VETERANA

Incertezas e sonhos frustrados cercam o retorno da Francana


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Time da Francana chegou a realizar pré-temporada e vários jogos-treinos antes da pandemia
Time da Francana chegou a realizar pré-temporada e vários jogos-treinos antes da pandemia

Aos poucos o futebol vai retornando às atividades no Brasil nesse período de pandemia. Os clubes da primeira divisão já reiniciaram suas competições e a expectativa agora é com às divisões inferiores. Em Franca, os olhos se voltam, sobretudo, para o futuro da Associação Atlética Francana.

Diretoria, comissão técnica e jogadores ainda vivem momentos de incertezas. Depois de dois meses de preparação para o Campeonato Paulista da Série B, os atletas da Veterana foram dispensados. Alguns deles acabram desistindo do sonho de fazer carreira no futebol. 

“Quando houve essa paralisação por causa da pandemia e voltamos pra casa, era por 15 dias até a Federação (FPF) dar um posicionamento. Então, Paulo (preparador físico da Francana) passou uma programação de treinos físicos para fazermos em casa. Mas o tempo foi passando e recebemos a notícia de uma paralisação por tempo indeterminado. Mas eu particularmente continuei realizando trabalho individual em casa para me manter bem para quando voltar”, disse o meia Geovane, de 22 anos, que mora em São Benedito da Cachoeirinha, distrito de Ituverava.

Com a vontade de vencer na carreira, Geovane ainda acredita poder realizar um bom campeonato neste ano. “Sei que é um período que não está sendo fácil pra ninguém, com muitos jogadores trabalhando por fora pra se manterem. Eu, graças a Deus, tenho apoio de minha família pra focar apenas no futebol. Minha família está sendo essencial, está sendo meu alicerce pra eu estar estabilizando nesse período difícil”. 

O volante Wallace, de 21 anos, conseguiu liberação da Francana para jogar por outro clube e se manter nesse período sem salários. “Eu estava treinando por conta própria, mas depois surgiu uma proposta para disputar a primeira divisão aqui do Paraibano. Falei com a diretoria da Francana pra me liberar, que seria bom pra mim e pro clube também. Aí deu certo”, disse o jogador, que mora em Patos (PB).

O preparador físico da Francana, Paulo Sérgio Machado Rodrigues, conta que foi frustrante interromper a pré-temporada do time, que havia disputado alguns amistosos e já estava próximo da estreia. O jogo de abertura da Veterana seria 19 de abril, no estádio Lanchão, contra a Inter de Bebedouro. “Os jogadores vinham bem fisicamente, com percentual de gordura baixando, peso baixando, ganhando massa muscular, e aí com essa paralisação foi tudo por água-baixo. O trabalho feito anteriormente foi todo perdido. Agora precisamos ver qual será o tempo que teremos para nova preparação física dos jogadores”.

Sobre alguns jogadores que desistiram da profissão, Paulo Sérgio lamenta profundamente a abreviação da carreira. “É muito triste saber que um jovem teve que encerra sua carreira devido esse tempo de recesso. Também pode acontecer de um jogador buscar outra renda nesse período e, não é raro acontecer, dele vir até tirar uma renda maior do que aquela que ele recebia no clube, podendo não retornar ao futebol. É muito triste ver isso acontecendo porque, além da profissão, é o sonho de muitos deles, de chegar às divisões superiores e em clubes da primeira divisão”.

Replanejamento

Ainda sem uma previsão do retorno do futebol das divisões interiores no estado de São Paulo, a diretoria da Francana refaz seu planejamento. “Ainda não temos uma definição de data. Há uma projeção para setembro ou outubro, mas sabemos que terá o campeonato, com descenso e acesso. A Federação deverá fazer um congresso técnico em agosto para definir como vai ser, com nova tabela e outros ajustes. Mesmo voltando o campeonato acredito que será sem público. Vamos nos reunir com toda nossa diretoria para definir a parte orçamentaria, já que não vamos contar com a bilheteria”, destacou Anderson Silva, presidente da Francana.

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