CASO WESLEY

“A polícia acha até bandido e não acha um menino de 13 anos”, reclama mãe

Por N. Fradique | Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Arquivo de família
Camila, Wesley, Laura, Letícia e Weslinho: 30 dias depois, nenhuma pista do garoto
Camila, Wesley, Laura, Letícia e Weslinho: 30 dias depois, nenhuma pista do garoto

Neste final de semana o desaparecimento do garoto Wesley Pires Alves Filho, de 13 anos, completa um mês. O garoto, com perfil exemplar, educado, caseiro, inteligente e bom aluno, sumiu de sua casa, no Jardim Aeroporto, no dia 28 de agosto, depois de dizer para suas duas irmãs que iria a um varejão próximo à sua residência.

As últimas imagens que os pais têm do filho são de câmeras de segurança de casas dos bairros vizinhos, por onde o menino passou, incluindo uma filmagem de uma câmera de segurança de um prédio particular na rodovia Ronan Rocha, na saída para Patrocínio Paulista, ainda na fatídica sexta-feira de agosto. Era 17h35 e as imagens mostram o garoto empurrando uma bicicleta vermelha. Não há qualquer outra imagem de Wesley nos 29 dias que se seguiram até hoje.

Os pais do adolescente, Wesley Alves e Camila, já realizaram buscas em várias cidades vizinhas a Franca e de Minas Gerais, mas não encontraram nenhuma pista concreta que levasse ao paradeiro do filho. “Tudo que tenho de informações fui eu, a família e voluntários das buscas que conseguiram. Não tem nenhuma imagem do meu filho depois da sexta-feira em que ele sumiu. Tudo que a polícia tem em mãos foi o que a gente conseguiu. Depois que eles começaram a investigar, eles mesmo não encontraram mais nada”, lamenta Camila.

A mãe do garoto critica a postura da Polícia Civil. O delegado responsável pelo caso, Eduardo Lopes Bonfim, chegou a dizer em entrevista à rádio Difusora acreditar que o desparecimento é uma fuga. “Wesley não quer ser encontrado”, disse o delegado. A mãe discorda. “Isso me deixa desesperada, porque falar que o menino fugiu de casa e não quer ser encontrado é muito fácil. Como um menino de 13 anos de idade, que nunca saiu de casa, tá conseguindo se esconder da polícia? Tá conseguindo se esconder de câmeras, e nenhuma pessoa de Franca e região viu ele? Estou desesperada, sem informações”, disse Camila. “Mando mensagem para os investigadores para saber se há pistas do meu filho, (mas) eles não têm nada pra me falar, porque não descobriram nada. Eu fico indignada com isso. Um menino de 13 anos, que nunca conviveu na rua como muitas crianças que são acostumadas a ficar na rua com amiguinhos, conseguir desaparecer? Não tem nenhuma pista. A única coisa que eu escuto do delegado é que meu filho não quer voltar para casa. Um menino que nunca nem dormiu na casa de um parente, está há quase 30 dias fora de casa, não quer voltar? É angustiante escutar isso”.

Sem nenhuma resposta nesse tempo todo, a mãe do estudante faz uma cobrança mais incisiva à polícia de Franca. “Eu não tenho mais onde procurar porque se a polícia não está sabendo achar ele, como eu vou achar? O que eu acho mais incrível é não ter ele em nenhuma outra câmera, nem da rodovia, nem de cidade nenhuma e ficar assim, simples, (dizendo que) ele não quer ser encontrado. Isso não me entra na cabeça. Ele não saberia esconder desse jeito, até da polícia. A polícia acha até bandido e não acha um menino de 13 anos?”, desabafa a mãe.

Desde que Wesley desapareceu, surgiram relatos de várias pessoas dizendo ter visto o garoto. Nenhuma, absolutamente comprovada. Os mais consistentes são os depoimentos de três pessoas de Serrana, onde ele teria sido visto e conseguido carona para Ribeirão Preto.

As pessoas que garantiram ter conversado com Wesley são o comerciante Sérgio, dono de uma mercearia e que teria vendido dois pirulitos para o menino; o fiscal da cooperativa de vans, Jonathan Almeida; e o motorista da van, Sílvio Ferreira, que afirmou ter dado carona ao estudante até Ribeirão. Uma quarta testemunha, uma comerciante de Ribeirão Preto, disse ter dado um pão de queijo ao garoto francano, mas seu testemunho é considerado menos consistente. A presença de Wesley em Serrana e em Ribeirão teria ocorrido no dia 9 de setembro, uma quarta-feira.

No meio deste terrível drama, a família ainda convive com informações falsas, que muitas vezes levam os pais a irem até determinados lugares ou cidades completamente em vão. Não faltou nem mesmo uma suposta médium, de Florianópolis, que teria psicografado uma carta apontando a localização de Wesley no sótão de uma igreja em São José da Barra, Minas Gerais, a 140 km de Franca. Os pais foram até lá. Ninguém viu o garoto por ali e, obviamente, ele não estava no sótão da tal igreja nem de outras duas vasculhadas pelo pai.

“Se alguém falar que meu filho está em um determinado lugar, eu vou, porque não vou deixar de procurar meu filho. Mas essas pistas falsas só aumentam nosso sofrimento", disse Wesley Alves, pai de Weslinho, como o menino é chamado pela família. 

 

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