Sem te ver


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Com a pandemia ninguém pode entrar na UTI, não te vejo desde aquela manhã que deveria ter sido como outra qualquer. A espera é angustiante, o seu quadro permanece estável, porém muito grave. Nos entregamos em oração, emanando amor, fé, esperança e aceitação. Eu do meu quarto tenho a sensação de que escuto a porta da sua casa abrir toda hora. Minha mãe e a tia Fátima vão na sua casa toda hora, como se você fosse chamar a qualquer momento. Lembro que hoje é domingo, o dia de fazer aquele brigadeiro de colher que você pedia nos últimos domingos e eu falava que era minha especialidade e você comia achando a melhor coisa do mundo. Não vai ter brigadeiro. Mas sempre terá meu amor, minha gratidão, esperança e fé que aprendi a ter com você e com o meu pai, o nosso Maurão.

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