PLANO SP

Descontrole da pandemia segura Franca na fase Laranja


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Mapa da pandemia na região de Franca, nesta quinta-feira, 3 de setembro
Mapa da pandemia na região de Franca, nesta quinta-feira, 3 de setembro

Os 22 municípios do DRS-VIII (Departamento Regional de Saúde), incluindo Franca, continuarão por mais duas semanas na fase Laranja do Plano São Paulo, de retomada da economia paulista. A permanência da região na segunda fase mais rígida da quarentena contra a Covid-19 é apontada pelos números divulgados nessa quinta-feira, 3, pelo Governo do Estado.

O que impede a região de avançar de fase é o descontrole na pandemia do novo coronavírus, com aumento nos casos, internações e mortes. A capacidade hospitalar até melhorou, mas não foi e nem seria suficiente para – sozinha – levar Franca a mudar de fase.

Os dados constam do Boletim Epidemiológico do Estado divulgado na noite dessa quinta-feira, 3. São eles que serão usados pelo Governo na nova atualização do Plano SP, a ser divulgada no início da tarde desta sexta-feira, 4, pelo governador João Doria (PSDB), durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Caso as regras não sejam alteradas, o destino traçado pelos números da pandemia para a região de Franca é a permanência por mais duas semanas na segunda fase mais restritiva do Plano SP, onde shoppings, lojas, concessionárias de veículos, imobiliárias e escritórios podem atender clientes apenas quatro horas por dia e com capacidade limitada.

Isso em Franca é só teoria, porque praticamente tudo funciona como se a pandemia estivesse controlada. O desrespeito às regras de isolamento social atrelado à fiscalização insuficiente resulta em inúmeros flagrantes na cidade de descumprimento do Plano SP.

A consequência é a proliferação desenfreada do vírus, que não deixa a cidade avançar na flexibilização da quarentena.

A alta taxa de ocupação de leitos era até esta terça-feira, 1º, a responsável por ameaçar mais evidentemente a região de retrocesso à fase Vermelha. Mas o descontrole da pandemia, por sua vez, nunca deixou de resultar em números de fase Laranja e, não raras vezes, se aproximando e até determinando o “vermelho”.

No fim de junho, foi o crescimento da pandemia que mandou a região de Franca de volta à fase Vermelha, onde ficou por cerca de dois meses.

 

Menos pacientes e mais leitos

O Plano SP é baseado em dois critérios – Capacidade Hospitalar e Evolução da Pandemia – para estabelecer em qual fase cada região de Saúde do Estado estará.

Com um aumento constante nas novas internações de pacientes em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), a região de Franca atingiu na última terça-feira 82,6% de taxa de ocupação - índice que mandaria o DRS de novo à fase Vermelha.

Mas na quarta e nessa quinta, a combinação entre a queda no número de pacientes em UTIs e o aumento na quantidade de leitos de UTI Covid fez com que a classificação neste critério fosse de Vermelha para Laranja, com 75,7% de taxa de ocupação.

Na terça-feira, Franca tinha uma média móvel de 75 pacientes internados em 90,71 leitos de UTI Covid. Dois dias depois, a média de pacientes caiu para 72,14 e a de leitos subiu para 95,29.

 

Capacidade Hospitalar

A Taxa de Ocupação de Leitos de UTI Covid é um dos dois subitens do critério Capacidade Hospitalar. Com 75,7%, Franca e região ficam com nota 2 – Laranja. Há uma semana, este índice era de 78,2%.

O segundo subitem é a quantidade de Leitos UTI Covid por 100 mil habitantes. Na região, este número é de 13,7, que confere nota 4 – Verde. Em 27 de agosto, o DRS-VIII tinha 13 leitos por 100 mil habitantes.

A nota final do critério Capacidade Hospitalar é feita pela nota da Taxa de Ocupação multiplicada por 4 somada à nota dos Leitos, seguida da divisão do total por 5. A conta fica assim: (2x4+4)/5, cujo resultado é 2,4 – Laranja.

Apesar da implantação de novos leitos – foram 16 apenas nesta semana, 6 em Franca e 10 em Igarapava – e a queda nas internações de UTI, a nota é a mesma da atualização feita há duas semanas.

 

Evolução da Pandemia

Se a Capacidade Hospitalar melhorou em números, a Evolução da Pandemia piorou. Essa é o segundo critério de avaliação do Plano São Paulo.

Há uma semana, Franca e região tinham queda em casos, estabilidade em novas internações e um aumento de 21% em óbitos. Agora, todos esses três subitens subiram, com as mortes quase dobrando.

Mas, essa piora também não foi suficiente para mudar a nota neste critério, que continua Laranja, como foi na última atualização. A diferença é que há sete dias os índices estavam mais próximos do Amarelo e agora flertam com o Vermelho.

Os subitens são medidos pela variação dos novos casos nos últimos sete dias em comparação com os sete dias anteriores. Na atualização desta sexta, são considerados os dados de 28 de agosto a 3 de setembro, comparados com os números observados entre 21 e 27 de agosto.

Nesta comparação, a Variação dos Casos foi de 6,2%, que dá um índice de 1,06 e nota 3 (Amarela); a Variação das Internações foi de 15,4%, com índice de 1,15 e nota 2 (Laranja); já a Variação dos Óbitos atingiu 82,4%, sendo 1,82 de índice e nota 2 (Laranja).

A nota final do critério Evolução da Pandemia é feita pela soma da nota dos Casos mais a nota das Internações multiplicada por 3 mais a nota dos Óbitos e, em seguida, dividindo o total por 5. A conta, no caso de Franca, fica assim: (3+2x3+2)/5, cujo resultado é 2,2, que determina a fase Laranja.

 

Estabilidade de fase

Com Laranja nos dois critérios, o DRS-VIII permanecerá mais duas semanas na Fase 2 do Plano SP. Caso houvesse diferença nas notas, a menor delas é que determinaria o futuro da região na quarentena.

E foi para manter uma estabilidade, principalmente em regiões onde a pandemia está controlada, que o Governo do Estado criou margens de segurança nos critérios do Plano SP. O objetivo é evitar que “suave variação dos indicadores provoque impacto desproporcional nos respectivos critérios”.

Por isso, sempre que uma região obtiver índice para avançar ou recuar de fase no Plano SP, será observada a margem de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos na Taxa de Ocupação de Leitos de UTI Covid, caso esse tenha isso o subitem determinante para a alteração de cenário. Na Evolução da Pandemia, a margem é de 0,1.

No caso de Franca, por exemplo, a região só poderia ir para a fase Vermelha se a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid fosse de 82,5%, mesmo que 80% já seja considerado “vermelho”.

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