VOLTA ÀS AULAS

'Os meus filhos não voltariam', diz secretário de Saúde

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Flávia Assis. presidente do Conselho Municipal de Educação: posição quase unânime contra a volta às aulas
Flávia Assis. presidente do Conselho Municipal de Educação: posição quase unânime contra a volta às aulas

O secretário de Saúde de Franca, Conrado Netto, disse ontem, durante reunião do Conselho Municipal de Educação, que é possível criar protocolos para tentar diminuir os riscos de contágio caso a prefeitura decida pela volta às aulas neste ano. Apesar da condição técnica, Netto avalia que seria melhor e mais seguro deixar o retorno para o ano que vem. “Meus filhos não estão em idade escolar. Se estivessem, não iriam. Os meus filhos não voltariam”, disse Conrado Netto.

A opinião do secretário não foi exceção à regra. O chefe da Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa, alertou para o momento delicado que o combate ao coronavírus enfrenta na cidade. “A fase amarela não corresponde à realidade epidemiológica de Franca”, afirmou. “Não é recomendável o retorno às aulas (neste instante)”. Rosa acredita que a partir de meados de outubro vai haver uma desaceleração e o ritmo de contágio vai perder força. Por isso, defende que a discussão sobre uma eventual retomada das aulas seja suspensa por, pelo menos, 45 dias. Só depois deste prazo, sustenta, seria possível avaliar a segurança da retomada das aulas presenciais.

O secretário de Educação, Eduardo Guerra, servidores da rede municipal e técnicos da prefeitura apresentaram projeções sobre como poderia acontecer a volta às aulas, caso fosse essa a decisão do governo. Rodízio de alunos, com a presença de 35% de estudantes por dia, uma intrincada logística para garantir o abastecimento das unidades de ensino com produtos de limpeza adequados à higienização dos ambientes, fornecimento de EPIs para professores e servidores, além de reformas de adaptação em algumas escolas e contratação de 116 professores substitutos para o lugar daqueles que precisariam ser afastados pelo risco de contágio foram algumas das ações elencadas por Guerra como desafios para serem superados no processo de retomada.

O secretário de Educação também apresentou o resultado da pesquisa encomendada pela prefeitura para avaliar a opinião dos pais de alunos sobre a volta às aulas. Segundo o levantamento, 82,7% dos pais de alunos são contra a volta às aulas neste ano (leia mais).

O vereador Corrêa Neves Jr, presidente da Comissão de Educação da Câmara Municipal, participou do encontro a convite da presidente do CME, Flávia Assis Freitas. Diante do receio dos pais, do quadro de preocupação apontado pelo médico Homero Rosa e da posição do secretário Conrado Netto, o vereador Corrêa Neves argumentou que seria mais prudente e racional deixar a retomada, com segurança, para o que vem. “Todo esse esforço mostrado pelo secretário Eduardo Guerra, com custos elevados e riscos também, resultariam em menos de 30 dias de aula neste ano. Não vejo muito sentido em retornar em meados de novembro. Por que não deixar para o ano que vem, liberar e tranquilizar os pais e professores e focar os esforços na retomada em 2021? Especialmente, na recuperação da defasagem dos alunos”, disse.

A presidente do Conselho, Flávia Freitas, também disse ser contrária à retomada das aulas neste ano, mas ressaltou que era uma posição pessoal e que o a decisão do Conselho dependia da votação pelo colegiado. A votação aconteceu ontem mesmo, no final do encontro. Por 11 votos a 1, o Conselho decidiu aprovar documento se posicionando contrariamente a retomada das aulas em 2020. O órgão tem caráter consultivo e não vincula obrigação do município. A decisão final cabe ao secretário de Educação e ao prefeito de Franca, Gilson de Souza. Não há prazo para uma definição.

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