ORÇAMENTO

Após calote, Gilson libera impositivas para o próximo prefeito pagar e irrita vereadores


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Pastor Otávio Pinheiro, Ilton Ferreira e Corrêa Neves Jr.: 'É lamentável'
Pastor Otávio Pinheiro, Ilton Ferreira e Corrêa Neves Jr.: 'É lamentável'

A Câmara Municipal aprovou na última terça-feira, 25, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021, no valor estimado em cerca de R$ 900 milhões. O prefeito Gilson de Souza (DEM), que não pagou as emendas impositivas dos atuais vereadores ao longo de seu mandato, curiosamente, apresentou o orçamento para o próximo ano com a liberação dos recursos, de cerca de R$ 10,5 milhões.

A atitude do prefeito irritou bastante parte dos parlamentares, que não conseguiram destinar os recursos aprovados às instituições em três anos do governo Gilson. Mesmo assim, a Câmara aprovou o orçamento em primeira votação.

O vereador Corrêa Neves Jr. (PSD) classificou a atitude do prefeito como “bastante estranha”. “Gilson fez uma palhaçada com todos os vereadores. Cada vereador tem R$ 700 mil por ano para destinar a projetos variados, culturais, assistenciais, esportivos, que ele acha importante. Valor este que está no orçamento. Desde o primeiro minuto, Gilson implicou com essa lei”, observa o vereador.

Corrêa lembra que, no primeiro ano de governo, Gilson não pagou as impositivas e todas entidades reclamaram. “No segundo ano, conseguimos fazer um encaminhamento junto com o promotor Murilo Jorge e liberar a emenda do primeiro ano, que com muita dificuldade foi paga.”

O vereador continua e relembra que no ano seguinte, em 2019, ocorreu a enchente e o dinheiro foi usado nas obras para reparar os estragos na cidade. “No ano seguinte (2020), a mesma coisa: Gilson não pagou dizendo que não concorda com a Lei, mas não entrou contra na Justiça. Ele simplesmente disse que não iria cumprir. Como ele não pagou, eu mesmo propus que ele usasse o dinheiro para a Covid, naquele fundo municipal.”

Corrêa Neves Jr. lamenta o boicote do prefeito com os atuais vereadores. “Na verdade, o prefeito não quer fortalecer ninguém. Ele acha que pagar emendas do vereador é dar força para o vereador. Ele quer a força só para ele. Então, ele boicotou todo mundo. Agora no último ano, Gilson colocou o dinheiro das impositivas no orçamento do ano que vem.”

Ilton Ferreira (PL), parlamentar ligado aos trabalhos das entidades assistenciais, principalmente as que administram creches, foi contundente ao criticar o prefeito. “Não sei se riu ou choro. Desde o começo do mandato, nós estávamos ao lado do prefeito, no partido dele, orientando para que ele fizesse o pagamento das emendas, visto que é lei e era obrigatório o pagamento. Mas em nenhum momento o Executivo nos ouviu. Em nenhum momento o Executivo quis pagar.”

Ilton destaca que, por conta disso, foi aberta uma comissão investigativa. “O prefeito só não foi cassado neste ano por causa da pandemia. Ele não fez nenhum tipo de ação para que se pagasse as impositivas. Agora ele vem, nos 40 do segundo tempo, e coloca no orçamento para que outro tenha de pagar.”

Para o vereador, a atitude de Gilson é uma falta de respeito com os vereadores. “Queira Deus que o nosso próximo prefeito ou prefeita tenha uma visão mais positiva para nossas entidades, para as creches. Que as entidades sejam mais respeitadas - já que elas são parceiras do Poder Executivo -, podendo, assim, cumprir suas funções com tranquilidade.”

A Comissão Processante contra Gilson, citada por Ilton, está parada no Legislativo por causa da pandemia.

Outro vereador que criticou a postura do prefeito foi o pastor Otávio Pinheiro (PTB). “A gente lamenta muito que, durante esses três anos, ele não tenha pago. Um dos depósitos ocorreu na Justiça. A lei das impositivas foi votada e aprovada. A gente sabe que as instituições ficam com o chapéu na mão, pedindo ajuda, promovendo eventos”, disse ele.

Pastor Otávio levanta dúvidas sobre os motivos que levaram Gilson a reconhecer as impositivas apenas no último ano de mandato. “Não sei se a intenção do prefeito é eleitoreira, se ele quer tirar algum proveito eleitoral, colocando isso agora no orçamento no último ano. É uma pena que ele faça isso apenas neste momento e não tenha feito nos anos anteriores.”

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