de que ele sairia da UTI. Pensávamos que o pior havia passado, já que ontem ele completaria o 14º dia de sintoma. Já era para estar encerrando o quadro crítico da doença. Estamos todos arrasados. Não esperávamos que seríamos parte das estatísticas, com a morte de algum familiar.” 
 
Apesar do triste fim, Maiara rasgou elogios ao atendimento no Hospital do Coração. “O atendimento no HC é excelente. Eles ligam todos os dias para passar relatórios. Quando está na enfermaria até ligação de vídeo eles fizeram. Então, ontem (anteontem) houve ligação para falar da mãe do Alex e, logo em seguida, ligaram para falar que o sr. João havia falecido.”
 
João Manoel deixa a esposa Maria Inês Andrade, também internada por Covid, além dos filhos Alex Adriano e Helen Cristine. Seu sepultamento aconteceu às 10 horas dessa quarta-feira, 30, no Cemitério da Saudade.
 
 
Esposa internada 
Além de todo sofrimento com a morte de João, a família tem mais um motivo para se preocupar. A esposa de João, Maria Inês Andrade, de 70 anos, também está internada no Hospital do Coração, desde segunda-feira, 28.
 
Os sintomas na idosa demoraram a aparecer e, por isso, Maiara acredita que o vírus foi passado para ela no período dos dias 14 e 17, quando João ainda não tinha feito o teste. “A gente acredita nisso, porque quando fizemos o exame dele, o dela deu negativo. Então, achamos que não tinha dado tempo ainda para ter uma carga viral suficiente.”
 
Logo, com a aparição de sintomas, como fraqueza e diarreia, a família decidiu levá-la na Santa Casa, onde enfrentaram outros problemas. “No caso da dona Maria, ficamos muito tempo aguardando sem ter os primeiros atendimentos. Não aparece um enfermeiro. Apenas ficam as meninas da recepção e da administração. Chegamos às 19h47 e só recebemos atendimento depois das 21 horas. Antes do exame, fizeram a tomografia e, por ela, o médico já suspeitava que seria Covid, mas aguardava resultado.”
 
Agora já internada, os familiares aguardam um resultado positivo, ao contrário do que aconteceu com João Manoel, e pedem mais seriedade da população. “Olha, pelo que eu percebo, até mesmo nas postagens do GCN, muitos ainda vivem alienados, achando que isso é um criação do comunismo. Outros acreditam que não vai dar em nada, que não é tão grave, que é apenas uma gripezinha. Poucos têm a noção da seriedade desse vírus, principalmente nos idosos e naqueles que apresentam comorbidades. Mas não se preocupam tanto e acham que é um exagero, mas estamos aí para provar o contrário”, apelou Maiara.

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