DENÚNCIAS

Ministério Público denuncia 'Buiu' em mais três crimes no caso Jéssica


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Imagem mostra Buiu antes do crime. Na sequência o rapaz observando o corpo da jovem.
Imagem mostra Buiu antes do crime. Na sequência o rapaz observando o corpo da jovem.

O promotor de vendas Antônio Sérgio Rodrigues, 33, assassino confesso da ex-mulher Jéssica Carloni, 28,  foi denunciado pelo Ministério Público por mais três crimes. O assassinato aconteceu no dia 2 de fevereiro deste ano, em uma chácara no Residencial Zanetti, em Franca. Agora, além de responder por feminicídio, ‘Buiu’, como é conhecido, deverá responder por três crimes de lesão corporal, dois contra a vítima e um contra uma amiga dela.

Os crimes denunciados pelo MP aconteceram em 2019, quando o casal havia se separado. Um dos crimes seria uma agressão em frente ao condomínio onde Jéssica morava. Os outros dois seriam referentes a uma perseguição seguida de atropelamento. Na ocasião, segundo testemunhas, Antônio teria perseguido de carro a vítima e jogado o veículo para cima da moto onde ela estava com uma amiga, atropelando as duas. A notícia publicada pelo portal GCN foi compartilhada pela própria Jéssica em uma rede social. “Até onde chega a covardia de um ser que se diz homem. Não foi carro que bateu na minha moto, foi o infeliz do meu ex que simplesmente não aceita o fim do relacionamento. Até onde isso vai, gente...”, desabafou Jéssica, na época, em seu perfil do Facebook.

“Os outros inquéritos estavam em andamento em outras varas, porque não eram casos de crime contra a vida. Mas como houve o homicídio e as agressões anteriores tinham relação com o fato dele não aceitar a separação, ocorre uma conexão probatória, que significa que os elementos de um caso têm influência da prova do outro e vice e versa. Então, por isso, houve um acréscimo nos inquéritos e eu realizei um aditamento da denúncia para incluir os crimes de lesão corporal”, disse o promotor do caso, Odilon Nery Comodaro.

“O que o promotor fez caso reconhecido pelo TJ, configura uma afronta ao Estado democrático de direito, passível de crime de abuso de autoridade, tanto ele responde o MP como o juiz da causa. Não existe conexão entre o fato de lesão corporal e o suposto feminicídio. Repudio a atitude do promotor e o fato de constar a ilegalidade e vamos recorrer ao tribunal de justiça. Onde tenho certeza que será feito a justiça” disse o advogado responsável pela defesa de Antônio, Hernandes de Oliveira.

O crime

A jovem Jéssica Carloni, 28 anos, foi morta com múltiplos golpes de faca no início da noite de domingo, 2 de fevereiro, em uma chácara localizada na Avenida Manoel Jacinto Neto, no Jardim Zanetti.

Antônio Sérgio Rodrigues então com 32 anos, o ‘Buiu’, foi preso em flagrante acusado de esfaquear Jéssica. Ambos estavam separados há cerca de um ano.

Segundo uma amiga de Jéssica, que testemunhou tudo, um grupo estava reunido na chácara onde o crime ocorreu desde sexta-feira para comemorar um aniversário. A confraternização seguia tranquila e animada até o fim da tarde de domingo, quando Buiu chegou ao local. O clima era tenso por que ele se recusava a aceitar o fim do relacionamento e havia agredido a ex-mulher em ocasiões anteriores. Mesmo assim, os amigos imaginaram que poderiam evitar uma tragédia e insistiram para que Jéssica permanecesse no local. “Como tinha muita gente, todo mundo falou ‘pode ficar de boa, porque se ele te por a mão, todo mundo segura ele’”, disse a amiga.

Meia hora depois, o anúncio da tragédia. “Eu vou te matar”, disse Buiu para a ex. Rapidamente, ele foi até o carro e voltou com uma faca. Acertou Jéssica pelas costas, que caiu no chão. Buiu teria então agredido e golpeado Jéssica dezenas de vezes. “Ele deu mais de 50 facadas nela”, disse a amiga. “Foi horrível. Ele disse que quem entrasse no meio ele ia matar”.

Jéssica não teve qualquer chance de defesa.  “Foi pior que cena de filme, vendo todo mundo correndo, ele matar ela e não poder fazer nada”, lamentou a amiga.  “Nunca achei que ia ver isso na minha vida”. 

Buiu foi preso pela Força Tática, próximo a Avenida Dom Pedro, depois recolhido à Penitenciária de Franca onde permanece até hoje.

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