Até hoje comentam sobre como Zulmira conseguiu esconder sua gravidez e sua filha, revelando-as só após seus pais terem falecido. Mocinha, nascida e criada na zona rural, bonita e faceira, conheceu Juvenor, trabalhador na usina de cana e morador em cidade próxima. Falante, bem apessoado, convenceu os pais dela que tinha boas intenções e seria bom marido. Só não falou que não resistiria aos encantos dela e a tornaria sua mulher, bem antes do casamento. A data foi marcada por ele, rapidamente, pois já sabia da situação dela, grávida, esperando um filho seu. E ninguém percebeu mudanças em seu corpo, vestiu-se lindamente de noiva, entrou em uma igreja florida e ao som de uma maviosa música, recebeu as bênçãos do padre. Casou-se e foi bem no final da festa que ela teve os primeiros sinais de que a criança iria nascer. Como ele já estava preparado, um carro alugado os levou em lua de mel para uma cidade maior, ou seja, direto para o hospital. Correu tudo bem, só que Zulmira e o marido voltaram sem a filha, entregue aos cuidados de uma família, previamente acertada.
A vida seguiu em frente, eles tiveram outros filhos, nenhum sofrimento deixavam transparecer e, vez por outra, visitavam a primeira menina. Após dez anos, quando seus pais se foram desta terra, Zulmira e Juvenor buscaram a filha e a apresentaram aos conhecidos.
Sem traumas, tristeza ou qualquer sentimento de revolta, a menina adaptou-se à nova vida e hoje é a companheira dos pais.
Parece que quanto mais simples a vida, mais fácil de se viver. É bem verdade que o ser humano, ele próprio, dificulta a sua existência.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.