FILHOS DA PANDEMIA

Pais redobram cuidados para evitar exposição de recém-nascidos

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Catarine segurando a mão de sua mãe, Brenda
Catarine segurando a mão de sua mãe, Brenda

Em tempos de pandemia, todo cuidado é pouco para proteger quem amamos. Há mais de seis meses circulando pelo Brasil, ainda não se sabe ao certo quais são as consequências e danos causados pela Covid-19. É exatamente pelas incertezas que milhares de pais adotaram um novo estilo de vida dentro das famílias depois do vírus, principalmente aqueles que tiveram bebês recém-nascidos e prematuros.

Ao contrário da H1N1, que tinha como grupo de riscos crianças, gestantes e jovens adultos, o coronavírus não se mostra mais grave neste público. No entanto, toda infecção viral pode ter complicações em bebês, já que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. O principal motivo que fez com que, em 2009, a H1N1 tivesse preferência pelas grávidas e recém-nascidos foi este: a imunidade comprometida.

É com essa preocupação que mães e pais redobraram os cuidados com os filhos. Jacqueline Cruz teve a Manuela em julho, mas a rotina já havia mudado há muito tempo. Desde o início da pandemia, Jacqueline trabalhava de casa – assim como muitas pessoas –, mas o medo era maior por conta da gravidez.

“Não saía para nada. Eu e meu marido pedíamos para supermercados e padarias fazerem a entrega. Agora fazemos as compras presencialmente, mas só ele vai ao local e tomando todos os cuidados”, disse Jacqueline.

Depois que a bebê nasceu, a precaução se manteve. Os pais tiveram que restringir algumas coisas que, antes da situação atual, eram essenciais.

“A Manuela conhece só minha mãe, minha irmã e meu afilhado. Esses temos contato uma vez por semana no máximo”, disse a mãe. “Na verdade, os avós paternos vieram na minha casa só no fim de semana que cheguei do hospital. Depois não vieram mais, pois não estão em isolamento. Prefiro não arriscar.”

O pouco contato da bebê com o restante da família não tem data certa para terminar. Tios e amigos ainda não conhecem a pequena Manu. “Não sabemos ainda quando vamos liberar para visitas. Saímos de casa só para ir às consultas, exames e vacinas. E ainda assim, sem acompanhamento”, acrescentou Jacqueline.

Essa é a mesma situação que passam os pais da Catarine, de quase três meses de vida. Brenda Carrijo e Thiago Mazzucato têm uma família muito grande, mas nem todos puderam conhecer a filha do casal. “Se não fosse a pandemia, todo mundo já teria conhecido a Catarine. Em casa só vieram os avós e os padrinhos, que não pessoas muito próximas”, disse Brenda, que já percebeu as restrições de visita desde a maternidade.

Os pais da Catarine, assim como os da Manuela, só saem para o atendimento médico com as crianças. “As consultas e toda a parte de atendimento não mudaram. A única coisa que mudou é que agora só entram a mãe e o bebê. Os consultórios estão vazios também, não tem filas e nem espera. Pelo menos esse foi um ponto positivo”, ressaltou a mãe da Catarine.

A inserção das crianças na sociedade de uma forma menos preocupante ainda deve demorar. Na verdade, esses protocolos de isolamento são recomendados a todas as pessoas neste período, em especial bebês, idosos e pessoas com algum tipo de complicação. Enquanto isso, os pequenos sempre dão preferência aos colos e ao carinho já conhecidos.

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