Diante da crise mais aguda de sua história, a indústria calçadista de Franca pode levar mais um baque nos próximos meses. De acordo com o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, o veto de Jair Bolsonaro à desoneração da folha de pagamento, que reduz os impostos pagos sobre os salários, pode trazer ainda mais desemprego e dificuldades ao setor.
“O fim da desoneração da folha de pagamento das empresas, que enquadram o lucro presumido e o real, terá um grande impacto negativo para o ramo. Uma firma que contribuía com uma fração de 1,5% por mês começará a repassar 20% pela folha de pagamento. Esse acréscimo de custo pode chegar a R$ 572 milhões (para a indústria). Juntando isso à pandemia, será um choque. Os valores serão repassados ao trabalhador também. Todos estamos no mesmo barco”, diz Brigagão.
José Carlos afirma que o setor calçadista de Franca enfrenta seu pior momento em todos os tempos. “Somando o histórico ruim à pandemia, resulta no que nós vivemos: a pior fase da história. Encerramos o mês de junho com apenas 10.348 funcionários registrados nas empresas. Quase 20 mil a menos do que tínhamos há sete anos atrás. A produção também caiu muito. Em 2013 produzimos 40 milhões de pares, enquanto nossa expectativa para este ano é de 19 milhões. Porém, não sabemos sequer se ela será atendida. Do jeito que as coisas vão, o setor demorará anos para se recuperar”.
Brigagão também acredita que a situação tem tudo para ficar ainda pior. “Não dá para entender o que acontece. O Ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que é preciso tirar o peso dos impostos e a burocracia das costas do industrial. Mas, ao mesmo tempo, o Presidente não sanciona (a desoneração da folha) e volta a onerar a indústria. Para piorar, está em andamento a reforma tributária, que deve ser aprovada em breve. Nada podemos fazer, somente esperar”.
Segundo o presidente do sindicato, a situação política atual tem dificultado e confundido a vida dos investidores em geral. “O grande problema de ser industrial ou empreendedor neste país é a insegurança jurídica e política. O que se decide hoje, não é mais sustentável amanhã. Grande exemplo disso é essa situação da folha de pagamento. A desoneração não sancionada previa vigência até o final de 2021, acabando somente em dezembro. Agora, o Governo Federal vetou essa prorrogação”.
A expectativa agora fica com o Congresso Nacional, que pode derrubar o veto do presidente Bolsonaro e manter a redução de impostos para a indústria calçadista. Hoje, 17 setores, entre eles o calçados, tem redução de impostos que incidem sobre a folha de pagamento. A discussão do veto chegou a ser programada, mas foi adiada na semana passada. A previsão agora é que vá ao plenário em setembro.
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