Crônica de uma cronista

Por Maria Rita Liporoni Toledo | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 2 min

Na década de 60, Patrícia, nome artístico de Sônia Menezes Pizzo, era famosa nas altas rodas sociais de Franca à qual eu não pertencia. Mas a conhecia pelo jornal Comércio da Franca cuja leitura faço, habitualmente, desde esta época até hoje, em versão on line. Imaginava aquele mundo glamuroso, conhecia as pessoas à distância, roupas que usavam, detalhes de seus hábitos, preferências e lugares onde frequentavam.

Escreveu a francana Lúcia Helena Maniglia Brigagão em seu livro “Querida”, biografia de Sônia/Patrícia, referindo-se aos cronistas sociais desta época: “ser citados por eles, ter o nome no jornal, era emblemático; os cronistas cumpriam uma necessidade da condição humana: aliviar a curiosidade do homem sobre seus semelhantes.” As plataformas mudaram e  atualmente  sites, blogs, revistas, jornais, lives, TV, rádios ocupam o lugar do papel, e alcançam uma infinidade de pessoas, em todo mundo, de todas as classes sociais. Ficou mais democrático o acesso ao público. Mas o espírito da crônica social persiste em formatos diferentes.

Nos anos 60 não era assim. Em um baile  na AEC, minha irmã Lourdinha,universitária da PUC em Campinas, onde cursava Letras Neo Latinas,usava um vestido preto justinho, decote rente na frente e quadrado atrás, com um laço e pontas caídas, no final de cada alça, nas costas. Modelo inspirado em um filme de Audrey Hepburn, “Bonequinha de luxo”, ícone da cinegrafia de Hollywood, feito por minha mãe com toda sua habilidade em costuras, bordados e afins. Nesta noite, Patrícia aproximou-se do casal, enquanto todos dançavam, e perguntou qual o nome dela. Pronto, Lourdinha, nodia seguinte, estava na crônica social, com elogiosas palavras ao seu vestido, beleza e elegância. Foi a primeira vez que nos aproximamos do tão sonhado mundo social!

 Patrícia, profissional exemplar, garimpava nomes e situações para matérias de sua coluna. Recentemente, quando preparava uma página para o jornal, trazia tudo marcado, escrito à mão, com sua letra redondinha de professora, em um caderno grande, como eu vi, várias vezes. Alegres e afetivas lembranças eu tenho desta pessoa humana, persistente e gentil!

Hoje, acometida por um problema de saúde, Patrícia não pode ler estas palavras, mas tive muitas oportunidades de expressar o meu apreço e admiração pelo seu trabalho e pela pessoa maravilhosa que é.

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