SUSPENSA

Ministro fala em vacinar em janeiro, no dia em que teste de Oxford é suspenso

Por Mateus Vargas | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min
Funcionária na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) onde vacina Oxford/AstraZeneca contra Covid-19 está sendo testada
Funcionária na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) onde vacina Oxford/AstraZeneca contra Covid-19 está sendo testada
O laboratório britânico AstraZeneca anunciou na terça-feira, 8, a interrupção de estudos, que envolvem a Fiocruz no Brasil, para desenvolver vacina contra a covid-19. A decisão do laboratório britânico ocorreu no dia em que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que em "janeiro a gente começa a vacinar todo mundo".
 
Desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, este imunizante é a principal aposta do governo Jair Bolsonaro para imunizar a população. Informada sobre a suspensão, a Agência Nacional e Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que aguarda mais informações da AstraZeneca para se pronunciar oficialmente. O governo federal abriu crédito de cerca de R$ 2 bilhões para a Fiocruz receber, processar, distribuir e passar a fabricar sozinha a vacina.
 
Segundo fonte da Anvisa, o laboratório apenas enviou um comunicado à agência sobre a interrupção, sem detalhar que tipo de efeito colateral foi notado em um participante do estudo, por exemplo, que levou a travar os trabalhos - sites internacionais apontam um revés no Reino Unido. Técnicos da Anvisa, agora, buscam mais informações da AstraZeneca. "A decisão de interromper os estudos foi do laboratório.
 
Mais cedo, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, em reunião ministerial no Palácio do Planalto, respondeu a perguntas da youtuber mirim Esther Castilho, escalada pelo presidente Jair Bolsonaro. "Vai ter vacina para todo mundo e remédio ou não vai?", indagou, repetindo o que foi ditado pelo presidente. "Esse é o plano. A gente está fazendo os contatos com quem fabrica a vacina e a previsão é de que chegue para a gente em janeiro. Janeiro, a gente começa a vacinar todo mundo", respondeu Pazuello sem citar que antes é necessário que a vacina tenha sua eficácia comprada, o que ainda não ocorreu.
 
Para a vacina desenvolvida por Oxford com a AstraZeneca, o governo federal acertou um protocolo de intenções que prevê a oferta de 30 milhões de doses até o fim do ano, e está concluindo as negociações para o pagamento e a assinatura de um acordo final que incluirá também a transferência de tecnologia para produção nacional, a ser conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
 
Caso a vacina tenha sua eficácia comprovada, a previsão da pasta é produzir, inicialmente, 100 milhões de doses a partir de insumos importados. A produção integral da vacina na unidade técnico-cientifica Bio-Manguinhos, no Rio, deve começar a partir de abril de 2021.
 
Outros países também têm apresentado estudos para a produção da vacina, como Rússia e China, e integrantes do ministério já disseram que podem também negociar caso alguma delas se mostre eficaz contra a covid-19. Na reunião no Planalto, a garantia de uma vacina em janeiro foi citada ainda por Marcelo Álvaro Antônio, chefe da pasta do Turismo. "A expectativa é de que o próximo verão, com a vacina, seja o maior volume de turismo da história do turismo doméstico", declarou. Segundo ele, o setor "vai voltar forte".
 
Reafirmação
Ainda ontem, o presidente voltou a falar de não obrigatoriedade de imunização. "Mesmo tendo comprovação científica lá fora, (a vacina) tem umas etapas a serem cumpridas aqui", disse Bolsonaro ao comentar procedimentos de liberação daAgência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "A gente não pode injetar qualquer coisa nas pessoas e muito menos obrigar. Eu falei outro dia ‘ninguém vai ser obrigado a tomar vacina’ e todo mundo caiu na minha cabeça", afirmou o presidente em encontro com um grupo de médicos que defendem o tratamento precoce da doença e o uso da hidroxicloroquina, medicamento ainda sem eficácia comprovada. O encontro foi mediado pelo deputado e ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra (MDB-RS).
 
O presidente reiterou que cabe ao governo fazer campanha para a vacinação, mas que as pessoas não podem ser obrigadas. "A vacina é uma coisa que, no meu entender, você faz a campanha, busca uma solução, não pode é amarrar o cara e dar a vacina nele", declarou. Em seguida, completou dizendo que esse tipo de obrigação nunca foi feito, "a não ser em ditaduras".

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