Nos Estados Unidos, a Associação Médica do Texas colocou o tênis como o esporte mais seguro nesta pandemia. A entidade criou uma escala de 1 a 10 para classificar o risco de diversas atividades do cotidiano, como ir a um restaurante ou passear no parque. O tênis está no nível 2, ao lado de "acampar" e "abastecer o carro", por exemplo.
Estes critérios são embasados pela própria Organização Mundial da Saúde. A OMS aponta que esportes de menor risco de contágio são aqueles "com distância física" e disputados ao ar livre, como o caso do tênis.
Em Franca, a modalidade ainda está longe de ser a principal. Contudo, a pandemia fez com que muitos esportistas de outras modalidades migrassem para o tênis. A Nova República do Tênis (NRT), escola totalmente voltada a esse esporte, apresentou um plano de trabalho para a Secretaria de Saúde, com normas e adequações para evitar o contágio do novo coronavírus e poder seguir com as atividades.
Felipe Granzotti, chefe da Vigilância Sanitária no município, comentou a respeito da prática do tênis. “O tênis, por ser um esporte sem contato físico, diminuiu o risco da possibilidade de contágio no momento da sua prática. Mas a liberação/autorização para a prática esportiva depende de inúmeros fatores. Tais como: o local onde é praticado, o profissional responsável, a logística, o plano de trabalho entre outros fatores”.
Granzotti ainda ressaltou que apesar da liberação das atividades na NRT e em outras quadras, como a do Castelinho, os locais passam por avaliações. “A avaliação e a fiscalização é constante, e caso seja identificado alguma irregularidade ou algo que vá contra o que determina o Decreto Municipal, o local será autuado”.
A reportagem visitou a escola de tênis e pôde ver algumas dessas adaptações feitas. Jesus Rodrigues Júnior, responsável pelo local, disse que todas as medidas e orientações sugeridas são seguidas para que possa continuar recebendo o público e seus atletas. A escola mantém os treinamentos dos atletas de alto rendimento (como são chamados aqueles que disputam competições), além de alugar quadras para quem quiser jogar e experimentar o esporte. Jesus ainda ressalta o aumento de adeptos ao esporte. “Aqui atendemos desde profissionais até quem nunca havia pego em uma raquete. É muito bacana ver as pessoas aderindo ao tênis. Houve um aumento de aproximadamente 40% entre alunos e pessoas que marcam horários avulsos”.
Dentre as medidas adotadas estão: horário marcado, com no máximo quatro pessoas por quadra (considerando jogo de duplas); os praticantes devem usar máscaras em todos os lugares fora da quadra; cumprimentos apenas com as raquetes; não pode haver reuniões dentro do local, após os jogos; além de álcool em gel ser disponibilizado em vários pontos.
Professor de tênis há 6 anos, Caleb Uehara diz concordar com a segurança do tênis no cenário atual. “É um esporte praticado com distanciamento e ao ar livre. Acredito que com cuidados fora de quadra, fica seguro sim”. O professor relata que no início da pandemia perdeu alguns alunos por questões financeiras, mas que tem visto as coisas mudarem agora. “Percebi que muitas pessoas que antes não praticavam, estão procurando aprender. Em Franca, o ‘beach’ tênis tem ganhado força e adeptos, principalmente entre famílias. Esse momento pode fazer a modalidade ganhar mais força”.
Caleb usa as quadras do Castelinho para dar aulas, mas já pensa em um projeto próprio para ter o seu local. “Vendo esse crescimento, estou motivado em criar meu próprio local para dar aulas e atrair ainda mais tenistas”, concluiu.
'Beach tênis'
Outro esporte do mesmo seguimento é o tênis de areia, ou ‘beach tênis’, como é conhecido. A modalidade vem ganhando força na cidade por ser considerada mais fácil de se adaptar, em relação ao tênis convencional. Na NRT, por exemplo, há quatro quadras disponíveis. Com a visita da reportagem, foi possível ver que todas estavam ocupadas, com pessoas de várias idades, e que há distanciamento considerável entre os jogadores.
O proprietário do local enfatizou a alta procura pelo tênis de areia. As quadras foram inauguradas durante a pandemia e mesmo assim a procura foi grande. Jesus relata que muitas mulheres procuram pela prática desse esporte, o que difere um pouco do convencional. “É muito bacana pois passamos a ter muitas mulheres frequentando aqui, e a maioria procura pelo beach”.
Ana Laura Malta é uma das praticantes do esporte. Ela começou sua jornada durante a pandemia, justamente procurando alguma atividade sem riscos para praticar. “Meu namorado é professor de tênis e eu já tinha tentado jogar, mas não deu muito certo”, contou. “Agora, com o beach tênis foi diferente. Consegui me adaptar e posso dizer que estou quase viciada”, concluiu sorrindo.
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