Pessoas que dedicam suas vidas ao cuidado de animais abandonados já não é fácil. Dependem de ajuda de terceiros e bom senso daqueles que abandonam seus animais sem motivos. A pandemia, contudo, trouxe ainda mais dificuldade para que o trabalho continue sendo feito.
O grupo "Cão que Mia", famoso pelas feiras de doação que aconteciam aos sábados na praça João Mendes, não as realiza desde a última semana de março.
Esse é um dos reflexos relatados por Milena Primon, voluntária do grupo. "A ausência das feiras fez com que deixássemos de fazer muitas doações. Além disso, também perdemos colaborações de pessoas que passavam por lá e ajudavam com dinheiro ou ração".
Como Milena mesmo conta, o abandono de animais continua acontecendo. Entretanto, a ajuda diminuiu e, sustentar os bichos acolhidos ficou ainda mais complicado. "Os recursos diminuíram. Temos em torno de 280 animais conosco. Tentamos fazer arrecadações através de campanhas nas redes sociais e parceria com uma loja de ração que dá desconto para quem quiser doar. Mas ainda assim não supre a necessidade", relatou.
Para Lindsay Cardoso, presidente da Associação "Só Patinhas de Rua", os abandonos aumentaram muito desde a chegada do coronavírus na cidade. "Estão abandonando mais. Muitas pessoas estão com dificuldades de manter seus animais de estimação e acabam enviando para nós ou mesmo deixando na rua".
Ainda segundo Lindsay a pandemia está diretamente ligada a esse abandono. "Quando vamos resgatar animais, há vizinhos que comentam a lamentação dos donos de não conseguir sustentá-los. Tivemos 12 casos que pessoas devolveram cachorros recém adotados por não terem dinheiro para alimentação quando a quarentena começou", lamentou.
A situação financeira é complicada não só para quem abandona, mas para quem cuida a fonte de renda também encurtou. "Eu sou confeiteira, além de cuidar da associação. Tive muitos pedidos cancelados. Antes vendia bolos de 5 ou 6 quilos e hoje, quando tem, é de 1 quilo. Toda renda que consigo com a venda deles é revertida para os animais, mas não está fácil. Está muito apertado".
Apesar das dificuldades, a cuidadora cobra empatia das pessoas. "Temos 3 locais para abrigo e pagamos aluguel e contas em todos. Mas nem por isso abandonamos animais na rua".
Para contribuir e saber mais sobre os projetos, as informações estão nas redes sociais dos grupos.
Instagram da "Só Patinhas de Rua"
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