ALÍVIO

Filha comemora retorno do pai após perder avô para o coronavírus

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de esperar um dia no Pronto-socorro "Álvaro Azzuz" e ficar uma semana internado no Hospital da Caridade, Luís Antônio de Morais, de 58 anos, recebeu alta no último domingo, 27. Diagnosticado com Covid-19, o retorno para casa só foi possível após a retirada por completo da máscara de oxigênio. Durante a internação, Morais perdeu o pai para o coronavírus.

Luís Antônio chegou a realizar dois testes, que deram negativos para o vírus. Apenas na terceira testagem, depois da persistência dos sintomas, o resultado foi positivo. Porém, no sábado, 19, o homem precisou aguardar no PS. A transferência para o Hospital da Caridade só foi ocorrer no domingo, 20. 

Enquanto Luís Antônio era tratado, o seu pai Miguel Batista de Morais, de 82 anos, morreu no dia 24 de setembro, vítima do coronavírus. Luis recebeu a notícia do falecimento apenas no dia seguinte, devido o seu estado médico. "Resolvemos não contar para o meu pai no mesmo dia, pois ficamos com medo de que ele piorasse", afirma a filha Fabiane Cristina.

Fabiane entrou em contato com o Hospital da Caridade na manhã de sexta-feira, 25, para agendar uma visita, onde contaria sobre a morte de seu avô. Porém, a entrada não foi autorizada. Com a ajuda de uma psicóloga, Fabiane fez uma chamada de vídeo para contar sobre o ocorrido. Uma equipe médica ficou à disposição para qualquer intercorrência.

"Eu e minha mãe ligamos e contamos. Ele ficou triste, chorou, mas não se desesperou, não quis tomar nenhum medicamento. Porém, ficou abalado emocionalmente, refletindo na sua saúde, com uma leve alteração na pressão", disse Fabiane.

Já em casa, Fabiane comemora o retorno do pai. "Depois de toda angústia, espera e tudo que aconteceu na última semana, ter o meu pai agora em casa é uma sensação de alívio. É um conforto para todos, saber que ele está bem e que vai se recuperar aos poucos, no aconchego da família."

"É muito difícil perder alguém muito próximo. Eu tinha muito contato com ele (o avô), então está sendo muito dolorido. Não conseguimos nos despedir direito. O espaço de tempo do enterro foi muito curto. A imagem que fica na mente, das poucas pessoas que puderam ir, é muito traumática. Está sendo muito difícil lidar com tudo isso’’, finalizou.

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