Os moradores do Jardim Luiza II e São Domingos vêm sofrendo há anos com um tremendo imbróglio. Uma rua, que é muito utilizada por eles para transitar entre os bairros, foi aberta de maneira irregular, em meio a uma propriedade particular que também caracteriza área ambiental. Quando acionada pelos habitantes, a Prefeitura declara que a estrada não pode ser asfaltada nem receber melhorias, pois a situação envolve o Ministério Público e proprietários do espaço.
A história é tão inusitada que a rua em questão tem duas nomenclaturas diferentes. Em um primeiro trecho, onde há somente terra, ela é nomeada de Lázara Arlinda Lima de Almeida. Depois, em sua continuação, quando passa a ser asfaltada, torna-se Frank César Pereira.
Moradores próximos do local afirmam requisitar a pavimentação da via há muitos anos e por diversos motivos. Um deles, Reginaldo Tomás da Cunha, que utiliza a rua diariamente, diz que a falta do asfalto traz problemas principalmente com a variação do clima, como formação de lama e pó. “Eu moro próximo daqui e faço este caminho todos os dias. Nós lutamos há mais de dez anos por conta dessa situação, porque precisamos do asfaltamento. Com as chuvas, aqui vira puro barro. No tempo seco, aparece a poeira”.
Flávia Aparecida Vieira Ferreira, uma moradora da rua, conta que toda a redondeza do local foi pavimentada recentemente e somente aquele trecho foi poupado. Além disso, ela declara que o trânsito de veículos no local é forte e que a via se degrada a cada dia mais. “As pistas próximas foram todas pavimentadas. Quando chega naquele pedaço, alguém não autoriza. Não sabemos o porquê. O fluxo na estrada é o que mais complica para a gente, que mora perto. Desce e sobe caminhão aqui o dia todo, faz muito barulho e vai só deformando a pista, que já está cheia de desníveis”.
Flávia também afirma que os residentes fizeram uma petição reivindicando as melhorias para a rua, mas que nenhuma resposta os foi dirigida. “Nós já fizemos até um abaixo-assinado, enviamos para a Prefeitura e nada. Meu pai foi até lá várias vezes discutir sobre o assunto. Eles falam que virão aqui para averiguar e não cumprem o prometido”.
Fora todo o problema relacionado ao trânsito, a rua gera também preocupações com a integridade física das pessoas que a utilizam e dos moradores. Mariana Ruliana mora em frente ao local e diz que muitas crianças utilizam o caminho para chegar até a escola. Ela também discorre sobre a poeira gerada pela movimentação dos veículos. “Muitos estudantes precisam dessa estrada, porque a escola mais próxima aqui do Luiza II fica lá no outro bairro. Elas encurtam o caminho, mas é muito perigoso por conta do movimento. Além disso, a poeira traz muito problema para a gente. Minha mãe tem problema de coração, por exemplo, e isso não é legal para ela, nem para os outros moradores.
Quando procurada, a Prefeitura afirma que o espaço, apesar de ter sido aberto de maneira irregular, é de sua responsabilidade e que está empenhada em encontrar uma solução para o problema. Segundo a Secretaria de Planejamento Urbano, foi proposta a desapropriação de uma área com um imóvel já construído, onde seu dono seria convocado para discussão dos gastos. No entanto, para que isso aconteça, é necessário autorização e um parecer jurídico. O Ministério Público, por sua vez, afirmou que o caso já foi enviado à Promotoria de Justiça e será analisado.
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