Setembro é um mês importante quando o assunto é saúde mental, mas também evidencia a necessidade de se falar sobre doação de órgãos, afinal, o dia 27 de setembro é lembrado como o Dia Nacional de Doação de Órgãos, uma data para estimular a conscientização e a discussão sobre o assunto para que, consequentemente, aumente o número de pessoas que tenham interesse em ser doadoras. Infelizmente, o Brasil ainda conta com uma fila de espera de mais de 30 mil pessoas com esperança de receber um órgão.
“Houve um tempo em que se tentou padronizar a informação de ser um doador na carteira de identidade. Porém, atualmente, a normatização não é mais assim. Hoje, para ser um doador de órgãos é preciso falar com a família e expor claramente o seu desejo”, comenta o Dr. Marco Antônio Benedetti Filho, médico hematologista da Unimed Franca.
De acordo com o médico, a doação pode ser de órgãos inteiros, como um rim, fígado, coração, pâncreas ou pulmão, ou de tecidos, como córnea, pele, ossos, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical. A doação de órgãos como rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida.
Ainda segundo o médico, uma pessoa vive muito bem com um rim único e a sua saúde não é prejudicada com a doação. No caso da doação de fígado, da mesma maneira, com apenas um terço do órgão é possível ter uma vida normal.
“O "doador vivo" é considerado uma pessoa em boas condições de saúde – de acordo com avaliação médica – capaz juridicamente e que concorda com a doação. Por lei, pais, irmãos, filhos, avós, tios e primos podem ser doadores. Não parentes podem ser doadores somente com autorização judicial”, explica Dr. Benedetti.
Após a morte, os órgãos podem ser doados somente depois de confirmado o diagnóstico de morte encefálica. A partir daí, existe um protocolo formal extremamente rígido, que segue padrão definido pelo Ministério da Saúde.
“Tipicamente, pessoas que estão em morte cerebral, são pessoas que sofreram um acidente que provocou traumatismo craniano, como acidente com carro, moto, quedas etc.; ou sofreram acidente vascular cerebral e evoluíram para morte encefálica. Essas pessoas estão internadas em um CTI, em ventilação mecânica, mas sem nenhuma possibilidade de voltar a ter uma vida normal. O coração continua batendo, mas elas estão em morte encefálica”, completa o médico.
No caso de uma decisão pela doação, a cirurgia para retirada dos órgãos é como qualquer outra, e todos os cuidados de reconstituição do corpo são obrigatórios pela Lei n° 9.434/1997. Após a retirada dos órgãos, o corpo fica como antes, sem qualquer deformidade.
Em Franca são realizados rotineiramente transplantes de córnea. No caso de doação de órgãos, quando a família atende a solicitação do paciente que está em morte cerebral e que, em vida, fez a opção pela doação de órgãos, é acionada uma equipe da central de órgãos que se desloca para a cidade e que, juntamente com uma equipe local, faz a coleta.
“Todo este processo envolve uma grande logística, pois ao mesmo tempo em que a equipe de coleta está se deslocando para a coleta dos órgãos, a central está convocando os potenciais receptores que já deverão estar prontos no hospital determinado para a realização do procedimento no momento em que o órgão chegar”, diz Dr. Benedetti.
Franca se destaca em doação de medula óssea
Em Franca, uma importante modalidade de doação de órgãos, facilmente acessível a todos, é a realização do cadastro como doador de medula óssea.Este cadastro pode ser realizado no Núcleo de Hemoterapia da cidade.
Para fazer este registro, é importante que a pessoa goze de boa saúde e tenha entre 18 e 55 anos de idade. Então, é feito um cadastro administrativo e colhida uma amostra de sangue, como qualquer outro exame de laboratório. Essa amostra é encaminhada para o Hemocentro de Ribeirão Preto, onde é realizado o exame de HLA (exame de histocompatibilidade) e o resultado é encaminhado para o Redome (Registo Nacional de Doadores de Medula Óssea).
Quem precisa de um transplante de medula óssea é geralmente uma pessoa com uma leucemia ou com uma aplasia de medula óssea, que já foi submetida a um tratamento especifico e que não respondeu a esse tratamento. “Essa pessoa pode ainda ter uma evolução totalmente favorável com a realização de um transplante de medula óssea”, comenta Dr. Benedetti.“Ocorre que, a possibilidade de ter um doador 100% compatível no sistema HLA é de 25% para irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, porém de apenas 1 para cada 100.000 pessoas entre a população em geral”, lembra.
Por esse motivo, o médico destaca a importância de se cadastrar como doador de medula óssea. “Pode ser que uma, entre as milhares de pessoas que necessitam de um transplante, tenha apenas a minha ou a sua medula compatível, o que nos torna a única chance de sobrevivência de alguém que está em algum lugar do Brasil”, diz.
Da mesma maneira que é importante fazer o cadastro como doador de medula óssea, é fundamental manter o cadastro sempre atualizado. Sempre que mudar de endereço ou de telefone de contato, é importante informar o local onde foi realizado o cadastro. “É frequente no Brasil ocorrer de ter um receptor compatível, mas o Redome não conseguir localizar o doador cadastrado por mudança de telefone e de endereço”.
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