As notas de R$ 200, lançadas oficialmente pelo Banco Central nessa quarta-feira, 2, ainda não foram distribuídas às agências bancárias de Franca. Em consequência disso, ainda não entraram em circulação na cidade.
Até o momento, de acordo com funcionários da tesouraria do Banco do Brasil, não há nenhuma previsão para a chegada da novidade à cidade, já que os bancos ainda não realizaram nenhum pedido específico e as transportadoras devem fazer as entregas de maneira escalonada com outros valores.
No entanto, segundo o economista da Acif, Adnan Jebailey, as notas devem começar a aparecer na cidade já nos próximos dias. Ele afirma também que a chegada dessas novas cédulas trará um pouco mais de dificuldade aos comerciantes. Em contrapartida, elas vão contribuir para que as pessoas pensem melhor antes de comprar.
“Com relação aos varejistas, a nota dificulta na hora de entregar o troco. Em relação aos clientes, alguns estudos no âmbito da psicologia econômica demonstram que quanto maior o valor da nota, a decisão da compra torna-se mais ‘dolorosa’. Por exemplo, se você compra um produto por R$ 30 no cartão débito ou crédito, a ‘dor’ é menor do que se você pagar com uma nota de R$ 200. Por isso, alguns economistas recomendam a compra em dinheiro, para que o consumidor tenha uma sensação sensorial da compra”, disse Adnan.
O economista acredita ainda que quem sai ganhando de verdade com a impressão das novas cédulas é a Casa da Moeda. “Nesse caso específico, o lado que receberá mais vantagens pelo lançamento é a Casa da Moeda do Brasil, tendo em vista que ela poderá imprimir mais recursos fazendo menor esforço no emprego do papel-moeda.”
Adnan também alega que, pelo menos por enquanto, a cédula não trará mudanças à economia em um âmbito municipal. “Não haverá impacto imediato pelo lançamento da nova nota, uma vez que seu lançamento visa exclusivamente a aumentar o valor agregado de emissão. Para se ter uma ideia, houve um aumento de 18,04% na emissão de papel-moeda no primeiro semestre de 2020, em comparação com igual período de 2019. Isso aconteceu por conta do pagamento de linhas de assistência como o auxílio emergencial e também para o fornecimento de empréstimos, devido às linhas criadas pelo governo federal em parceria com os bancos comerciais e públicos".
A nova nota
A nova nota, que tem estampado em sua superfície um lobo-guará, é a sétima da família do real e a primeira com um novo valor desde o ano de 2002, quando foi lançada a nota de R$ 20.
O Banco Central planeja uma produção em massa da nova cédula. O órgão encomendou à Casa da Moeda a impressão de 450 milhões de unidades.
A nota de R$ 200 apresenta também alguns elementos de segurança, que coíbem a ação de falsificadores e golpistas. Dentre esses aspectos, destacam-se o alto relevo, números “escondidos”, mudanças de cor e uma marca d’água.
Dificuldades com troco e perigo de falsificação
Como citado pelo economista Adnan Jebailey, a nova cédula trará algumas dificuldades aos comerciantes. Olair Augusto Fernandes, que é dono de um estabelecimento comercial, afirma que será mais difícil distribuir os valores do troco para seus clientes.
"Já era dificultoso para a gente trabalhar com as notas de R$ 100. Agora, com uma cédula de valor dobrado, complica ainda mais. Às vezes, o cliente compra algo bem barato e precisa pagar com a nova nota, pois é a única que ele tem. Para dar o troco, vai ficar embaraçoso.”
Olair comenta também que a nota traz consigo uma sensação de insegurança, por conta dos perigos de falsificação. “A gente fica com um pouco de medo, pelo menos no começo. É algo novo e a cédula é valiosa. Tem o dobro de valor da maior que conhecíamos até agora. Quando alguém me apresentar uma nota nova de R$ 200, vou ter que conferir bastante, fazendo uso da luz negra e me atentando aos detalhes.”
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