A crise econômica decorrente da pandemia da Covid-19 acabou obrigando muitos empresários a trocar de ponto ou mesmo encerrar suas atividades. Com medo do que o futuro reservava, alguns decidiram desocupar os imóveis que ocupavam. Em imobiliárias de Franca, chegou a dobrar o número de imóveis comerciais disponíveis para locação.
“Durante a pandemia, aconteceu uma grande desocupação de imóveis, tanto comerciais como residenciais, de pessoas que se sentiram inseguras com a situação econômica e financeira do país”, disse Alexandre Agnello, proprietário da Agnello Imóveis.
Para ele, em alguns casos, a decisão foi tomada precipitadamente. “Porque, logo em seguida, o governo lançou medidas de auxílio e pacotes econômicos, entre eles, uma linha de crédito para micros e pequenos empresários, através do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).”
Segundo Agnello, houve um aumento de 100% no número de imóveis comerciais para alugar em sua imobiliária, comparado ao período pré-pandemia. “Estamos com aproximadamente 50 imóveis comerciais desocupados atualmente. Em uma fase normal, seria em torno de 20 a 25, um aumento em torno de 100%.”
Quarentena
Para José Milton, proprietário da Localize Imóveis, a interrupção repentina do atendimento presencial em lojas e serviços, determinada pelas regras de quarentena, é o principal fator para o aumento na quantidade de imóveis desocupados.
“Donos de academias e bares, por exemplo, quebraram, porque foram obrigados a fecharem de uma hora para outra. A Prefeitura foi negligente com os empresários e empregos”, afirmou Milton.
“Se você abre uma academia, impõe restrições - onde tinha 100 passa a ter 50 alunos - e oferece desconto no aluguel do imóvel, ajuda o empresário a se manter durante a pandemia. Como fizeram, simplesmente decretaram falência de muitos, em diferentes áreas”, ressaltou.
Região central
O que as imobiliárias traduzem em números, a reportagem do GCN constatou em uma volta por Franca na semana passada. No calçadão do Centro, havia pelo menos sete imóveis comerciais para alugar.
Ainda na região central da cidade, salões vazios disponíveis para locação estavam espalhados pelas ruas Doutor Júlio Cardoso, Major Claudiano e Padre Anchieta. Já a rua General Carneiro foi a “campeã”, com onze cômodos catalogados.
‘O pior já passou’
Para Luiz Cesar Costa, diretor da AACosta imóveis, a pior fase da crise passou. “Eu acho que o momento crítico da pandemia já passou. A piora foi muito grande, os imóveis vazios aumentaram bastante, mas passou e agora tudo está retomando.”
Segundo ele, os empresários que foram obrigados a parar estão voltando a trabalhar e pensando em alugar e montar um planejamento para a empresa. “Já estamos notando uma melhora muito significativa”, afirmou.
Atualmente, a imobiliária AACosta tem 102 cômodos comerciais disponíveis para locação em Franca.
Oportunidade de negociação
Enquanto alguns empresários decidiram dar um tempo em seus negócios, outros aproveitaram a pandemia para negociar o valor do aluguel ou, até mesmo, trocar de imóvel.
A empresária Andréia Mendes Pereira, proprietária do Colégio Villa Lobos, se viu obrigada pela pandemia a procurar um imóvel em que será mais fácil cumprir as regras de distanciamento social.
“O prédio que eu estava é um local que eu gosto muito, tem o formato de um castelo, bem localizado. Foi onde consegui um pouco mais de alunos. Porém, neste momento, devido ao distanciamento social, ele não iria ser um prédio confortável para os estudantes”, disse.
Segundo ela, o outro motivo que a fez trocar de imóvel foi o valor do aluguel. “O proprietário de onde eu estava, infelizmente, não me proporcionou nenhum tipo de desconto e nenhuma prorrogação. Decidi juntar o útil ao agradável, e comecei a negociar um novo prédio, podendo pagar o mesmo valor de antes, mas com um espaço ainda maior.”
Emerson Fernandes Neves, proprietário do Nosso Restaurante, também negocia a redução no valor do aluguel. “Acredito que seja geral, não só comigo, mas o nosso movimento caiu em torno de 60% a 70%. Hoje estamos propondo uma redução do aluguel até que tudo se normalize.”
Neves conta que já houve algumas reduções no preço do aluguel, mas que se mostraram insuficientes para ele continuar com o estabelecimento aberto. “A primeira opção é continuar com o ponto, mas com uma redução de aluguel. Caso não seja possível, teremos que buscar alternativas, algum outro ponto, um aluguel mais barato.”
Troca de endereço
Para Maurício Pereira Ramos, presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Franca, a maioria dos comerciantes não fechou seus negócios, mas mudou de endereço.
“O que aconteceu é que o comerciante remanejou as suas empresas. Das avenidas para os bairros, das avenidas para o Centro, do Centro para as avenidas, para diminuir o custo. Porém, fechar e ir embora para casa, foi muita minoria.”
Ele espera que a mudança de fase no Plano São Paulo ajude a economia de Franca. “Eu acredito que agora, na fase Laranja, começaremos a melhorar o fluxo comercial’’, finalizou.
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