Hidroplano


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Para escutar, primeiro silencie. No silêncio as coisas podem fazer sentido.

Não bebo desse cale-se, meu copo está cheio. Estar aqui é bom começo.

Cresce o muro, impede o sol entrar; segregar pessoas dá em transtorno.

São inúmeros os benefícios de ouvir em silêncio

Guardo entulho, pensamento desconexo.

Mas eu tenho um plano.

Tudo é questão de ação e reação, teimamos em ordenar o caos.

Sentir escapa; como a gota no mar saberia a direção da corrente?

Se a realidade parece líquida precisamos de um hidroplano.

Diluir-se sem esperar do outro mais do que possa por ele fazer

talvez harmonize o horizonte no constante atrito das vontades.

O ego agigantou-se no mundo pequeno.

As sombras do terror revelam esconderijos.

Já experimentou de alguma forma,

como planta que fosse podada,

força invisível  inibir sua vontade?

 

Embora breve a vida parece operar milagres em ciclos:

é sempre oportunidade de revermos as circunstâncias.

Aquela criança que ouviu na escola alguém dizer

 “pau que nasce torto não dá barco que veleje”

hoje rabisca hidroplanos e compreende que,

para ir longe, basta o sonho no papel dobrado.

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