APÓS POLÊMICAS

Hospital da Caridade muda gestão para atender 'exigências' do convênio


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Daniela Polati junto com o médico Rafael Knack durante anuncio de parceria
Daniela Polati junto com o médico Rafael Knack durante anuncio de parceria

O Hospital da Caridade “Dr Ismael Alonso y Alonso”, inaugurado em maio deste ano, em Franca, promoveu mudanças significativas na parte administrativa. A principal delas foi a demissão da diretora clínica, a fisioterapeuta Daniela Polati.

O hospital passa a contar agora com dois médicos responsáveis: Dr Diego Souza Parnaíba, diretor técnico; e Dr Claudio Henrique Formigoni Rivera, diretor clínico.

O presidente da instituição, Wellington Berbel, explica que as mudanças fazem parte de um novo plano de trabalho para atender as “exigências do convênio”. “Ocorreram mudanças técnicas e específicas para melhor adequação de número de profissionais e, acima de tudo, melhor atendimento às exigências do convênio existente. Os atendimentos estão ocorrendo normalmente. O Hospital preza cabalmente pela qualidade e saúde da população de Franca e Região nesse momento tão delicado”, disse, sem especificar mais sobre tais exigências.

Dentro do novo formato de trabalho, o Hospital também passou a divulgar boletins diários pela rede social sobre o movimento de pacientes em sua ala de Covid-19, a exemplo do que fazem os outros hospitais. “São médicos com mais experiência para o atendimento ao covide19 e já trabalham em equipe com os demais médicos em outras unidades de saúde da cidade”, acrescenta Berbel.

O hospital, inaugurado em meio à pandemia do coronavírus, tem capacidade para 60 leitos, projetados para oferecer cuidados paliativos a pacientes com doenças terminais. Por conta da pandemia, a prefeitura firmou convênio com a instituição para transformar 20 leitos em ala de enfermaria do Covid-19. O valor do contrato foi de R$ 1,2 milhão.

Mostrando falta de “know how” ainda o hospital se envolveu em algumas polêmicas. A maior delas foi a divulgação de uma “testagem em massa” de Covid-19 na cidade. De acordo com o que foi divulgado pela assessoria de imprensa do Hospital da Caridade, 40 mil testes seriam aplicados na população de Franca, atingindo mais de 10% da população, em uma parceria entre o hospital, a Unifran (Universidade de Franca), o Hospital Israelita Albert Einstein e a Prefeitura de Franca.

A testagem seria financiada com uma verba de R$ 8,3 milhões provenientes do Ministério da Saúde que, através de uma emenda do partido Republicamos, seria destinada à instituição. Denúncias do portal GCN mostraram que nem a parceria nem os recursos existiam. Dias depois, a prefeitura desmentiu oficialmente a testagem. “Isso daí, eu acho que foi uma notícia desencontrada, não tem absolutamente nada a ver ... Esses testes, para nós da Secretaria, não existem, até porque (o assunto) não foi discutido com a gente. Acho que foi um equívoco, uma notícia plantada, com uma falsidade enorme, não tem fundamento algum esses novos testes”, disse o coordenador municipal de Saúde, Luiz Carlos Vergara, na época. O Partido Republicanos também se posicionou, afirmando que nunca se comprometeu com a tal verba e que o dinheiro não seria destinado a Franca.

Outro momento de muita controvérsia foi sobre a divulgação de uma parceria com o Hospital Alberto Einstein, tendo como intermediário o médico Rafael Knack. Dias depois, o próprio médico veio a público dizer que não representava o hospital de São Paulo e que a parceria era com ele apenas. “Nós usamos uma parceria dos médicos do hospital e não do hospital diretamente. O hospital não financia nada, não tem link direto nenhum (...) Mas alguns médicos do hospital têm uma caridade de nos ajudar nesta parte”, explicou ele na época.

Devido ao imbróglio e a repercussão negativa envolvendo o nome do hospital, diretores da instituição foram à sessão da Câmara Municipal para esclarecimentos, admitindo a precipitação nas informações, sobretudo a liberação da verba para a testagem em massa de Covid.

Sobre as razões do afastamento da diretora Daniela Polati, a diretoria do Hospital não quis fornecer mais detalhes. Procurada, a fisioterapeuta disse que não irá se pronunciar: “Entre em contato com o Presidente Wellington. Prefiro não me pronunciar”, se limitou Daniela.

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