RELATO

'Eu peguei sem saber de onde e como', diz jovem que luta contra a Covid em Franca


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Uma jovem atendente, de 25 anos, tem enfrentado momentos difíceis no combate da doença que tem causado pânico em todo o mundo. Preferindo manter o sigilo de sua identidade, A. mora em um apartamento no Jardim Lima, em Franca. Desde o começo do mês de julho permanece fechada em um dos quartos do imóvel. Seu marido, que não apresentou sintomas de Covid-19, está no outro quarto. “Nos primeiros dias senti muita febre, dor de garganta, muita tosse. Agora, a pior é a dor de cabeça. Ontem estava com muita dor e dor no corpo. Mas a febre passou”, disse em entrevista ao portal GCN, na manhã desta terça-feira, 7. 
 
A. trabalha em uma empresa de máquinas. Os primeiros sintomas começaram a aparecer no dia 26 de junho. Com fortes indícios que estava com a doença, seguiu para pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, que se transformou no centro de atendimento público aos pacientes com suspeita da doença em Franca. Por lá, o primeiro médico confirmou a suspeita. “Estava com a garganta irritada, febre. Ele me passou dois medicamentos e me mandou ir para casa”, disse. 
 
“Eu tenho sinusite. Quando comecei a sentir os sintomas, eu pensei que estava atacando”, afirmou. 
 
A. perguntou sobre os exames para confirmar ou não que estava com Covid. “Ele só deu uma suspeita, pediu para ficar de quarentena. Fez eu preencher um formulário e a Prefeitura é quem decidiria se iria fazer ou não”, relatou a atendente. 
 
Sem ter qualquer confirmação sobre a realização do exame, a paciente então relatou os problemas à empresa de grande porte que trabalha em Franca. Então, na quarta-feira, 1° de julho, a empresa pagou um exame particular. No dia 2, veio a confirmação para coronavírus. 
 
Daí em diante, a vida de A. mudou completamente. Isolada no quarto do apartamento, acompanhou tudo pelo celular. Seu marido e os companheiros de trabalho com quem teve mais contato fizeram exames. Nenhum testou positivo. 
 
Os familiares que tiveram ligação com A. também foram orientados a procurar ajuda médica em caso de suspeitas de Covid. Os vizinhos que moram no mesmo prédio, com quatro apartamentos, também foram comunicados. Até agora, ninguém relatou sintomas.
 
A rotina 
A. fica o dia todo no quarto. Sai apenas para ir ao banheiro. Não há contato com o marido, que trabalha na mesma empresa que ela. “Quando eu vou tomar banho, ele fica dentro de um quarto. Estou pirando”, disse. O marido, caso não apresente nenhum sintoma, deve terminar sua quarentena nos próximos dias. O banheiro é todo higienizada quando cada um dos dois passa por ele. 
 
A jovem não entende como contraiu a doença.  Ela diz que tomou todos os cuidados, usava máscaras, higienizava os produtos e andava sempre com álcool gel na bolsa e no carro. “O médico deduz que eu possa ter pegado em um supermercado que fui. Eu também fui a um posto de combustíveis e na padaria. Mas sempre com máscaras”, disse. 
 
Na empresa que A. trabalha, ela garante que, apesar de ser centenas de funcionários, todos os cuidados eram tomados. Todos passaram por testes rápidos e houve campanha de conscientização. “Eu peguei sem saber de onde e como”, disse. 
 
Relatando melhora diariamente, A. termina a quarentena no dia 16 de julho.

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