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S. Casa diz que implantação dos 20 leitos extras de UTI pode levar até dois meses


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A Câmara Municipal de Franca sediou um encontro com lideranças nesta sexta-feira, 10, no plenário do Legislativo, para discutir a crise do Covid-19 na cidade. As maiores preocupações das autoridades são em relação a falta de leitos de UTI de coronavírus na rede pública (Santa Casa) e o crescimento acentuado de casos da doença registrado nos últimos dias no município.

Participaram do encontro o prefeito Gilson de Souza (DEM); a deputada estadual Delegada Graciela (PL); Luís Carlos Vergara, coordenador municipal da Saúde; Lucy Lene Juazeiro, diretora da DRS-8 (Diretoria Regional de Saúde); Coronel Brandão, assessor do senador Major Olímpio (PSL); Tony Graciano, presidente da Santa Casa de Franca; Daniel Haber, presidente da Unimed Franca; Tarciso Bôtto, presidente da Acif; Adolfo Benedetti Neto, assessor do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania), Sérgio Granero, assessor do deputado estadual Sebastião Santos (Republicanos). O deputado Roberto Engler não compareceu e foi representado por assessores. Todos os vereadores estiveram presentes na reunião.

A deputada estadual Delegada Graciela (PL) foi a primeira a discursar. Disse que o Estado deverá liberar mais 20 leitos de UTI para a Santa Casa de Franca. “O Secretário Regional do Estado, Marco Vinholi, nos informou que serão instalados 20 novos leitos na Santa Casa, além da habilitação dos outros 17 que já estão operando”.

Em seguida, o presidente da Câmara, Pastor Sérgio Palamoni (PSD), que presidia a reunião, concedeu a palavra ao prefeito Gilson de Souza (DEM). Gilson falou genericamente sobre a situação da pandemia, lembrando que Franca foi uma das primeiras cidades a adotar o isolamento social. “É importante a gente estar aqui conversando. O município tem feito sua parte junto com a sociedade e Estado. Tudo que a gente faz é com decisão compartilhada”.

O presidente da Santa Casa de Franca, Tony Graciano, falou em seguida. Sugeriu transformar 20 leitos clínicos (enfermaria) existentes no hospital em leitos de UTI. “Depois de uma reunião nesta semana com o Comitê Gestor, abriu a possibilidade de podermos transformar os 20 leitos de enfermaria na Santa Casa para 10 leitos de UTI custeados pelo município. Seria fantástico. É o que Franca está precisando”, disse Tony.

Thiago Silva, diretor administrativo da Santa Casa, explicou em detalhes os entraves burocráticos que têm atrasado a implantação dos leitos de UTI adicionais. “É possível a conversão dos leitos de enfermarias para UTI, mas precisa vir acompanhado dos equipamentos. A implantação de cinco leitos levaria duas semanas”, explicou. Na melhor das hipóteses, segundo o diretor, Franca vai chegar ao final de julho com 25 leitos de UTI para atendimento do SUS. Outros 15, que completariam os vinte prometidos pelo Estado, só estariam plenamente operacionais em meados de setembro.

Ainda assim, mesmo com os leitos adicionais, Franca e região devem seguir longe do ideal. “Seriam necessários 86 leitos de UTI para atender a população SUS de Franca e região”, explicou Thiago Silva. De acordo com as estatísticas apresentadas pelo diretor do hospital, Franca tem 4 vezes menos leitos de UTI do que seria necessário para atender a população com tranquilidade.

O presidente da Unimed Franca, Daniel Haber, apresentou números preocupantes sobre a doença. “Se a pessoa não tem acesso ao CTI ela vai morrer. A curva está em ascendência, e se falar que a montagem de um CTI vai demorar dez dias, eu acho muito. Precisava para ontem, para o mês passado, na verdade. Nós estamos extremamente preocupados com o rumo que as coisas estão tomando”.

