PUBLIEDITORIAL

Os impactos da Covid-19 em gestantes e puérperas


| Tempo de leitura: 3 min

Em 2020 não se fala em outra coisa: o novo coronavirus (Covid-19) e o impacto que sua chegada causou em todo o mundo, de mudanças de rotina a milhares de mortes que, em sua maioria, são de pessoas com mais de 60 anos e/ou com algum tipo de comorbidade.

Desde o início, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou claro que, além dos idosos, aqueles que sofrem com hipertensão, asma, diabetes, obesidade ou que sejam fumantes e ex-fumantes fazem parte do grupo de risco de contágio da Covid-19, ou seja, tem maior risco de desenvolver a forma grave da infecção pela doença. Agora, o Ministério da Saúde classificou, também como parte do grupo de risco, as gestantes e puérperas, já que no Brasil essas mulheres vêm sofrendo mais com o coronavírus.

De acordo com o Dr. Zainer Renato Gonzaga, ginecologista e obstetra da Unimed Franca, ainda não existem comprovações definitivas em relação a esse grupo de mulheres frente a outras infecções, mas é preciso considerar que o vírus pode influenciar o bem estar do bebê. “Existe uma lacuna de conhecimento em relação aos desfechos na gestação e puerpério. A princípio essas mulheres não têm risco mais elevado de se contaminar, mas alguns estudos já vêm apontando para evoluções mais desfavoráveis do que para a população geral, que podem envolver quadros exuberantes e possivelmente contribuir para aumento das taxas de abortamento, ruptura prematura da bolsa amniótica, crescimento fetal restrito, sofrimento fetal e trabalho de parto prematuro. Tem sido demonstrado ainda um estado favorável para tromboses e embolias em pacientes com Covid-19, assim como já ocorre nas gestações habitualmente.  A associação deles é algo que preocupa”, explica.

O jornal científico International Journal of Gynecology & Obstetrics publicou recentemente um estudo que mostrou que o Brasil concentra 77% das mortes por Covid-19 de gestantes e puérperas, comparado com o restante do mundo. O dado se torna ainda mais alarmante quando se contrasta com os números de mortes por H1N1. Isso confirma que essas mulheres fazem parte também do grupo de risco para viroses respiratórias.

“Por isso a vacina contra a gripe faz parte da rotina de pré-natal, por exemplo. Alterações fisiológicas (normais) da gravidez tornam o sistema imunológico mais vulnerável, modificando sua resposta frente a infecções. Existe também uma tolerância menor à hipóxia (diminuição de oxigênio disponível no sangue), tendendo a agravar as infecções respiratórias”, comenta Dr. Zainer.

Para a Dra. Mariana Gonzaga Baptistella, ginecologista e obstetra da Unimed Franca, é fundamental que as gestantes e puérperas tenham praticamente os mesmos cuidados que a população em geral durante a pandemia do novo coronavirus. “As mulheres precisam fazer uso de máscaras, ter precauções de contato, respeitar o distanciamento social, fazer higiene correta das mãos e a manutenção de hábitos saudáveis - de sono, alimentação e hidratação. Devem também manter um pré-natal satisfatório, dentro da adequação necessária para tornar o atendimento mais seguro, seguindo as orientações do obstetra e evitando idas desnecessárias ao pronto socorro. Se apresentar sintomas leves de Covid-19, o ideal é que permaneça em isolamento e comunique seu médico. Se tiver sinais de alerta, deve ir imediatamente ao pronto socorro”, esclarece.

O momento do parto também precisa de atenção. Na opinião da médica, o ambiente deve ter capacidade de fornecer recursos para uma assistência adequada à mãe e ao bebê durante trabalho de parto, parto e puerpério imediato. “A presença de um acompanhante no momento do parto deve ser respeitada para auxiliar no acolhimento e suporte emocional, porém devemos evitar a presença de outras pessoas, bem como visitas”, diz.

Para os médicos, a gestação e o parto são momentos muitos especiais e envolvem um turbilhão de emoções, expectativas e sonhos. Mas a prioridade deve ser a saúde da mãe e do bebê. Em momentos de riscos e incertezas, é preciso ter cuidado e se adaptar, para que essas continuem sendo experiências saudáveis e felizes.