Sobre uma eventual parceria com a prefeitura para atender pacientes do SUS, Haber descartou completamente a hipótese. “Temos que atender os nossos conveniados. São 80 mil vidas”, explicou Haber. Segundo ele, em situações de emergência, a Unimed abre exceção e, desde que tenha leitos disponíveis e a Santa Casa recuse o atendimento, os pacientes são aceitos. Mas não há condições de reservar leitos específicos para o sistema público de saúde. “Nossa capacidade de fornecer leitos para o SUS é zero”, alertou.

Sumiço
O prefeito Gilson de Souza foi muito questionado pelos vereadores sobre a falta de planejamento e de ações claras para resolver o problema da falta de leitos de UTI na cidade. Desconfortável, acabou indo embora no meio da reunião. Saiu sem se despedir, apesar dos apelos do presidente do Legislativo, Sérgio Palamoni, para que permanecesse na reunião. Um dos questionamentos que ficou sem resposta foi sobre a verba de R$ 1,3 milhão aprovada recentemente para a Santa Casa e que ainda não foi repassada à Santa Casa.

A escapada de Gilson foi em duas etapas. Primeiro, esboçou saída do plenário indo até a porta. “O contrato não permite passar a verba para a Santa Casa. Dá duplicidade. O que vejo é que a Santa Casa não quer chegar ao final do ano devendo. Se Brasília não está credenciando, o Estado tem que arrumar alternativas pra que os leitos de UTI tenham funcionamento nesse período emergencial. Estou encerrando agora, mas deixo o Vergara (coordenador de Saúde)... Na parte técnica ele tem toda informação”, disse o prefeito. Antes de deixar a mesa diretora.

Foi então que o presidente da Câmara, pastor Sérgio Palamoni (PSD), fez um apelo para que Gilson ficasse. “Temos muitas perguntas importantes para fazer ao senhor. Por favor, prefeito, fique aqui para respondê-las”. Então, Gilson voltou a compor a mesa onde todos as autoridades estavam. Durou pouco. Minutos depois, deixou o local, discretamente. “Eu até queria elogiar a presença do prefeito, mas neste instante só tenho a lamentar a súbita ausência dele no meio da explanação”, disse o vereador Corrêa Neves Jr (PSD). Gilson saiu justamente no momento em que Corrêa faria suas perguntas. “É absurdo. Hoje faltam leitos que podem levar as pessoas à morte. Dinheiro aprovado pela Câmara não chega à Santa Casa. Dez regiões do Estado melhoraram e avançaram para a fase laranja, mas Franca não é uma delas. Dentro de 15 dias seremos reavaliados e se a gente não melhorar a capacidade hospitalar vamos continuar na fase vermelha. A crise de saúde é seríssima, a econômica grave também. Não consigo imaginar o que o prefeito podia ter de mais importante a fazer do que estar aqui, trabalhando por uma solução”, disse Corrêa Neves Jr, em entrevista ao portal GCN.

Os outros vereadores que tentaram indagar o prefeito sobre as ações da prefeitura para tirar Franca da crise sanitária foram Adérmis Marini (PSDB), Marco Garcia (Cidadania), Ilton Ferreira (PL), Carlinhos do Petrópolis (PL), Donizete da Farmácia (MDB) e até Tony Hill (DEM), líder do prefeito na Câmara. “Gostaríamos de uma palavra concreta do prefeito. Se vai abrir novos leitos ou não. Caso contrário, dia 30 de julho vamos discutir tudo de novo na linha vermelha”, disse Adérmis. Carlinhos do Petrópolis, presidente da Comissão de Saúde do Legislativo, questionou o prefeito sobre os repasses da prefeitura para a Santa Casa e da aplicação dos testes rápidos disponibilizados à população. 

Na parte final da reunião, longa e tensa, os vereadores se colocaram à disposição para aprovar em regime de urgência quaisquer projetos do Executivo que apresente soluções para resolver a falta de leitos de UTI da rede pública.

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